O Shortcutz regressa ao Porto, em parceria com o Coliseu. Durante a semana de 15 a 19 de junho, o movimento transnacional dedicado a promover curtas-metragens e jovens criadores apresenta ‘Éme, nome de Porto’. Um ciclo comentado de filmes de realizadoras ligadas ao Porto e às margens afetivas, geográficas e simbólicas que atravessam as suas obras.
Durante cinco noites, o Shortcutz Coliseu ocupa o Cinema Passos Manuel com um percurso curatorial construído a partir de diferentes aproximações ao Manifesto, Mar, Memória, Murmúrio e Mitologia, traduzido numa programação de cinema contemporâneo, concertos, cine-concertos e DJ sets, assinada pelo programador de cinema Tiago Alves.
O ciclo abre com um concerto do projeto Regina, seguido da curta-metragem de Patrícia Sobreiro que é uma declaração de amor ao Porto, “J’Existe Porto”, e encerra com o DJ Set de Lara Soft. A música volta a surgir na noite de encerramento, com a curta-metragem “Caronte“, de Tânia Gomes Teixeira, dedicada a Gastão, o barqueiro do Douro que dedica seis dias da sua semana à vigília do rio para resgatar os seus mortos. O filme será musicado ao vivo por JP Coimbra. Todas as noites do ciclo terminam com uma conversa com as realizadoras das curtas exibidas.
Mais do que um ciclo temático, ‘Éme, nome de Porto’ funciona como uma deriva coletiva: um território onde os filmes dialogam entre si através de atmosferas, intuições e relações invisíveis.
A entrada é livre. Bilhetes disponíveis para levantamento a partir de 11 de junho, na bilheteira do Coliseu.
Programa:
15 JUN | MANIFESTO
– Concerto REGINA, por Laura Rui, Clara Maio e SUSPIRO
Regina surge da metamorfose manifestada pelo eco das mulheres que ficam na memória do tempo — das que falaram quando lhes pediam silêncio, das que amaram sem licença, das que, com a sua força discreta, abriram caminhos. Regina Tavares da Silva é uma dessas mulheres que lutou (e luta) por um futuro de igualdade e liberdade para tod@s.
Em palco, Regina – projeto musical criado por Clara Maio e Laura Rui – transforma-se numa experiência visceral, onde a música não quer apenas ser ouvida, quer ser sentida como uma conversa antiga entre mulheres que nunca deixaram de existir umas nas outras.
– “J’Existe Porto”, de Patrícia Sobreiro | Doc | 10’26’’ | 2024
Curta-metragem biográfica e intimista baseada na experiência de várias viagens à cidade do Porto. As pessoas, os lugares, as reflexões ao longo do caminho.
– DJ Set: MMM, Música, Mulheres, Musas
As mulheres inspiram o DJ set de Lara Soft, uma das partes da dupla Gigi, que ao longo de mais de 20 anos fixou residência mensal no Porto.
16 JUN | MAR
– “Suave Mar”, de Sara N. Santos | Doc ficção | 15’00 | 2025
Um homem recorda a mãe. Ela costumava falar-lhe de um lugar mítico, a praia. Em Suave Mar, o banheiro mergulhava as crianças nas ondas entre gritos e gargalhadas, as rendas e os fatos de banho estavam na moda e as pessoas pediam ao mar para viverem para sempre. Enquanto isso, o fotógrafo percorria o areal na tentativa de registar uma sociedade à beira da decadência.
– “A Ver o Mar”, de Ana Oliveira e André Puertas | Doc | 25’00 | 2017
O título deste documentário joga com o nome da localidade onde decorre a ação, A Ver-o-Mar, e a prática que é retratada: pessoas que passam longos períodos de tempo dentro de um automóvel a observar o mar e as pessoas que passeiam naquela marginal. Este é afinal um hábito partilhado entre diferentes gerações, entre diferentes casais, que aproveitam aqueles momentos para consolidar a sua intimidade, em gestos que se repetem e que o filme revela como naturais.
17 JUN | MEMÓRIA
– “Salto”, de Ana Castro | Doc | 12’43” | 2025
Entre o peso da história e a leveza da memória, há um salto que nunca termina. Em “Salto”, a realizadora revisita as histórias vividas e transmitidas pela sua avó, Rosalina de Castro, entrelaçando memória pessoal e coletiva. Através de imagens de arquivo pessoal, testemunhos e filmagens contemporâneas, o filme traça o percurso das primeiras mulheres paraquedistas civis em Portugal, revelando a sua coragem e os ecos de um passado que ainda ressoa.
– “Kora”, de Cláudia Varejão | Doc | 29’00” | 2024
“Kora” traça a silhueta de mulheres refugiadas a viver em Portugal. Em comum entre si, trazem o passado no corpo e nas palavras, bem como aqueles que amam impressos em retratos. A partir dessas memórias, acedemos ao olhar íntimo e político de quem reconstrói o (seu) presente.
18 JUN | MURMÚRIO
– “Movimento. Dim∑nsão. Impacto”, de MJ Sousa | Doc | 04’40 | 2024
E se os rastos do movimento fossem visíveis? Observação de movimentos que oscilam a matéria em padrões comportamentais que perduram no tempo e no espaço, criando impactos em todas as dimensões.
– “Cócegas na Terra”, de MJ Sousa | Doc | 15’30 | 2023
Quem passa em Santa Clara pode contemplar a visão de um estendal de linhas cintilantes ao mesmo tom do reflexo dos peixes no mar. Mas estas linhas movem-se na terra. Quem as constrói também está na terra mas vive ao ritmo do mar. As mãos humanas marcam o compasso com a natureza que os envolve. Encostam as suas linhas do mar na terra e com o vento, dançam juntos a mesma melodia.
– “Sabrina”, de MJ Sousa | Doc | 29’30 | 2025
O processo de preparação do concurso de beleza para vacas e vitelas, o XIX Concurso Micaelense Raça Holstein Frísia. Uma viagem em família com ritmos e emoções, contada através do ponto de vista de uma vaca chamada Sabrina.
19 JUN | MITOLOGIA
– “Caronte”, de Tânia Gomes Teixeira | Fic | 106’00 | 2025
com JP Coimbra ao vivo
No rio Douro, especialmente nas pontes que ligam as cidades do Porto a Vila Nova de Gaia, regista-se uma elevada ocorrência de suicídios, maioritariamente de homens e mais acentuada durante os meses de Inverno. Na mitologia grega, Caronte é o barqueiro de Hades cuja tarefa é transportar as almas dos que acabaram de morrer através das águas do Aqueronte, muitas vezes traduzido como o ‘rio do infortúni’.
Neste lugar, Gastão, também ele barqueiro, dedica seis dias da sua semana à vigília do rio. Comparado a Caronte pela realizadora Tânia Gomes Teixeira, a missão dele não é salvar os que se lançam à morte, mas recuperar os seus corpos e devolvê-los às famílias, para que lhes seja possível fazer o luto.

