Não é ficção, é real. A grande maioria das salas de cinema de todo o país apagou os seus ecrãs face à situação da pandemia COVID-19. Não há memória de um cenário idêntico a este, em que nenhum projetor esteja a trabalhar. Ecrãs apagados, cinemas vazios, o cinema não “existe”.

Inicialmente a maioria das salas tinham comunicado que iam adotar medidas adicionais de prevenção para conter a propagação do Covid-19, como reduzir a venda de bilhetes e reforçar a limpeza das áreas de contacto manual e desinfeção regular de todos os espaços. No entanto, com o aumento do número de pessoas infetadas em Portugal, foram encerrando, sala a sala, os cinemas portugueses.

Com o anúncio do encerramento dos Cinemas NOS, a maior cadeia de salas de cinema em Portugal, confirma-se que restam muito poucas salas de cinema abertas no país. Até ao momento já fecharam as salas do Algarcine Cinemas, UCI Cinemas, Castello Lopes Cinemas, Cinema City, Cinemas Cinemax, Cineplace Cinemas, Cinema da Villa, e os Cinemas Medeia. Nos últimos dias, também os cinemas independentes, Cinema Trindade (Porto), Cinema Ideal (Lisboa), o Espaço Nimas (Lisboa), a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e todos os Cineclubes, já tinham encerrado. Também outros espaços culturais com programação de cinema suspenderam a sua atividade, como o Teatro Campo Alegre e Teatro Rivoli, no Porto, ou o Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra. Todos eles suspenderam toda a sua programação e atividades por tempo indeterminado. Todas as estreias foram suspensas ou adiadas.

De acordo com os dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), a rede portuguesa de exibição comercial de cinema conta com 535 salas, o que equivale a cerca de 99 361 lugares. Segundo o ICA, a NOS Cinemas é a maior exibidora nacional, com 219 salas em todo o país, o que representa 40,9% do total de ecrãs. Seguem-se Cineplace (85 salas), NLC Cinema City (46 salas), UCI (45 salas), Socorama (31 salas) e Algarcine (8 salas).

O ICA começou a partir de hoje a modalidade de teletrabalho. “Neste período, o Instituto mantém-se, no entanto, em funcionamento, com recurso ao referido trabalho remoto. Até notificação em contrário, mantêm-se as datas previstas de fecho dos concursos de apoio financeiro, sendo devidamente comunicadas quaisquer alterações que venham a ocorrer.”

É o momento para ficar em casa. O cinema vai entrar pelos pequenos ecrãs, pela televisão, pelo computador, pelo telemóvel e tablet. É na televisão, nos DVD, na internet e nos serviços de streaming que o público vai tentar manter contacto com o cinema. São muitas as opções legais para aceder a filmes, desde filmes gratuitos em domínio público no Youtube, a programação de canais temáticos (como os Canais TVCine, a FOX Movies, o NOS Studios ou o Canal Hollywood) a serviços de streaming como a Netflix, Filmin, HBO ou MUBI.

O Covid-19 afastou os espectadores portugueses. Os cinemas portugueses estão às moscas, resultando assim nos piores números das últimas décadas nas salas portuguesas. Segundo avançou o site FilmSpot: “entre quinta e domingo, foram menos de nove mil as pessoas que compraram bilhete para ver um filme nas salas de cinema em Portugal. Uma quebra de 95% em comparação com o fim de semana anterior. Num fim de semana normal, a afluência facilmente atinge as 120 ou 150 mil pessoas”.

Em janeiro e fevereiro de 2020 registou-se um aumento do número de espectadores e um crescimento da receita bruta nas salas portuguesas. No entanto, o encerramento das salas de cinema pode levar a uma quebra nos números e a uma crise em todo o setor.

Todos os cinemas da Estónia, França, Grécia, Itália, Polónia e Espanha encontram-se fechados.

Acompanha aqui todas as estreias de filmes, festivais e eventos cinematográficos cancelados até ao momento.

Artigo atualizado no dia 18 de março, às 11h40