Depois da estreia na última edição do Doclisboa, chega ao cinema no dia 28 de maio “Ali, Aqui”, um filme produzido pela Terratreme Filmes, no contexto do projeto de cinema comunitário Atlas Almada, uma iniciativa artística e pedagógica desenvolvida ao longo de 2024 e 2025 com moradores de vários bairros do Monte da Caparica, em Almada.
O projeto criou um espaço de escuta, criação e experimentação, onde participantes entre os 20 e os 50 anos puderam aprender a linguagem e técnicas cinematográficas em oficinas que contaram com a participação de profissionais convidados de diversas áreas do cinema, incluindo o ator e encenador Pedro Gil, os realizadores Basil da Cunha, Falcão Nhaga, André Silva Santos, os diretores de fotografia Leonardo Simões e Paulo Menezes, bem como João Gazua e Nuno Carvalho diretores de som e Nádia Henriques, diretora de arte.
A tutoria do projeto esteve a cargo da realizadora Susana Nobre (“Cidade Rabat”, “No Táxi do Jack”, “Tempo Comum..”), Ana Eliseu (associação Os Filhos de Lumière) e do realizador Luís. M. Correia.
Foi desenvolvido um guião coletivo a partir das histórias e experiências de cada participante. O resultado é um filme que percorre os bairros do Asilo, Bairro Branco, Bairro Cor-de-rosa, Três Vales, Bairro Amarelo e Penajoia, e que revela, como objeto cinematográfico, uma visão do território do Monte da Caparica que está muitas vezes excluída dos meios de comunicação social.
“Ali, aqui” é um filme de ficção e conta as histórias de vários moradores daqueles bairros, procurando combater a estigmatização dos territórios da margem, valorizando a sua forte vida comunitária e de celebração da vida contra a precarização.
A sinopse assinala a história de Rafa, que sai de casa para fazer um recado ao pai, ir comprar vinho para a cachupa do almoço. Contrariado, anda de loja em loja num vaguear que o distrai do regresso a casa. A partir da história principal, o filme vai revelando outras. Nelson tenta convencer Txidy a cortar-lhe o cabelo em troca de ajuda na construção de uma nova barbearia; Jamir procura Tofinha nas hortas, junto ao rio Tejo para lhe vender carne para o churrasco do videoclipe do Milton; Sony deambula pelo Penajoia à procura das palavras para o seu poema Ali.
O projeto prepara-se para chegar a novos territórios do país brevemente.

