Entre 15 e 17 de maio, a 3.ª edição da Arte Pela Palestina regressa a Lisboa e transforma a Casa do Comum num espaço de encontro, memória e ação. Durante três dias, a cidade volta a afirmar-se como território de solidariedade ativa com o povo palestiniano, reunindo artistas portugueses, palestinianos e de outras nacionalidades numa programação intensa que cruza música, cinema, exposições, oficinas e conversas.
A escolha do mês não é aleatória: trata-se de um tributo aos refugiados palestinianos, cujas histórias atravessam gerações e fronteiras, encontrando na arte um refúgio e uma forma de expressão.
Durante todo o mês, a Arte Pela Palestina ocupará palcos e salas de espetáculo em três cidades. No Porto, a Mala Voadora abriu as suas portas nos dias 1 e 2 de maio, seguida pelo Cinema Passos Manuel, a 3 de maio. Em Braga, o festival encontra morada no Juno Bar, onde se realizou nos dias 9 e 10 de maio. Lisboa, por sua vez, volta a receber o evento na Casa do Comum, mantendo a tradição.
As portas da Casa do Comum abrem-se para diversas exposições: o Leilão Solidário Arte Pela Palestina, os Ilustradores pela Paz na Palestina, a Montanha de Azeitonas e, ainda Skateboarding is not a crime. Genocide is.
No cinema, as sessões vão desde o “Filme Pela Palestina”, um cadáver esquisito audiovisual criado por cineastas e artistas portugueses, ao documentário “Tantura”, de Alon Schwarz, à coleção de curtas “From Ground Zero”, realizadas em Gaza. Exibem-se também “Arna’s Children”, “The Teacher”, “Gaza.mp4”, “Palestina Animada”, e “R21 aka Restoring Solidarity”, acompanhadas por momentos de reflexão e conversa com Jamila Al-Yousef, Samira Badran, Fuad Halwani ou Mohanad El Masri.
A música assume várias formas e origens: concertos acústicos com Samy Zegh, Hala Hamdan e Joana Guerra & Helena Espvall; mini-concertos de Jamila Al-Yousef, Sahida Apsara & DubFX e Fungo; DJ sets e live acts com artistas como Fluido, Sibson, Mamma Tehrani e Maria Callapez e Selvikei. Destacam-se ainda a atuação do grupo Handala Dabke com dança tradicional palestiniana e o concerto Música e Resistência com o Trio Jacob.
Também o teatro e a performance marcam presença, com propostas de Mariana Tengner Barros, Joana Craveiro e leituras poéticas com Cáudia Semedo, Lila Vivo, Mia Meneses, Siobhan Fernandes e Teresa Coutinho.
No espaço Famílias convida-se à participação intergeracional através de oficinas de origami (Tiago Robalo), serigrafia (Mosca Estúdio), stickers & pins (As Sentadas), pintura de pedras mágicas (Lara Aladina) e leitura de contos para crianças por Jorge Serafim.
As conversas e rodas de leitura estendem-se ao longo de toda a programação, incluindo sessões sobre a música palestiniana, atos de resistência em Portugal, vigílias e rodas de poesia com figuras como Shahd Wadi, João Mineiro, Joana Seixas, Ana Brandão e muitos outros. A ilustração como ferramenta de resistência estará, também, em foco num debate que reunirá artistas da exposição e membros do MPPM.
Um leilão solidário será realizado online, permitindo que todos possam contribuir. A partir de 1 de maio, as peças estarão disponíveis para licitação até à meia-noite de 17 de maio, oferecendo uma oportunidade para transformar arte em apoio concreto.
A Arte Pela Palestina conta com o apoio de diversos coletivos e associações que defendem a justiça e a paz para o povo palestiniano. O evento é realizado em colaboração com o Colectivo Pela Libertação da Palestina, os Judeus Pela Paz e Justiça, o MPPM (Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente), os Parents For Peace e a PUSP (Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina).
Com entrada livre e apelo a donativo solidário, esta edição volta a afirmar a cultura como uma forma poderosa de resistência, juntando, mais uma vez, a cidade de Lisboa ao grito global por uma Palestina livre, digna e segura.

