“Terra Vil”, de Luis Campos, estreia nas salas de cinema portuguesas a 26 de fevereiro

Com intepretações de Lúcia Moniz, William Cesnek ou Ruben Gomes, “Terra Vil” evoca a tragédia de Entre os Rios, que continua a marcar profundamente as comunidades ribeirinhas do Douro
"Terra Vil", de Luis Campos "Terra Vil", de Luis Campos

“Terra Vil”, realizado por Luis Campos, estreia nas salas de cinema nacionais no próximo 26 de fevereiro. Com William Cesnek, Ruben Gomes e Lúcia Moniz nos principais papéis, o filme tem como pano de fundo as margens do Rio Douro e evoca a tragédia de Entre-os-Rios, que permanece viva na memória coletiva dos portugueses e continua a marcar profundamente as comunidades ribeirinhas desse rio. No dia 4 de março de 2026 assinalam-se os 25 anos sobre a queda da ponte Hintze Ribeiro.

Em “Terra Vil” acompanhamos João, um rapaz de 12 anos que vive com o pai, António, um homem instável que luta contra o alcoolismo. Ao lado, habitam Teresa e as suas filhas adolescentes, Paula e Liliana, figuras centrais no universo afetivo de João. Unidos por uma frágil dinâmica comunitária assente na pesca e venda artesanal de lampreia, estas cinco personagens formam uma espécie de família disfuncional. No entanto, um ano marcado pela seca extrema, pelos efeitos das alterações climáticas e pela crescente instabilidade emocional de António transforma a sobrevivência quotidiana num cenário de tensão insustentável.

O meu objetivo com este filme passa por poder espelhar, na perspetiva de um corpo/personalidade em construção, um dilema moral que possa suscitar uma reflexão sobre as definições de opressão e de masculinidade que derivam de uma sociedade patriarcal e que promovem a condenação da liberdade juvenil e feminina, afirma Luis Campos que apresentou esta sua primeira longa-metragem na Mostra de São Paulo, Tallinn Black Nights Film Festival, Tribeca Festival Lisboa, IndieLisboa – Lisbon Screenings 2025, onde recebeu o Prémio do Júri, entre outros festivais.

“Terra Vil” questiona as noções de masculinidade, opressão, poder patriarcal e violência de género, temas estruturais da sociedade portuguesa contemporânea.