“Guardiãs do Nascimento”, primeiro documentário português sobre parto humanizado será apresentado a 26 de abril, na 9.ª edição do Porto Femme – Festival Internacional de Cinema, no Porto. A exibição está marcada para as 17h15, no Batalha Centro de Cinema, no Porto.
O filme tem a duração de 68 minutos e explora a realidade do parto humanizado, empoderado, informado e consciente. Realizado por Francisca Marvão, com direção de produção de Diana Martins, o documentário convida à reflexão sobre o nascimento, à partilha de conhecimentos e histórias, e ao diálogo sobre como se nasce em Portugal.
Francisca Marvão sublinha a dificuldade no acesso à informação, sem a qual não é possível tomar decisões, consentir ou ter uma postura ativa nos processos de gravidez e parto. A realizadora defende ainda a importância de gerar um espaço de reflexão e partilha sobre os processos de pré-gestação, gravidez, parto e pós-parto e dos direitos das mulheres e pessoas grávidas.
Com ideia original de Cinthia Matos e Laylla Coelho, consultoras de conteúdos do filme, o objetivo é dar a conhecer práticas e profissionais ligados ao parto humanizado em Portugal. O filme inclui testemunhos de doulas, parteiras, profissionais de saúde e famílias, com relatos de diferentes gerações e geografias. Esta é uma produção da associação Uma Ova, com coprodução do Espaço Nascer.
Francisca Marvão conta como foi contactada, ainda durante o período da pandemia, por Cinthia Matos e Laylla Coelho, duas doulas que têm desenvolvido o seu trabalho em torno de uma abordagem humanizada, positiva, informada, empoderada e consciente. Cinthia e Laylla alertavam para os relatos sobre violência obstétrica que se multiplicavam nessa altura em Portugal e para a importância da criação de um objeto que espelhasse essa realidade mas que, acima de tudo, pudesse combater a cultura do medo que se estava a instalar, sublinhando a falta de produção artística e cinematográfica acerca da mesma.
A realizadora refere ainda que se tornou urgente descobrir mais sobre a forma como nascemos em Portugal e sobre o trabalho dos vários profissionais de saúde que defendem uma aproximação mais humanizada e positiva ao tema – entre obstetras, enfermeiras, parteiras e doulas -, em oposição aos relatos frequentes de violência obstétrica e de experiências traumáticas.
Numa segunda fase, pareceu-me relevante procurar famílias, de várias gerações e geografias, para que partilhassem os seus relatos pessoais, de forma a proporcionar múltiplas amplitudes à narrativa deste filme. Quais os maiores medos durante a gravidez? Qual a importância da preparação do pós-parto? Que memórias trazemos destes momentos? A maneira como nascemos reverbera em nós ao longo da vida? Como é que a experiência da maternidade ecoa em cada pessoa?
Como no meu documentário anterior, o que pretendo neste filme é explorar a relação entre o visível e o invisível, amplificar vozes e espaços de fala, criar novas redes, encontros, partilhas e, eventualmente, alguma inquietação e desconforto no desejo de conhecer diferentes perspetivas. Quando nos sentimos confortáveis torna-se mais difícil sair dos nossos lugares e gerar mudança.
Francisca Marvão é realizadora, formada em Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia pela Universidade Lusófona. O seu trabalho em documentário centra-se na memória, na identidade e nas formas de resistência. Em 2017, estreou a curta-metragem “O Descanso na Intensidade das Cores” no Doclisboa e, em 2019, estreou a sua primeira longa-metragem, “Ela é uma Música”, sobre as mulheres e o rock em Portugal, no IndieLisboa. Concluiu recentemente os filmes “Guardiãs do Nascimento”, com estreia no Porto Femme 2026 e “Quem tem medo de Zurita de Oliveira?”, que vai estrear no IndieLisboa 2026. Em 2023, co-fundou a Uma Ova – Associação Cultural com Diana Martins, onde desenvolve projetos transdisciplinares.
Após a estreia, o documentário inicia uma tour nacional e internacional. As datas serão anunciadas em breve.

