Escritora Filipa Martins estreia-se na realização com prémio internacional

A exibição do filme “The Reminder” em Portugal está prevista para 23 de abril, no El Corte Inglés Lisboa, numa sessão especial integrada na apresentação do novo romance de Filipa Martins (Quetzal, 2026)
"The Reminder", de Filipa Martins "The Reminder", de Filipa Martins

A escritora e argumentista portuguesa Filipa Martins estreia-se na realização cinematográfica com a curta-metragem “The Reminder”, distinguida como Melhor Realização Feminina em Curta-Metragem na edição de janeiro de 2026 do World Film Festival in Cannes. Antes desta consagração, o filme já tinha sido premiado no Berlin Indie Shorts Festival, onde venceu na categoria de Melhor Curta-Metragem Sem Diálogos (Best Silent Short Film), reconhecimento que sublinha a força de uma narrativa construída a partir do silêncio, da repetição e da contenção emocional.

Realizado no âmbito do programa de Filmmaking da New York Film Academy, “The Reminder” acompanha uma mulher que sofre de perda severa de memória e vive guiada exclusivamente por alarmes e notificações que surgem no seu telemóvel. Cada alerta indica-lhe onde ir, o que fazer e até como se deve sentir, transformando Nova Iorque num mapa emocional que percorre cegamente. Presa num ciclo que se repete semana após semana, atravessa cafés, floristas e ruas apinhadas até chegar sempre ao mesmo destino trágico, numa reflexão sensível sobre memória, esquecimento, luto e identidade.

A curta-metragem é protagonizada pela atriz germano-portuguesa Lia Fietz, com música original do compositor premiado André Carvalho. A montagem é assinada por Micael Espinha, com apoio à produção da Leopardo Filmes. “The Reminder” foi ainda semifinalista nos New York Indie Shorts Awards e nomeado para o Barcelona Indie Festival, entre outros festivais internacionais.

A exibição do filme em Portugal está prevista para 23 de abril (Dia Internacional do Livro), no El Corte Inglés, em Lisboa, numa sessão especial integrada na apresentação do novo romance da autora, com publicação pela Quetzal Editores. A articulação entre cinema e literatura reforça a coerência temática do seu trabalho, centrado na memória, no esquecimento, nas origens e nas narrativas que construímos para sobreviver.

Sobre esta nova etapa, Filipa Martins afirma: Continuo a aprender este estranho e belo alfabeto que é a realização. Venho da palavra escrita, onde tudo acontece no interior da personagem e é audível; no cinema, descobri que o silêncio também é matéria narrativa e que o que fica por dizer pode ter mais peso do que qualquer diálogo.

Nascida em Lisboa, em 1983, Filipa Martins é doutoranda em Estudos Portugueses na NOVA FCSH, autora de vários romances e obras de não-ficção distinguidos — entre eles o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Jovens Criadores, o Prémio Manuel de Boaventura e o Top 3 Livro do Ano Bertrand — e argumentista de cinema e televisão com nomeações aos Prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema e da Sociedade Portuguesa de Autores.