O filme português de animação “Lúcido”, de Vier, terá estreia mundial no 79.º Festival de Cinema de Cannes, integrando a secção paralela Competição Imersiva. Descrito como uma experiência de realidade virtual, é produzida pela cooperativa de animação Cola Animation (Bruno Caetano e Susana Miguel António).
De acordo com a organização do Festival, no comunicado emitido, serão nove os trabalhos a concurso, provenientes de oito países. Esta é a terceira vez que será entregue o prémio desta secção e integra desde projeção de vídeo em larga escala até trabalhos de realidade virtual e demonstra a vitalidade de uma forma de arte em constante evolução. A Competição Imersiva colocará em prática este ano uma especificidade técnica que permite experiências colectivas até um total de 200 participantes.
“Lúcido” é uma narrativa interativa em realidade virtual que acompanha Gil, um jovem que aprende a controlar os seus sonhos com a ajuda do namorado. A obra explora a lucidez, escapismo, perda e família escolhida.
De acordo com o sítio de Vier, os espaços de “Lúcido” tiveram origem numa tentativa de traduzir a minha prática visual para a realidade virtual. Imagens duplas marcam momentos de transição entre sonhos normais e sonhos lúcidos. Numa imagem dupla estática, duas realidades coexistem em simultâneo. Em “Lúcido”, estas imagens adquirem movimento e tridimensionalidade.
Com música de Filipe Raposo, e vozes de Tadeu Faustino e Rafael Gomes, na versão portuguesa, e de Joshua Dowden e José Maria Forjaz, na versão inglesa, “Lúcido” faz parte da The Dream Anthology e nasce de uma colaboração entre seis estúdios: Cola Animation (Portugal), Delirium XR (Brasil), Dinamita Animación (Colômbia), Studio Kimchi (Espanha), Robin Studio (Italia) e Ouros Animation (Dinamarca) – que visa promover experiências originais de realidade virtual.
A Cola Animation é uma cooperativa internacional de produção especializada em dar vida a trabalhos de alta qualidade nascidos de técnicas de animação diversas.
Vier é ume artista multidisciplinar que trabalha nas áreas da animação, da pintura e dos meios imersivos. De acordo com o sítio da Cola Animation, move-se na conceção de mundos interativos focados na perceção, transformação, linguagem e história queer.
Vier é ainda realizadore da curta-metragem “A Dança dos Fanchonos”, atualmente em produção e o seu próximo projeto, passado durante a ditadura portuguesa, quando ser queer era um crime punível pela lei, considerado uma doença e condenado pela sociedade. O projeto conta com banda sonora dos Fado Bicha.
Vier tem no seu currículo também a curta-metragem “A Mind Sang / A Mãe de Sangue”, um filme sobre perceção, renascimento e transformação.

