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A SOLIDÃO

Quando amanhã me ligares, provavelmente será
o atendedor de chamadas quem te vai responder.
Não estou, não percas tempo, eu nunca vou estar.
Sou assim, talvez, um ser moribundo que gosta de foder.

Julguei que a cura estava nas tuas pernas, ou nos teus
gemidos, mas quando me beijaste eu soube que tinha
de sair daí. O problema é que eu nunca soube ficar.
Por que quereria alguém ficar? Não me leves a mal,
mas não há nada em ti que me faça rir. Aliás, não há nada
em ninguém. Não há ninguém. Não me lembro de haver alguém.

A cidade é grande e o barulho preenche os possíveis vazios,
mas em mim tudo é deserto. Quero sempre só mais uma noite,
tua ou de outra qualquer, e talvez assim me sinta vivo.
Enquanto espero, corro.

Tudo é azul, azul celeste.
Sem céu, porém.

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* a partir do filme “Shame”, de Steve Mcqueen

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