Festival Olhares do Mediterrâneo 2022: Sete dias de cinema e uma viagem ao Líbano

A 9.ª edição do Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival, a decorrer entre 14 e 20 de novembro, o único festival dedicado à cinematografia da bacia do Mediterrâneo, apresenta 52 filmes, a maioria dos quais em estreia nacional, produzidos em 26 países, e tem como foco uma viagem de 50 anos no cinema do Líbano, país convidado desta edição.

São sete dias de cinema, divididos entre a Cinemateca Portuguesa (14-16 de novembro), com uma programação dedicada exclusivamente aos filmes de realizadoras libanesas, e o Cinema São Jorge (17-20 de novembro), onde dará espaço, como é sua tradição e missão, à produção cinematográfica de mulheres oriundas de todos os países do Mediterrâneo ou que nesses países trabalham.

A cinematografia do Líbano é o foco desta edição, com a seleção Olhares do Líbano, na Cinemateca Portuguesa, onde serão apresentadas quatro longas-metragens (ficção e documentário) e duas curtas, e continua a seguir no Cinema São Jorge com mais um documentário e duas curtas-metragens, por um total de nove obras.

Realizada em colaboração com o Beirut International Women Film Festival / Beirut Film Society, esta retrospectiva tem por objectivo apresentar uma selecção de filmes (documentários, ficções, curtas) de realizadoras libanesas produzidos entre 1974 e 2021, de forma a oferecer ao público lisboeta um vislumbre sobre uma das cinematografias mais ricas do Médio Oriente.”

O filme de abertura é “Murina” (2021), a primeira longa-metragem da realizadora croata Antoneta Alamat Kusijanovic, uma co-produção Croácia, Brasil, EUA e Eslovénia, que conta com Martin Scorsese entre os produtores executivos.

Vencedor da Câmara de Ouro como melhor primeira obra no Festival de Cannes 2021, o filme é uma obra tensa, onde a luz e a escuridão lutam para se impor no ecrã, e a violência está sempre prestes a explodir. Julija é uma adolescente inquieta que vive com um pai opressivo, Ante, e uma mãe submissa, Nela, numa ilha paradisíaca na costa croata. Quando recebem uma visita de um velho amigo de família com o qual Ante espera fechar um negócio, a tensão explode e o machismo que define as dinâmicas da família e da comunidade é revelado em todas as suas manifestações. Durante um fim-de-semana assombrado pelo desejo e a raiva, Julija, como explica a realizadora: ‘desafia o poder do pai e, como uma moreia que é capaz de se morder a si própria para se libertar dos pescadores, recusa seguir o caminho que os outros têm definido por ela’.”

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“Under the Fig Trees” (2022), da realizadora franco-tunisina Erige Sehiri, é uma co-produção Tunísia, França, Suíça, Alemanha, Catar.

“Under the Fig Trees” (2022), da realizadora franco-tunisina Erige Sehiri, estreado na Quinzena dos Realizadores em Cannes 2022, será exibido na sessão de encerramento, no dia 20 de novembro.

“Filmado ao longo de um dia, desde a madrugada até ao pôr do Sol, retrata um grupo de raparigas e rapazes que trabalham na colheita de Verão. Cada um tem a sua histórias, as suas ambições, as suas mágoas. Enquanto deambulam entre as figueiras, desenvolvem um diálogo polifónico contínuo, que é ao mesmo tempo pessoal – explorando os seus sentimentos e namorando – e político, porque refletem e se confrontam sobre a falta de oportunidades e liberdade das jovens mulheres, que procuram vias de fuga do meio rural e da organização social tunisina que as oprime.”

A presença portuguesa nesta 9.ª edição dos Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival conta com diversas curtas-metragens, que incluem obras de realizadoras experientes como Madrugada” (2022), de Leonor Noivo, e de jovens no início da carreira que concorrem na secção Começar a Olhar – Filmes de Escola: Hysteria” (2021), de Luísa Campino; Mesa Posta” (2022), de Beatriz de Sousa; Vergôntea” (2022), de Sara Carregado. Estes filmes, juntamente com O Maravilhoso Mundo de Miguel” (2021), de Ghada Fikri, co-produção Portugal, Hungria, Bélgica, concorrem para o recém instituído Prémio INATEL para melhor filme de escola português.

Ana Cabral Martins (programadora), Fátima Chinita (professora de cinema) e Joana Silva de Sousa (produtora e programadora), constituem o júri da Melhor Curta-Metragem. Aline Flor (jornalista), Inês Lourenço (crítica de cinema) e Giulia Daniele (investigadora) constituem o júri do Prémio Travessias. Andrea Gonçalves (distribuidora), Mónica Baptista (professora de cinema) e Pedro Miguel Silva (programador cultural), constituem o júri do Prémio Começar a Olhar – Filmes de Escola.

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“Recusando a versão colonial e masculina da História, Leila viaja pelo tempo e o espaço de 80 anos de História do Médio Oriente. Desde o Mandato Britânico até à Guerra Civil Libanesa, revelando o papel escondido das mulheres…e apercebe-se de que o Patriarcado também oprime os homens!”

Destaque ainda para dois filmes da realizadora libanesa Heiny Srour, a serem exibidos na Cinemateca Portuguesa, apresentados por Sam Lahoud, diretor do Beirut International Women Film Festival: “The Hour of Liberation Has Arrived” (1974) e Leila and the Wolves” (1984), duas obras extraordinárias e fortemente políticas.

“The Hour of Liberation Has Arrived” (1974), “primeiro filme de uma cineasta árabe a ser exibido no Festival de Cannes e distribuído mundialmente – realizado em condições extremamente precárias, transportando a câmara a pé no deserto por centenas de quilómetros –  é o único testemunho existente da “Zona Libertada” de Dhofar, no Sultanato de Omã, que nos anos 70 foi o lugar de uma experiência social radical, democrática e feminista, que visava a libertar o povo dos colonizadores britânicos e do emir local.”

“Leila and the Wolves” (1984) “combina encenações, material de arquivo e sequências fiabescas para revelar o papel invisibilizado das mulheres palestinas e das libanesas nas lutas políticas no Médio Oriente ao longo do século XX. Filmado durante 7 anos em condições muitas vezes perigosas, este documentário, para além de afirmar o papel das mulheres nas revoluções, é também uma reflexão sobre o trabalho de documentarista e sobre representação.”

Na edição 2022, Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival contará ainda com uma série de atividades paralelas que incluem sessões para famílias e escolas, música, debates, masterclasses, workshops para adultos e crianças. O Festival é um projeto do grupo Olhares do Mediterrâneo e do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia).

Olhares do Líbano
A Civilized People, de Randa Chahal (1999)
Barakat, de Manon Nammour (2020)
Beirut: Eye of the Storm, de Mai Masri (2021)
Leila and the Wolves, de
Heiny Srour (1984)
Roadblock, de
Dahlia Nemlich (2020)
Scheherazade’s Diary, de Zeina Daccache (2013)
The Hour of Liberation Has Arrived, de Heiny Srour (1974)
Then Came Dark, de Marie-Rose Osta (2021)
Warsha, de Dania Bdeir (2021)

Mostra Longas-Metragens
Murina, de Antoneta Alamat Kusijanović (2021)
Under the Fig Trees, de Erige Sehiri (2022)
Ary, de Daniela Guerra (2021)
I’Ill go to Hell, de Ismahane Lahmar (2021)
The Consequences, de Claudia Pinto (2021)
The Eden, de
Beatrice Baldacci (2021)

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Fonte: Olhares do Mediterrâneo

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