Vem ai a 3ª edição do Desobedoc – Mostra de Cinema Insubmisso, na mesma cidade (Porto), mas noutra sala: o Cinema Batalha. Nas duas primeiras edições o Desobedoc ocupou as salas do cinema Trindade e a “experiência foi boa e provou que há gente para ocupar estes espaços em permanência”. Este ano ocupa-se uma das mais emblemáticas salas de cinema do Porto, o Batalha.

“O Batalha é uma das obras primas da arquitectura moderna dos anos 40, um monumento à genialidade dos artistas portugueses, em que diversos artistas plásticos colaboraram com o arquitecto, deixando uma marca perene de qualidade naquela que haveria de ser a sede do melhor cinema que se via então na cidade, com destaque para as sessões do Cineclube que, na altura da fundação, aí começou a oferecer ao público do Porto um outro cinema.”

Durante três dias, de 29 de abril a 1 de maio, o Desobedoc, organizado pelo Bloco de Esquerda em parceria com a rede Transform, promete mais uma excelente programação de cinema insubmisso. A mostra arranca no dia 29 de abril com a curta-metragem vencedora de um Urso de Ouro em Berlim, “Balada de um Batráquio” de Leonor Teles. O programa conta com cerca de trinta filmes, algumas estreias nacionais e internacionais e também clássicos do cinema. “A Respeito da Violência” de Goran Hugo Olsson, “Viridiana” de Luis Buñuel, “Rhoma Acans” de Leonor Teles, “O Imigrante” de Charles Chaplin, “Trela Curta” de Saguenail, “ABC da Greve” de Leon Hirszman e “As Vinhas da Ira” de John Ford são alguns dos filmes que o Desobedoc irá projectar. Juntam-se ainda algumas exposições, instalações e festas.

“O Porto tem uma relação íntima com a história do Cinema Português. Aqui se começou a fazer cinema, são daqui grandes realizadores, aqui nasceram salas de cinema que viriam a constituir-se como património e imaginário da cidade. Aqui se consolidou um espírito rebelde e desobediente que associou cinefilia e intervenção cidadã, resistindo à ditadura do Estado Novo e permitindo a participação criativa na busca de novos rumos para o cinema português.
”

“O Desobedoc retoma e celebra esse espírito. Numa Europa em agonia, num país onde se procura reconstruir a esperança, numa cidade engalanada para os turistas mas que continua a expulsar os mais pobres do centro, esta mostra é um ato de persistência e de solidariedade. Por aqui passarão filmes sobre alguns dos temas que nos inquietam: as migrações e os refugiados que o velho continente condena à morte e à humilhação; o direito à cidade e à habitação; o trabalho e o emprego; a igualdade e as conquistas que desafiam o patriarcado. Teremos algumas estreias locais, nacionais e internacionais, com metade da programação em português. Teremos clássicos do cinema e filmes de hoje. Teremos exposições e instalações. E festas para celebrarmos o prazer de estarmos juntos.”

“Nesta mostra de 3 dias de cinema documental, vamos exercer mais uma vez o direito à memória e à imaginação. Num país onde o Ministério da Cultura é quase uma inexistência, numa cidade que todos os dias vê tanta gente partir, abrir por três dias o Cinema Batalha, que tem estado votado ao abandono, é em si mesmo um ato de resistência. Estão por isso convidados a ser cúmplices de mais um Desobedoc. Como sempre, a entrada é livre e o espírito insubmisso.”

29 abril
19h00 – Sala Batalha – Balada de um Batráquio, de Leonor Teles – 11′
21h30 – Sala Batalha – Caderno da Cirurgia, de Regina Guimarães – 18′
22h00 – Sala Batalha – Mãos Cortadas, de Ricardo Leite – 19′
22h00 – Sala Batalha – Lampedusa in Winter, de Jakob Brossman – 93′
22h30 – Sala Bébé – Cidadãos de Corpo Inteiro, de Patrícia Poção – 93′

30 abril
14h30 – Sala Bébé – Silence, de Cristophe Bisson – 11′
15h30 – Sala Bébé – Black Film, de Zelimir Zilmik – 17′
16h00 – Sala Batalha – A Respeito da Violência, de Goran Hugo Olsson – 80′
16h30 – Sala Bébé – Viridiana, de Luis Buñuel – 90′
18h00 – Sala Batalha – Não Estamos Sós, de Pere Joan Ventura – 77′
18h30 – Sala Bébé – Gisberta, de Stéphane Jacob – 9′
18h30 – Sala Bébé – Dzi Croquettes, de Raphael Alvarez e Tatiana Issa – 110′
23h30 – Sala Bébé – Menino ou Menina, O Meu Sexo Não é o Meu Género, de Valerie Mitteaux – 61′

1 maio
11h00 – Sala Bébé – Desobedoquinho (8 curtas) – 120′
17h30 – Sala Batalha – Os Cravos e a Rocha, de Luisa Sequeira – 16′
17h45 – Sala Bébé – Trela Curta, de Saguenail – 83′
18h00 – Sala Batalha – Fora da Vida, de Filipa Reis e João Miller Guerra – 35′
19h00 – Sala Batalha – ABC da Greve, de Leon Hirszman – 85′
19h15 – Sala Bébé – Vida Activa, de Susana Nobre – 92′
21h30 – Sala Batalha – As Vinhas da Ira, de John Ford – 129′

Fonte: Desobedoc