Realizou-se hoje a cerimónia da entrega dos prémios mais importantes do cinema, a 70ª edição do Festival de Cannes. A Palma de Ouro foi entregue ao filme “The Square” do sueco Ruben Ostlund, contrariando todas as previsões. O realizador ganhou a secção Un Certain Regard com “Força Maior” em 2014. “The Square” é um filme que explora as ideias sobre os contratos sociais, sobre o poder e a classe dominante e o menosprezo crescente do mundo da arte. Este drama satírico da burguesia ocidental e do mundo da arte foi muito aplaudido e muito bem recebido pela crítica. “Um espectáculo estranhamente esquisito e ultrajante, com momentos de estranheza pitoresca”, escreveu o The Guardian.

O júri, presidido por Pedro Almodóvar e constituído por Maren AdeJessica ChastainFan BingbingAgnés Jaoui, Chan Wook Park, Will Smith, Paolo Sorrentino e Gabriel Yared, entregou o Grande Prémio do Júri a “120 Battements Par Minute” de Robin Campillo. Um filme sobre a epidemia da Sida, que retrata os anos 90 das lutas do grupo ativista Act Up de Paris, ramo da organização internacional de luta contra a Sida. ”120 Battements Par Minute”, baseado nas próprias experiências de Robin Campillo, como um dos membros da organização nesta causa LGBTI, é um filme enérgico sobre as falhas dos serviços de saúde do governo Fabius e da presidência de Mitterand, no inicio dos anos 90, em lidar com a comunidade seropositiva. O The Hollywood Reporter exaltou o trabalho do realizador, o The Guardian deu 5 estrelas (“Este filme tem o que o seu título implica: um batimento cardíaco. (…) Robin Campillo comemora o legado do grupo ACT UP com um filme trágico, urgente e cheio de vida cinematográfica”). O filme venceu ontem o Prémio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, na secção da selecção oficial.

A cineasta Sofia Coppola que se tinha estreado em Cannes com “Maria Antonieta” (2006), venceu nesta edição o prémio de Melhor Realização por “The Beguiled”, um drama passado durante a guerra civil americana protagonizado por Colin Farrell Nicole Kidman. O júri decidiu ainda entregar um prémio especial à atriz Nicole Kidman a propósito do 70º aniversário de Cannes.

Diane Kruger recebeu o prémio de Melhor Atriz em “In The Fade” e Joaquin Phoenix o de Melhor Ator em “You Were Never Really Here”. O prémio de Melhor Argumento foi dividido entre “The Killing of a Sacred Deer” de Yorgos Lanthimos e “You Were Never Really Here” de Lynne Ramsay.

Palmarés 2017
Palma de Ouro
The Square, de Ruben Ostlund (Suécia, Alemanha, França, Dinamarca)
Grande Prémio do Júri
120 Battements Par Minute, de Robin Campillo (França)
Melhor Realizador
Sofia Coppola, por The Beguiled (EUA)
Melhor Atriz
Diane Kruger, em In the Fade (Alemanha)
Melhor Ator
Joaquin Phoenix, em You Were Never Really Here (Reino Unido)
Melhor Argumento (Ex-aequo)
The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos (Irlanda, Reino Unido)
You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay (Reino Unido)
Prémio do Júri
Loveless, de Andrey Zvyagintsev (Rússia, França, Bélgica, Alemanha)
Camera d’Or (Melhor Primeiro Filme)
Montparnasse Bienvenüe, de Léonor Serraille (França)
Palma de Ouro (Curta-Metragem)
A Gentle Night, de Qiu Yang (China)
Menção Especial
Katto, de Teppo Airaksinen (Finlândia)
Prémio 70º Aniversário
Nicole Kidman

Prémio FIPRESCI
Selecção oficial
120 Battements Par Minute, de Robin Campillo (França)
Un Certain Regard
Tesnota, de Kantemir Balagov (Rússia)
Semana da Crítica
Fábrica do Nada, de Pedro Pinho (Portugal)
Prémio do Júri Ecuménico
Radiance, de Naomi Kawase (Japão, França)