A MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa apresenta a programação para a sua 25.ª edição que se realiza de 12 a 22 de março em Lisboa, e que homenageia a animação da Letónia. Sob o tema Natureza e Sustentabilidade, a edição deste ano apresenta mais de 490 filmes e propõe uma reflexão transversal sobre o planeta, a paisagem e a relação do ser humano com o meio ambiente, reunindo obras históricas, estreias mundiais, filmes nomeados aos Óscares e uma forte presença do cinema português.
A competição internacional de longas-metragens é composta por 7 filmes, 5 dos quais são estreias nacionais: “A Pequena Amélie ou a Personagem da Chuva”, de Maïlys Vallade e Liane-Cho Han, filme que está nomeado Óscares 2026 na categoria de Melhor Filme de Animação e que é sobre uma menina belga nascida no Japão; o filme japonês “ChaO”, de Yasuhiro Aoki, que ganhou o Prémio do Júri no Festival de Annecy 2025; de Sylvain Chomet, realizador de obras como “Belleville Rendez-vous” ou “O Mágico”, chega agora “Marcel e Monsieur Pagnol”, filme que estreou na última edição do Festival de Cannes e que é sobre a vida do célebre escritor e cineasta Marcel Pagnol.
Também em Cannes, na Quinzena dos Cineastas, foi apresentado “A Morte Não Existe”, de Félix Dufour-Laperrière sobre um grupo de jovens ativistas que tentam um ataque armado que falha, levando um deles a abandonar seus companheiros.
Da China chega “Uma História Sobre Fogo” de Li Wenyu, sobre um macaco criado por humanos, que foi a uma montanha sagrada em busca de fogo e, após enfrentar inúmeros perigos e dificuldades, transformou-se em humano; o público português poderá ver em primeira mão na Monstra a comédia negra “Decorado”, de Alberto Vázquez, uma coprodução entre Espanha e a produtora portuguesa Sardinha em Lata, sobre Arnold, um rato de meia-idade que está a passar por uma crise existencial, filme que está nomeado para os Prémios Goya em Espanha e os Prémios Quirino da animação ibero-americana.
A fechar esta secção, é exibido “Contos do Jardim Encantado”, de David Súkup e Patrik Pašš, filme que teve na Berlinale 2025 a sua estreia mundial e que acompanha três irmãos, que passam o seu primeiro fim de semana sozinhos com o avô, que se tornou muito solitário desde a morte da sua mulher.
A animação portuguesa, reconhecida como uma das mais relevantes da Europa e mundo, ocupa um espaço de destaque na MONSTRA. Criada em 2010, a Competição Portuguesa Vasco Granja afirma-se em cada ano como um dos pilares do festival, refletindo a vitalidade e diversidade da animação nacional.
Este ano os filmes apresentados nesta secção são “A Última Meia”, de Carolina Batista, “Machinarium” de João Pedro Oliveira, uma estreia absoluta, “Argumentos a Favor do Amor”, de Gabriel Abrantes, “Corça”, de Maria Lima, “Lembra de Mim”, de Bárbara Barreto, Caroline Soares e João Cadima, “Sombras de Nós Próprios”, de Pedro Serrazina, “Amarelo Banana”, Alexandre Sousa, “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade, e “Porque hoje é Sábado”, de Alice Eça Guimarães.
Como é habitual, a MONSTRA conta ainda com as secções competitivas de curtas-metragens, filmes de estudantes, curtíssimas (filmes até 2 minutos), competição Monstrinha, a secção do Festival dedicada ao público mais novo e, pela primeira vez, uma secção competitiva dedicada ao formato média-metragem, ou seja, filmes com uma duração entre 15 a 40 minutos.
Várias obras portuguesas integram a competição de curtas-metragens, nomeadamente: “Cão Sozinho“, de Marta Reis Andrade, “Porque Hoje é Sábado”, o mais recente filme de Alice Eça Guimarães, “Amarelo Banana”, de Alexandre Sousa, “Sombras de Nós Próprios”, de Pedro Serrazina” e “One Way Cycle”, de Alicia Nuñez Puerto, uma coprodução Portugal Espanha.
Na competição de médias-metragens, destaque para “A Rapariga Que Chorou Pérolas”, de Chris Lavis e Maciek Szczerbowski, que está nomeada para Melhor Curta de Animação para os Óscares 2026 e cujos realizadores já foram premiados na MONSTRA com o filme “Madame Tutli-Putli”; destaque ainda para “A Filha da Água“ e “KOSMOGONIA”, duas coproduções portuguesas.

