O Desobedoc volta ao Porto. Depois de ter reaberto o Cinema Trindade (aberto de forma permanente desde 2017) e o Cinema Batalha (abrirá definitivamente em 2020), no Porto, e o Cinema Ícaro, em Viseu (em 2018), a mostra de cinema insubmisso regressa ao Porto, desta vez ao CCOP (Círculo Católico Operário do Porto), de 25 a 28 de abril.

“Com 120 anos de idade, este foi o primeiro Círculo Católico Operário do país, nascido em 1898 para lutar por salários justos e pelo descanso ao domingo. Aqui, a classe operária procurou escapar à escravidão do trabalho, roubando horas à família e ao sono para fazer jogos e jornais, canções e panfletos, teatro e desporto, para ouvir as lições dos educadores ou dos apóstolos, para conquistar mais tempo livre.”, escreveu José Soeiro em comunicado.

“Nestes últimos anos, o CCOP é uma demonstração de um Porto que resistiu e se reinventa, misturando experiências e gerações refratárias à transformação da cidade num imenso hotel, mantendo velhos sócios e acolhendo novos, dando espaço a artistas que não são mercadoria.”

“Cá estamos de novo no Porto. Por gostarmos de cinema, de o partilhar, de o programar e de vê-lo em conjunto, de nos emocionarmos ao ponto de ficarmos mudos ou de querermos falar muito sobre o que vimos.”

O programa da sexta edição é centrado nos fascismos, na(s) memória(s), nas lutas feministas, LGBTI+ e no clima. No dia 25 de abril, a mostra abre com três curtas sobre o PREC (apresentadas por José Soeiro e João Teixeira Lopes), seguindo-se à noite a sessão oficial de abertura com uma estreia em Portugal: “O Silêncio dos Outros”, de Almudena Carracedo e Robert Bahar. Um documentário sobre os crimes do franquismo em Espanha que “vai além do retrato de um passado recente: pretende questionar o futuro de um país amordaçado por uma parte das instituições e classe política herdeiras diretas do regime franquista, silenciado por um sistema conivente com uma minoria e sequestrado por um silêncio inexplicavelmente imposto como arma de pacificação massiva.” Estarão presentes Chato Galante (resistente da ditadura franquista) e Amelia Martínez-Lobo (Fundação Rosa de Luxemburgo – Madrid).

Nos restantes dias será possível ver filmes como “A Resposta das Mulheres”, de Agnes Vàrda, “O Aborto Não é Crime”, de Maria Antónia Palla, “Gaza”, de Andrew McConnell e Garry Keane (estreia), “J’ Veux Du Soleil”, de Gilles Perret e François Ruffin (estreia), “Russa”, de João Salaviza e Ricardo Alves Jr., “Un Chant d’Amour”, o único filme realizado por Jean Genet, “This Changes Everything”, de Avi Lewis, e “Um Dia Inesquecível”, de Ettore Scola (apresentado por Francisco Louçã).

No dia 27 (sábado), haverá à noite uma sessão de homenagem (um canto de amor) a António Alves Vieira, que inclui “Un Chant d’Amour”, de Jean Genet, “Rasura”, de Amarante Abramovici e Regina Guimarães, e culmina com uma festa/convívio no Invictus Café-Bar.

Nas manhãs de sábado e de domingo haverá o Desobedoquinho, que inclui filmes como “Água Mole”, de Laura Gonçalves e Alexandra Ramires, “O Lar do Ouriço-Cacheiro”, de Eva Cvijanovic, e “Charlot na rua da paz”, de Charles Chaplin.

Como sempre a entrada é livre e o espírito insubmisso.

Ver programa completo aqui.