Irá a pandemia do coranavírus estragar a época de blockbusters de verão?

Depois dos estúdios da Disney, da Warner Bros. e da Universal cancelarem as datas de estreias dos seus filmes, a Sony Pictures anunciou na segunda-feira que as suas estreias, como a adaptação da banda desenhada “Morbius” e o tão esperado “Caça-Fantasmas: O legado”, iriam ser adiadas para o outono ou talvez até para o próximo ano.

É sabido que a pandemia do coronavírus não vai acabar tão cedo, uma realidade que significa que os cinemas irão continuar fechados durante mais algum tempo. Por isso diz adeus à época dos blockbusters, pelo menos este ano. Esta crise de saúde pública é, neste momento, a maior das preocupações. No entanto, este adiamento de várias estreias importantes irá causar tensão financeira numa indústria de entretenimento já em risco.

Na história do cinema, a época do verão tem sido sempre a mais lucrativa. Esta obtém 40% do rendimento que é feito anualmente apenas nos meses entre maio e agosto, sendo estes quatro meses responsáveis por quatro mil milhões de dólares a cada ano, de acordo com a Comscore.

A Disney tinha para estrear filmes como “Viúva Negra” e “Mulan”, a Universal, “Velocidade Furiosa 9” (agora em maio de 2021), a Paramount, “Um Lugar Silencioso 2” e a Warner Bros., “Ao Ritmo de Washington Heights” e “Mulher-Maravilha 1984” (agora em agosto de 2020, apesar de alguns suspeitarem que a data será remarcada).

“Existem algumas coisas a mudar”, disse Jim Orr, presidente da distribuição doméstica da Universal. “Não basta apenas datar um filme e já está. Temos de nos acomodar a todo o tipo de situações. Ainda estamos a tentar perceber como é que vamos fazer as estreias. Mas é exequível.” Por agora, é nisto que Hollywood está focada, visto que, como vários negócios, os estúdios foram obrigados a trabalhar de casa para ajudar ao distanciamento social. Devido a isto, muitos filmes que estavam em pós-produção não estarão prontos a tempo para as datas das suas estreias.

Tanto analistas como executivos desta área notam que quando a vida voltar ao normal, não vão querer imediatamente voltar a espaços muito concorridos, como as salas de cinemas. Eric Handler, da MKM Partners, diz que as pessoas preferem jogar pelo seguro. “Vai ser um aumento de espectadores gradual, visto que não sabemos como é que o mundo vai estar quando voltarmos a aventurar-nos para fora das nossas casas.”

Vai ser um processo que irá requerer alguma adaptação, como foi o exemplo da China, que momentaneamente abriu as suas salas de cinema em março, quando o vírus parecia estar sob controlo, apenas para as voltar a fechar sem nenhuma explicação, visto que os chineses estavam hesitantes em ir ao cinema.

Nos Estados Unidos, pensa-se que é possível que as zonas menos afetadas voltem a abrir devagarinho os seus cinemas, no entanto, isso significa que os estúdios irão estrear os seus filmes num número limitado de salas disponíveis. Patrick Corcoran (vice-presidente e chefe de comunicação da National Association of Theatre Owners) prevê que as salas de cinema voltem ao ativo a diferentes ritmos e que, por essa razão, não vai haver estreias importantes até todos os cinemas voltarem a abrir portas. Mesmo que as salas de cinema pudessem abrir as suas portas no final do verão, as vendas globais dos estúdios iriam ter de ter em consideração a recuperação do resto do mundo antes de divulgar novas datas de estreias. Começa assim a haver especulações que estes estúdios lancem os seus filmes de verão em plataformas digitais.

Entretanto, os executivos dos estúdios esperam que o empréstimo que o Presidente dos Estados Unidos vai atribuir seja o suficiente para não os levar à falência. No entanto, quando os agentes de saúde pública disserem que as salas de cinema podem voltar a abrir, acredita-se que o dinheiro voltará a entrar como dantes. Paul Dergarabedian, um analista da Comscore, prevê que vai haver imensa procura de filmes, visto que as pessoas estão a ficar fartas de estar em casa e mal podem esperar para que as coisas voltem ao normal.