Box Office português 2022: 9,6 milhões de espectadores foram ao cinema

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As salas de cinema portuguesas registaram em 2022 uma ligeira recuperação face ao ano anterior, com 9,6 milhões de espectadores e uma receita bruta de bilheteira de 55,3 milhões de euros, segundo dados provisórios divulgados hoje pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), sobre o mercado cinematográfico em Portugal de 2022.

Segundo o ICA, as salas portuguesas de cinema receberam 9.595.884 milhões de espectadores e registaram uma receita bruta de bilheteira de 55,3 milhões de euros, representando um crescimento de 75,1% e 80,8% em relação ao ano transato, respectivamente.

Estes valores demonstram que apesar da recuperação face a 2021 e 2020, tem sido lenta em comparação com os dados de 2019 (pré-pandemia), 15,5 milhões de espectadores e 83,1 milhões de euros de receitas. Em 2022 ainda não se ultrapassou a barreira dos 10 milhões de espectadores.

Todos os meses ao longo de 2022 tiveram uma subida no número de espectadores e nas receitas, em comparação com o ano anterior, excepto o mês de outubro que teve uma ligeira quebra. O mês de dezembro foi o melhor do ano, com mais de um milhão e duzentos mil espectadores, seguido pelos meses de julho e agosto como os que mais registaram vendas de bilhetes nas salas de cinema.

No entanto, segundo o relatório provisório do ICA, nem tudo são más notícias, pois em 2022 a quota de cinema português atingiu os 5,6%, o que significa uma subida face a 2021 (3,0%), 2020 (3,5%) e a 2019 (4,5%). Ou seja, em 2022 cerca de 532 mil espectadores viram cinema português.

Em 2021 foram estreadas 385 longas-metragens, 102 das quais com origem nos EUA e 216 de origem europeia. Os filmes norte-americanos foram vistos por 74,6% do total de espectadores e os europeus por 12,8%.

Segundo o ICA, no ano de 2020 foram produzidas 101 (o dobro em relação a 2021) obras nacionais com o apoio financeiro do ICA, das quais 56 longas-metragens (27 de ficção, 26 documentários e 3 de animação) e 45 curtas-metragens (20 de ficção, 20 de animação e 5 documentários), verificando-se, em relação ao ano anterior, um aumento de 49 obras produzidas, ou seja, um crescimento de 94%.

A sequela de êxito dos anos 80, “Top Gun: Mavarick”, de Joseph Kosinski, assumiu-se como o campeão de bilheteira, tendo sido o filme mais visto do ano, registando mais de 715 mil espectadores e uma receita de bilheteira de 4,5 milhões de euros. O pódio completa-se com “Mínimos 2: A Ascensão de Gru” (601 837 espectadores) e “Avatar: O Caminho da Água”, que em apenas duas semanas em sala, ocupou a terceira posição com mais de 594 mil espectadores.

Na tabela dos filmes com maior assistências seguem-se com “Uncharted” (332.610), “Thor: Amor e Trovão” (329.768), “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” (321.130) e em sétimo lugar a comédia portuguesa “Curral de Moinas – Os Banqueiros do Povo”, de Miguel Cadilhe, com 314,285 espectadores. Ou seja, cerca de metade das pessoas que viram cinema português viram a comédia protagonizada por João Paulo Rodrigues e Pedro Alves.

No ranking dos filmes nacionais mais vistos, encontra-se em primeiro lugar o filme de Miguel Cadilhe, com uma diferença bastante considerável face ao segundo filme português mais visto, também outra comédia, “2 Duros de Roer” com 49.879 espectadores. Seguem-se “Salgueiro Maia – O Implicado” (16.809), “A Fada do Lar” (14,747) e “Restos do Vento” (11.693). Já “Alma Viva”, de Cristèle Alves Meira, filme candidato de Portugal aos Óscares, foi visto apenas por 7.685 espectadores, ocupando a oitava posição da tabela.

Ainda que o público português continue a não valorizar o cinema nacional, foi um ano de “boas colheitas” que contou com várias conquistas de prémios e de presenças em festivais nacionais e internacionais. Destacaram-se filmes como “Super Natural”, de Jorge Jacôme, “Nayola”, de José Miguel Ribeiro, “Lobo e Cão”, de Cláudia Varejão, “Ice Merchants”, de João Gonzalez, “O Homem do Lixo”, de Laura Gonçalves, “Fogo-Fátuo”, de João Pedro Rodrigues, “Nação Valente”, de Carlos Conceição”, “Restos do Vento”, de Tiago Guedes, entre outras produções nacionais.

Número de espectadores em salas de cinema portuguesas / Receita bruta (2011-2022):
2011 – 15,7 milhões / 79,9 milhões de euros
2012 – 13,8 milhões / 73,9 milhões de euros
2013 – 12,5 milhões / 65,5 milhões de euros
2014 – 12,1 milhões / 62,7 milhões de euros
2015 – 14,5 milhões / 74,9 milhões de euros
2016 – 14,9 milhões / 76,7 milhões de euros
2017 – 15,6 milhões / 81,6 milhões de euros
2018 – 14,7 milhões / 78,6 milhões de euros
2019 – 15,5 milhões / 83,1 milhões de euros
2020 – 3,80 milhões / 20,5 milhões de euros
2021 – 5,46 milhões / 30,5 milhões de euros
2022 – 9,6 milhões / 55,3 milhões de euros

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