A 11ª edição do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço começa esta segunda-feira, 28, e prolonga-se até ao próximo dia 3 de agosto. O Festival volta a lançar um olhar sobre o mundo a partir da vila minhota, onde as grandes questões do nosso tempo se cruzam com o olhar do cinema do real.
São trinta e três filmes que competem aos prémios Jean-Loup Passek, D. Quixote (FICC) e, pela primeira vez, ao FIPRESCI Prize, atribuído pela Federação Internacional de Críticos de Cinema. Durante a semana que se avizinha, a 11ª edição do MDOC Melgaço irá exibir 33 documentários de 23 países, cruzando geografias, histórias e temáticas atuais que convidam à reflexão.
A 3 de agosto tem lugar a estreia nacional de “O Homem do Cinema”, de José Vieira, que presta tributo à vida e legado cinéfilo do impulsionador do Museu de Cinema de Melgaço, Jean-Loup Passek, que assinala este ano o 20º aniversário. O filme será exibido na Torre do Castelo de Melgaço, às 22 horas. A estreia mundial aconteceu no FEMA – Festival La Rochelle Cinéma, a 1 de julho.
Dos mais de 800 filmes submetidos foram selecionadas 16 curtas e médias-metragens e 17 longas-metragens. Todos os filmes internacionais em competição são estreias em Portugal. Concorrem documentários de Espanha, Estados Unidos, China, Canadá, República Checa, França, Síria, Países Baixos, Líbano, Ucrânia, Dinamarca, Irlanda, Alemanha, Irão, Suécia, Lesoto, Catar, Arábia Saudita, Egito, Polónia, Geórgia e Iraque (além de Portugal).
O tema — Identidade, Memória e Fronteira — atravessa a totalidade dos filmes em competição, assumindo uma expressão particularmente atual e diversificada.
O Festival volta a integrar, este ano, uma secção competitiva e a apostar nas residências artísticas. Haverá ainda espaço para a oficina de cinema com Margarida Cardoso; uma masterclass com Sandra Ruesga; o X-RAY DOC com Jorge Campos sobre duas obras incontornáveis de Chris Marker e Joris Ivens, entre outras atividades.
Há muito para ver e também várias secções que convocam à criação como é o caso do FORA DE CAMPO / Curso de Verão, espaço de participação e interferência que envolve agentes culturais, investigadores, artistas e realizadores. O tema central é Cinema e Território, com abordagens diferenciadas sobre o mundo em constante transformação.
Conta este ano com a colaboração da DOCMA, Associación Española de Cine Documental, representada por realizadores como Sandra Ruesga, Raúl Alaejos e Alfonso Palazón. Do programa constam abordagens sobre cinema indígena / cinema local; Caravanas Farkas – identidade coletiva do nordeste no centenário de Thomaz Farkas (referenciado fotógrafo e cineasta brasileiro); Pirenópolis, a guardiã das águas, entre outros temáticas. A coordenação geral é de José da Silva Ribeiro (Universidade Federal de Pernambuco / AO NORTE) e de Alfonso Palazón Meseguer (Universidad Rey Juan Carlos – URJC).
Uma das secções mais relevantes do MDOC são as Residências do PLANO FRONTAL, orientadas por Pedro Sena Nunes. A nova Residência Cinematográfica para jovens realizadores, finalistas e recém-licenciados do Ensino Superior nas áreas de Cinema, Audiovisuais e Comunicação decorre entre 25 de julho e 3 de agosto. Esta residência representa uma oportunidade única para jovens cineastas desenvolverem um projeto documental em contexto real e abre o festival com a inauguração das exposições de fotografia e a estreia dos filmes decorrentes d trabalho desenvolvido no âmbito da residência de 2024.
Quatro equipas, compostas por três elementos cada, serão desafiadas a realizar documentários sobre temas locais, contribuindo para o arquivo audiovisual de Melgaço e para a valorização do património imaterial da região.
A Residência Fotográfica propõe a três jovens o desenvolvimento de um projeto fotográfico durante dez dias num contexto imersivo, com o apoio de uma equipa dedicada e envolvimento direto no território. Cada fotógrafo selecionado beneficiará de uma bolsa individual de 2.000€.
A 11ª edição do MDOC volta a ter a Oficina de Cinema, entre 28 a 31 de julho. A realizadora convidada será Margarida Cardoso que irá partilhar métodos e experiências entre documentário e ficção. Este é um espaço de aprendizagem, escuta e experimentação prática, onde os participantes serão convidados a desenvolver ideias de filmes a partir de exercícios criativos e referências visuais e literárias.
A 1 de agosto, a Casa da Cultura de Melgaço recebe Sandra Ruesga para uma Masterclass, “Explorar o Eu: Cinema Auto-referencial e Identidade na Obra de Sandra Ruesga”. A cineasta espanhola propõe uma imersão profunda no seu universo criativo, cuja obra se destaca pela fusão entre o pessoal e o político, o íntimo e o coletivo.
No mesmo espaço, a 3 de agosto, acontece mais uma sessão de X-RAYDOC, um espaço de reflexão e análise de filmes essenciais à História do Documentário. Com coordenação de Jorge Campos, esta sessão propõe o visionamento e a discussão de dois clássicos do cinema documental: “Lettre de Sibérie” (França, 1957, 67’) de Chris Marker; e “…À Valparaíso” (Chile/França, 1963, 27’) de Joris Ivens. A entrada é livre sujeita à lotação da sala.
De referir que o MDOC pertence ao coletivo de festivais europeus VIVODOC que promove a circulação e visionamento de documentários europeus. Na edição de 2025, o MDOC acolhe pela primeira vez um encontro com representantes de festivais de documentário, com o intuito de discutir caminhos futuros. Integram esta rede o Majordocs (Maiorca, Espanha), Escales Documentaires (La Rochelle, França), Frontdoc (Aosta, Itália), One World Romania (Bucareste, Roménia) e o MDOC (Melgaço, Portugal).
A Associação AO NORTE, em colaboração com uma equipa multidisciplinar, apresenta em 2025 o projeto “Quem somos os que aqui estamos?”, com foco na freguesia de Alvaredo, concelho de Melgaço. Este projeto convida à escuta e ao olhar atento para as histórias de quem vive, viveu ou sente Alvaredo como parte da sua vida através de registo audiovisual; recolha e digitalização de fotografias de álbuns familiares; exposição fotográfica e publicação do trabalho.
Este trabalho é produzido pela Associação AO NORTE, com organização de Álvaro Domingues e Daniel Maciel, orientação científica de Albertino Gonçalves, produção executiva de Rui Ramos e colaboração de João Gigante.

