O realizador Pedro Pinho venceu o Prémio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, atribuído ao melhor filme exibido na Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes, pelo filme “Fábrica do Nada”.

“Fábrica do Nada”, a primeira longa metragem de ficção do Pedro Pinho, produzida pela Terratreme, segue a vida de um grupo de operários que tentam segurar os postos de trabalho, através de uma solução de auto-gestão coletiva, e evitar, assim, o encerramento de uma fábrica.

Este é um filme coletivo assinado por Pedro Pinho, mas o filme de ficção foi construído em conjunto com Luísa Homem, Leonor Noivo, Tiago Hespanha, a partir de uma ideia de Jorge Silva Melo e da peça de teatro ‘A fábrica de nada’, de Judith Herzberg e por ele encenada.

Paralelamente a este prémio, de acordo com o rating da crítica, “Fábrica do Nada”é o segundo melhor filme de todas as secções do Festival de Cannes, superado apenas pelos dois episódios de “Twin Peaks”, do norte-americano David Lynch.

Edouard Waintrop, o director artístico da Quinzena dos Realizadores, destacou o filme, pelo “uso de uma variedade incrível de géneros cinematográficos: é praticamente um ‘thriller’ no início, tornando-se íntimo, político, social, fazendo um breve desvio para a comédia musical.”.

Durante a cerimónia da entrega do prémio, Pedro Pinho contestou o papel da SECA (Secção Especializada do Cinema e do Audiovisual) na atribuição de verbas públicas de apoio à produção, internacionalização, exibição, distribuição, escrita e festivais nas áreas do cinema e do audiovisual.

De recordar que Manoel de Oliveira foi o único realizador português a receber o Prémio FIPRESCI, em 1997, com o filme “Viagem ao Princípio do Mundo”.

O Júri FIPRESCI de Cannes, presidido por Alissa Simon (EUA), e constituído por Thomas Aïdan (França), Rodrigo Fonseca (Brasil), Barbara Lorey de Lacharrière (França), Pierre Pageau (Canadá), Eva Peydró (Espanha), Silvana Silvestri (Itália), Mode Steinkjer (Noruega) e Vidyashankar Jois (Índia), atribui ainda o Prémio FIPRESCI da Competição Oficial a “120 Battements Par Minute” de Robin Campillo, ao filme “Tesnota” de Kantemir Balagov na categoria Un Certain Regard. “Radiance” de Naomi Kawase o  Prémio do Juri Ecuménico.

Neste dia o Júri da Cinéfondation e das curtas metragens, presidido por Cristian Mungiu e composto por Clotilde Hesme, Athina Rachel Tsangari, Barry Jenkins e Eric Khoo, atribuiu o primeiro prémio ao filme “Paul Is Here”, de Valentina Maurel.

Primeiro Prémio
Paul Is Here, de Valentina Maurel (Bélgica)
Segundo Prémio
Heyvan (AniMal), de Bahram & Bahman Ark (Irão)
Terceiro Prémio
Two Youths Died, de Tommaso Usberti (França)