A secção de filmes históricos, ClipAnim, DOKAnim, TerrorAnim, Triple X e homenagens, reúne um conjunto de filmes aniversariantes que constituem marcos importantes da história do cinema de animação: “As Aventuras do Príncipe Achmed”, de Lotte Reiniger, que assinala os 100 anos da primeira longa metragem europeia.
Assinala ainda os 75 anos da curta “Gerald McBoing-Boing”, de Robert Cannon, que despoleta uma divertida sessão Cartoon Modern; os 50 anos de “Allegro non Troppo”, um filme musical que ilustra de forma divertida e imaginativa seis peças de música clássica, numa homenagem ao realizador Bruno Bozzetto, que reúne ainda uma sessão de 16 curtas-metragens do realizador italiano; assim como os 50 anos dos estúdios Aardman, que nos trazem personagens populares como “Wallace & Gromit” e “Shaun the Sheep” (Ovelha Choné), assim como alguns episódios de “Morph”, a primeira série realizada em 1976 pela Aardman, uma criação de um dos fundadores deste estúdio, Peter Lord.

Já a secção ANIM reúne sessões temáticas dedicadas ao documentário (DokAnim), terror (TerrorAnim), videoclip (ClipAnim), arquitetura (ArchAnim), jazz (JazzAnim) e animação erótica (Triple X), cruzando abordagens sociais, políticas, musicais e sensoriais.
Para a edição de 2026, a Monstra apresenta uma nova secção, que dá ao público uma forma diferente de ver a programação. Neste contexto surgem sessões relacionadas com a temática desta edição, Natureza e Sustentabilidade, que inclui sessões como: Animação Reciclada, dedicada à reutilização de materiais na criação animada; Paisagens em Movimento, onde a paisagem assume o protagonismo narrativo; Frédéric Back – O Homem Que Plantava Árvores, reunindo três obras-primas deste realizador canadiano, a longa-metragem “A Odisseia do Dente-de-Leão”, de Momoko Seto, uma fábula cósmica sobre sobrevivência após a destruição da Terra; e ainda algumas obras portuguesas, como “Ice Merchants”, de João Gonzalez, “Agouro”, de David Doutel e Daniel Sá e “Abraço do Vento”, de José Miguel Ribeiro.
Este ano será ainda programada uma sessão de 10 curtas-metragens intitulada “África Animada em 90 Anos”, que celebra nove décadas de criação do cinema de animação africano, com curadoria de Mohamed Ghazala.
O Festival volta a solidarizar-se com o povo palestiano desta feita com a exibição de “Para Gaza com Amor: Uma Animjam Global”, uma sessão composta por 56 micro-filmes realizados por autores de todo o mundo incluindo 6 portugueses sobre a Palestina, com curadoria de Joanna Quinn, realizadora britânica que marcará presença no Festival Monstra.
Durante os dois fins-de-semana do Festival, são programados filmes para Pais e Filhos: curtas e longas-metragens, sessões Baby Monstra (sessões de entrada livre para crianças até aos 3 anos) e ainda workshops de animação para pais e filhos.
Assim, as famílias poderão assistir a filmes como “Arco”, de Ugo Bienvenu , que está nomeado à 98.ª edição dos Óscares para o prémio de Melhor Filme de Animação, “Flow – à Deriva”, de Gints Zilbalodise que ganhou o Óscar de Melhor Filme Internacional no ano passado e que enalteceu a cinematografia da Letónia, que este ano a Monstra homenageia, ou filmes que estão em competição como “Hola Frida”, de Karine Vézina e André Kadi, “O Segredo dos Chapins”, de Antoine Lanciaux ou “Space Cadet”, de Kid Koala.
Na cerimónia de abertura do festival, que se realiza na noite de 12 de fevereiro no Cinema São Jorge, vai realizar-se a estreia mundial de “Virgem Fandango”, de Marcy Page, produzida pela Ciclope Filmes, produtora fundada por Abi Feijó. A curta-metragem musical utiliza uma inovadora técnica de azulejos animados, evocando a luta feminina pela igualdade.
A este filme juntam-se curtas-metragens da Letónia e a celebração dos 90 anos de “O Pedro e o Lobo ao vivo”, uma história contada através da música, composta por Serge Prokofiev em 1936, com a projeção do filme realizado em 2006 por Suzie Templeton acompanhado de música interpretada ao vivo pela Orquestra de Sopros da Academia de Música de Santa Cecília.
Em Lisboa, o Festival Monstra realiza-se no Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema City Alvalade. A MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa conta com o apoio do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, Instituto do Cinema e do Audiovisual, Europa Criativa MEDIA e da Câmara Municipal de Lisboa.

