“18 Buracos para o Paraíso”, o novo filme do realizador João Nuno Pinto, chega às salas de cinema a 10 de junho, com acesso a audiodescrição e legendas descritivas, numa aposta clara na inclusão e acessibilidade cultural.
Num Alentejo sufocado pela seca e à beira do colapso, três mulheres — Margarida Marinho, Beatriz Batarda e Rita Cabaço — veem o seu destino cruzar-se numa herdade prestes a desaparecer.
Durante um verão de calor extremo, uma família prepara-se para vender as terras herdadas do pai, situadas no interior sul de Portugal, numa região profundamente marcada pela seca e pela pressão da especulação imobiliária. A vida das irmãs Francisca e Catarina, assim como a de Susana, filha da empregada da herdade, está intimamente ligada ao destino daquele lugar e marcada por uma herança de poder patriarcal.
À medida que a venda da propriedade se aproxima, tensões sociais, afetivas e familiares começam a emergir entre os proprietários e os trabalhadores da herdade. Quando um incêndio cerca a região e impede todos de sair, as personagens são forçadas a confrontar traumas de um passado comum e a encarar um futuro cada vez mais incerto.
Contado a partir de três perspetivas femininas distintas, “18 Buracos para o Paraíso” oferece diferentes leituras sobre os mesmos acontecimentos e revela conflitos geracionais, relações de poder e sentimentos de pertença constantemente postos à prova. Num território ameaçado pelo fogo e pelo abandono, cresce um retrato íntimo e social marcado pela fragilidade dos vínculos humanos.
A obra cinematográfica nasce de uma inquietação em torno da crise ambiental contemporânea, abordada como uma realidade já instalada no quotidiano. A ligação do realizador ao Alentejo, onde viveu há uns anos, sustenta um olhar próximo sobre fenómenos como a seca prolongada, a desertificação e as transformações impulsionadas pelo turismo e pela valorização imobiliária.
Para João Nuno Pinto, esta é, na sua essência, uma história sobre o fogo, tanto literal como metafórico, nascido de um pensamento predatório, uma forma de ver o mundo que continua a dominar e a empurrar-nos em direção ao abismo.
Produzido pela Wonder Maria Filmes, com distribuição pela NOS Audiovisuais, o filme é o primeiro filme português a receber a certificação Green Film, que distingue produções ambientalmente responsáveis.
“18 Buracos para o Paraíso” estreia a 10 de junho, e contará, em sala, com audiodescrição e legendas descritivas promovidas pela AMPLA – Associação de Mediação Cultural e Artística, permitindo o acesso da obra a pessoas cegas ou com baixa visão, bem como a pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

