O lendário Steven Spielberg, conquistou neste domingo (01) o prémio de Melhor Filme Musical no Grammy Awards e alcançou o prestigiado estatuto de EGOT, reservado a artistas que já venceram os quatro maiores prémios de entretenimento: Emmy, Grammy, Óscar e Tony. A 68.ª edição da principal premiação da música mundial decorreu em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Spielberg foi premiado por “Music By John Williams”, documentário sobre a vida e a obra do compositor norte-americano, no qual é creditado como um dos produtores. O filme recebeu o prémio de Melhor Filme de 2024, enquanto a categoria “Melhor Música de Filme” foi entregue numa cerimónia não televisionada, marcando o primeiro momento do realizador num evento musical.
Em comunicado, Spielberg destacou a importância do compositor:
“É uma confirmação obviamente muito significativa do que conheço há mais de cinquenta anos: a influência de John Williams na cultura e na música é imensa, e a sua arte e legado são incomparáveis.”
A parceria de Spielberg com John Williams remonta a 1974, no filme “Asfalto Quente“, e prolongou-se por décadas com trabalhos emblemáticos como Jurassic Park, a série Indiana Jones, “E.T. – O Extraterrestre” e “A Lista de Schindler”. Williams anunciou recentemente que se aposentará das bandas sonoras da saga Indiana Jones, preparando-se para colaborar num próximo filme de ficção científica de Spielberg, com estreia prevista para junho.
Ao longo da carreira, Spielberg acumula 13 Emmys por minisséries aclamadas como “Band of Brothers”, “The Pacific” e “Taken”. No cinema, venceu três Óscares: Melhor Realizador e Melhor Filme por “A Lista de Schindler”, e Melhor Realizador por “O Resgate do Soldado Ryan”. No teatro, garantiu o Tony em 2022 como produtor do musical premiado “A Strange Loop”.
Music By John Williams
“Music By John Williams” (2024), realizado e produzido por Laurent Bouzereau, é mais do que um documentário sobre a vida e carreira de um dos maiores compositores do cinema. É uma celebração da música que se tornou inseparável das nossas memórias de filmes, da aventura de Indiana Jones à magia de E.T. e à epopeia de Star Wars. Ao longo de décadas, John Williams imprimiu nas suas melodias uma força quase física, capaz de transformar imagens em emoções que perduram.
O filme mistura imagens de arquivo com entrevistas a realizadores e actores que trabalharam com Williams, incluindo Steven Spielberg, George Lucas, Ron Howard, Chris Columbus, Kate Capshaw, Ke Huy Quan, Kathleen Kennedy, Itzhak Perlman e J.J. Abrams. O que surge é uma visão íntima do compositor, do seu método, das decisões que moldaram algumas das bandas sonoras mais reconhecíveis da história do cinema e da influência que continua a exercer sobre gerações de cineastas e públicos.
Estreado no AFI Fest de 2024 a 23 de outubro, com lançamento limitado e disponibilização na Disney+ a 1 de novembro, o documentário recebeu aclamação unânime da crítica. No Rotten Tomatoes, 100% das 49 críticas foram positivas, descrevendo o filme como uma retrospectiva calorosa de um mestre moderno, um deleite sinfónico para quem ama música no cinema ou simplesmente boa música. No Metacritic, a pontuação de 74 em 100 indica avaliações geralmente favoráveis.
Peter Debruge, da Variety, ressaltou que o filme funciona mais como homenagem do que como documentário tradicional, celebrando o legado de Williams sem se tornar técnico ou pessoal em excesso. Matt Goldberg, do TheWrap, acrescentou que, mesmo desejando um mergulho mais profundo sobre a posição de Williams em relação a outros compositores, a obra continua a ser uma celebração envolvente que desperta o desejo de revisitar as suas trilhas sonoras mais amadas.
O reconhecimento não se limitou à crítica. O documentário conquistou um Primetime Emmy na categoria de edição de som excepcional para um programa de não ficção, o Critics’ Choice Documentary Award de Melhor Documentário Musical e o Cinema Audio Society Award de Melhor Mixagem de Som para um filme documental.

