Larry Kramer, autor, dramaturgo, argumentista e ativista conhecido pela peça “Um Coração Normal” e pelo seu trabalho de ativismo sobre o HIV/AIDS, morreu aos 84 anos. Foi um dos rostos associados aos primeiros casos de VIH/AIDS e a sua voz foi importante na consciencialização do vírus e na redução do estigma associado às pessoas seropositivas. O marido de Kramer, David Webster, confirmou a notícia ao The New York Times, citando a pneumonia como a causa da morte. Kramer sofria de várias doenças, era seropositivo e também se submeteu a um transplante de fígado em 2001.

Nascido a 25 de junho de 1935, em Bridgeport, no Connecticut, Kramer formou-se na Universidade de Yale, em 1957, e depois alistou-se no exército. Fez uma incursão pelo cinema e trabalhou, em Londres, nos argumentos de “Dr. Fantástico” e “Lawrence da Arábia”. Era conhecido como um argumentista provocador e, em 1971, foi nomeado ao Óscar pela sua adaptação do romance de D.H. Lawrence, “Mulheres Apaixonadas”. Em seguida, Kramer começou a escrever sobre a homossexualidade e, em 1978, publicou seu primeiro romance, Faggots. No cinema, escreveu ainda o argumento do musical “Horizonte Perdido” (1973).

Foi durante o início da epidemia da SIDA, no início da década de 1980, que Kramer se tornou um ativista mais ativo e “feroz”, tendo sido “um dos primeiros e mais vocais defensores da pesquisa da SIDA, do acesso ao tratamento e do reconhecimento institucional da comunidade gay tão duramente atingida pela doença”. Kramer foi uma das primeiras pessoas a reconhecer que a SIDA era uma doença letal que poderia propagar-se e matar milhões de pessoas no mundo, não importando o seu género.

Em 1987, fundou a ACT UP (Aids Coalition to Unleash Power), com a qual liderou manifestações e grandes ações, como invasões surpresa a repartições públicas, à Bolsa de Nova Iorque e até à igreja de St. Patrick durante missas, para tentar convencer líderes americanos a combaterem a doença.

Escreveu a peça “Um Coração Normal”, que condenava a falta de ação de dirigentes frente à SIDA e que recebeu três prémios Tony em 2011, antes de ser adaptada para o cinema. Em 2014, “Um Coração Normal” foi transformado em telefilme por Ryan Murphy. Mark Ruffalo, Jonathan Groff, Julia Roberts, Taylor Kitsch, Matt Bomer e Alfred Molina formaram o elenco deste filme, que venceu um Globo de Ouro e dois Emmys (incluindo o de melhor telefilme).

Nestes últimos meses, segundo explicou ao jornal The New York Times, Kramer estaria a trabalhar numa peça de teatro que tinha a pandemia do novo coronavírus como pano de fundo: “É sobre as pessoas gay que têm de viver ao longo das epidemias.”