Charlie Chaplin (1889-1977), um revolucionário que amou a vida dos pobres, dos fracos, dos explorados, dos oprimidos, “da gente que não tem nada e, portanto, está aberta a receber o pouco que o amor lhes dá”, celebraria hoje 131 anos.

Chaplin, um intelectual, um criador perfeccionista, foi provavelmente o mais popular e completo artista do mundo, que teve aquilo que praticamente ninguém teve, o controlo total sobre a sua obra. Só existe um valor fundamental na sua obra, só uma verdade: amar. Com personagens humanas e reais, Chaplin tentou revolucionar toda a sociedade ao retratar a pobreza, os explorados e oprimidos, oferecendo sempre esperança e confiança.

131 anos do nascimento do homem (Chaplin) e 106 anos do nascimento de um símbolo (Charlot). O pequeno vagabundo, Charlot, uma das figuras mais eternas do cinema (ler artigo aqui), surgiu pela primeira vez em 1914, em “Kid Auto Races at Venice”, um dos filmes mais divertidos dos estúdios Keystone. Este é o segundo filme em que Chaplin participa, mas o primeiro em que apresenta pela primeira vez ao mundo a sua personagem, Charlot, ou como é conhecido em inglês “The Tramp”. Chaplin estreou-se neste filme com o seu lendário fato improvisado no momento: “vou vestir umas calças muito largas, sapatos grandes e completar tudo com uma bengala e um chapéu de coco. (…) Acrescentei a isso um pequeno bigode que me envelheceria um pouco, mas sem alterar as minhas feições”.

Nascido a 16 de abril de 1889, nos bairros pobres de Londres, os seus pais eram cantores e comediantes de cabaré, sendo que o seu pai era alcoólico e a sua mãe sofria de problemas mentais, tendo sido internada. Chaplin e o seu irmão Sidney foram levados para um orfanato. Mas as suas vidas mudam quando viajam para a América do Norte e Chaplin descobre o cinema. O próprio percurso da imagem em movimento mudou para sempre quando esta conhece Chaplin, o cineasta do corpo, do humano. A sua vida pessoal ficou marcada por várias polémicas, desde a política (acusado de ser comunista), à religião (acusado de ser judeu). No entanto, Chaplin nunca negou nada. Casou quatro vezes e teve onze filhos.

Chaplin, que recebeu o Óscar Honorário em 1972, realizou filmes como “O Garoto de Charlot” (1921), “O Circo” (1928), “Luzes da Cidade” (1931), “Tempos Modernos” (1936), “O Grande Ditador” (1946) e “Luzes da Ribalta” (1952). Este foi o último filme realizado em Hollywood, pois Chaplin ficou proibido de entrar nos EUA pelo FBI de J. Edgar Hoover, que o acusava de ser um simpatizante comunista. Chaplin passou a viver exilado dos Estados Unidos, passando a viver o resto da sua vida na Suíça.

Na data do seu aniversário, sugerimos a visualização das suas curtas-metragens, que podem ser vistas de forma legal e gratuita online, pois toda a sua obra, de 1914 a 1918, encontra-se em domínio público. O site Public Domain Movie está recheado de filmes no domínio público e conta com mais de 50 filmes de Chaplin aqui.

O site oficial de Charlie Chaplin, gerido pela The Chaplin Office (que representa todos os direitos de autor da obra de Chaplin, juntamente com a sua família) tem um canal no YouTube com centenas de vídeos de arquivo raro dos seus filmes, da família, dos bastidores, das suas bandas sonoras e muito mais.

Em 2019, a propósito dos 130 anos do seu nascimento, foi criado o Charlie Chaplin Archive, um arquivo online que reúne mais de 75 anos de carreira do realizador, ator, produtor, argumentista e compositor (ler artigo aqui).

Chaplin foi o mais amado e também o mais odiado. O seu nome é grande, a sua obra é eterna. Sempre que vemos um filme seu, este ensina-nos a sermos um pouco mais felizes, a sorrir e a ter esperança. Chaplin nunca desistiu e sempre lutou por um mundo melhor. Parabéns Chaplin pelos maravilhosos 131 anos.