MIS apresenta “Sem Alternativa” em nova sessão do Ciclo de Cinema e Psicanálise

Longa de Park Chan-wook sobre desemprego e desespero social será debatido por especialistas convidadas após a projecção
Sem Alternativa, Park Chan-wook Sem Alternativa, Park Chan-wook
"Sem Alternativa" (2025), de Park Chan-wook

O Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) recebe, no próximo dia 5 de Maio (terça-feira), às 19h, mais uma edição do Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa mensal promovido em parceria com a Folha de S.Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). A entrada é gratuita, mediante retirada de bilhete na bilheteira física do museu com uma hora de antecedência. A sessão decorre no Auditório MIS.

Nesta edição, o público poderá assistir ao filme sul-coreano “Sem Alternativa” (“A Única Saída”, no Brasil), de Park Chan-wook, apresentado em parceria com a Mares Filmes.

A longa-metragem destacou-se na última edição dos Globos de Ouro, ao conquistar nomeações para Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Filme Internacional e Melhor Actor em Filme de Comédia ou Musical para Lee Byung-hun. O actor tornou-se o primeiro sul-coreano nomeado nesta categoria.

Após a exibição, terá lugar um debate mediado por Luciana Saddi, coordenadora do Programa de Cinema e Psicanálise da Directoria de Cultura da SBPSP. Participam também Adriana Rotelli Resende Rapeli, psiquiatra e psicanalista, e a repórter da Folha de S.Paulo Alessandra Monterastelli.

Os encontros do ciclo têm como proposta articular cinema e reflexão psicanalítica. As conversas são gravadas e posteriormente disponibilizadas no canal oficial do MIS no YouTube.

Sem Alternativa

“Sem Alternativa” acompanha Man-su (Lee Byung-hun), um especialista no fabrico de papel com 25 anos de experiência que leva uma vida estável ao lado da esposa, Miri (Son Ye-jin), dos dois filhos e dos cães da família. O equilíbrio doméstico, porém, é abalado quando recebe a notícia de que foi despedido. Determinado a recuperar a estabilidade, promete encontrar um novo emprego no prazo de três meses.

A realidade revela-se bem mais dura. Depois de mais de um ano entre entrevistas falhadas e trabalhos ocasionais no comércio, Man-su vê-se ameaçado pela possibilidade de perder a casa que tanto custou a conquistar. Num gesto de desespero, apresenta-se inesperadamente na Moon Paper para entregar o currículo, mas acaba humilhado pelo gerente. Convencido de que é mais qualificado do que qualquer outro candidato, toma então uma decisão extrema: se não existe vaga para ele, terá de criá-la.

Realizado por Park Chan-wook, cineasta conhecido por títulos como “Oldboy” e “Vingança Planeada, o filme adapta o romance “O Corte” (The Ax), de Donald E. Westlake.

Segundo o realizador, a ideia de levar a obra ao cinema surgiu há cerca de duas décadas, quando leu o livro pela primeira vez. O projecto, contudo, só agora se concretizou, após mais de 20 anos de desenvolvimento.

Em entrevista concedida a Patrick Brzeski, chefe da sucursal asiática do The Hollywood Reporter, Park Chan-wook explicou que se interessou pela forma como a história articula o drama íntimo de um homem em crise com questões sociais mais amplas, como o desemprego e a pressão económica. O realizador acrescentou ainda que viu na tragédia original espaço para introduzir um humor sombrio, capaz de tornar o filme simultaneamente perturbador e satírico.

O cineasta revelou também ter acrescentado uma nova camada narrativa: a crescente consciência da esposa e do filho perante os actos cometidos por Man-su. Para Park, muitas vezes, quando alguém acredita estar a agir em nome da família, acaba precisamente por destruir aquilo que procurava proteger.

Debatedoras

O debate contará com a participação de Adriana Rotelli Resende Rapeli, psiquiatra e psicanalista, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ) e da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Integra o grupo de discussão de filmes da Associação Psicanalítica Internacional (IPA) desde a sua criação, em 2018. A ligação ao cinema é antiga: nos anos 1980, organizou a Sessão Arte do Directório Académico da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro. Durante 15 anos, coordenou ainda uma sessão de filmes no CAPS AD com dependentes químicos em Itapira, cidade onde reside.

Participa também Alessandra Monterastelli, repórter de cultura da Ilustrada, caderno cultural da Folha de S.Paulo, onde escreve sobre cinema e artes plásticas. Licenciada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), teve passagem académica pela Universidade de Bolonha, em Itália. Possui ainda pós-graduação em Cinema pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).