“Narciso”, de Marcelo Martinessi, coprodução portuguesa, ganhou o prémio Fipresci da Secção Panorama na 76.ª edição da Berlinale

“Narciso” é uma coprodução da Oublaum Filmes
"Narciso", de Marcelo Martinessi Berlinale Panorama "Narciso", de Marcelo Martinessi Berlinale Panorama

“Narciso”, realizado por Marcelo Martinessi, teve a sua estreia mundial na Berlinale – Festival Internacional de Cinema de Berlim, secção Panorama, e venceu agora o prémio Fipresci da Secção Panorama.

O filme é uma coprodução do Paraguai, Alemanha, Uruguai, Brasil, Espanha e Portugal, com participação da Oublaum Filmes. Inspirado em acontecimentos reais ocorridos no Paraguai, no final da década de 1950, o filme aborda o impacto da ditadura de Alfredo Stroessner, através da ascensão e queda de um animador da rádio.

Passado em Assunção, em 1958, “Narciso” mergulha num momento decisivo da história paraguaia. A narrativa parte da figura carismática de Narciso Arévalos, um locutor de rádio de rock ’n’ roll cujo magnetismo perturba uma cidade que começa a afundar-se na escuridão. Quando o seu corpo é encontrado sem vida, amarrado à própria cama, o crime desencadeia uma teia de revelações, expondo desejos reprimidos, rivalidades e ambições ocultas. À medida que a tensão cresce, o filme constrói um retrato inquietante de amor, ciúme e das sombras densas da opressão política.

Inspirado no romance homónimo, o filme não se limita à reconstituição de um crime real que marcou a sociedade paraguaia, mas propõe um olhar mais amplo e simbólico sobre uma nação confrontada com o seu próprio reflexo. Como sublinha Marcelo Martinessi, trata-se de uma história sem heróis, povoada por personagens à deriva, dilaceradas entre o desejo e o medo, num país que aprende lentamente a viver na penumbra.

A estreia de “Narciso” marca também um momento particularmente significativo para a Oublaum Filmes, que vê o seu quinto filme apresentado na Berlinale nos últimos anos, depois de “Terra que Marca” de Raul Domingues, “Águas do Pastaza” de Inês T. Alves, “Tomorrow is a Long Time” de Jow Zhi Wei e “La Memoria de las Mariposas” de Tatiana Fuentes Sadowski, que recebeu uma menção especial para Melhor Documentário na edição do ano passado e ainda o Prémio Fipresci para Melhor Filme da secção Forum.