Eunice-Munoz

Morreu Eunice Muñoz, aos 93 anos

Morreu hoje aos 93 anos, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, a atriz Eunice Muñoz, uma das maiores referências da cultura portuguesa. Uma das melhores atrizes portuguesas de todos os tempos, Eunice marcou o teatro, o cinema e a televisão.

Com uma carreira de 80 anos, Eunice entrou em cerca de duas centenas de peças, trabalhou com cerca de uma centena de companhias, e participou em cerca de 80 produções cinematográficas e televisivas.

Nascida em 1928, em Amareleja, estreou-se no palco com treze anos no Teatro Nacional D. Maria II, em 1941, na peça “Vendaval”, de Virgínia Vitorino, com a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro. No início da sua carreira de atriz trabalhou com João Villaret, Maria Matos, Vasco Santana e Mirita Casimiro.

Estreia-se no cinema em 1946 no filme “Camões”, de Leitão de Barros, contracenando com António Vilar. Na década de 1940 trabalha em cinco filmes: “Um Homem do Ribatejo”, de Henrique Campos, “Os Vizinhos do Rés-do-Chão” (1947), de Alejandro Perla, “A Morgadinha dos Canaviais” (1949), de Caetano Bonucci e Amadeu Ferrari, e “Ribatejo” (1949), de Henrique Campos, “Cantiga da Rua” (1950), de Henrique Campos. Só voltaria a fazer cinema mais tarde, na década de 1960, com o neo-realista “O Trigo e O Joio” (1965), de Manuel Guimarães.

No cinema trabalhou ainda em filmes tão importantes como “Manhã Submersa”, de Lauro António, “Repórter X” (1987), de José Nascimento, “Matar Saudades” (1988), de Fernando Lopes, “Tempos Difíceis” (1988), de João Botelho, “Entre os Dedos” (2008), de Tiago Guedes e Frederico Serra. Em 2015, recebeu o Prémio Carreira da Academia Portuguesa de Cinema.

A sua última interpretação no cinema poderá ser visto no filme “Amadeo”, de Vicente Alves do Ó, filme que se encontra em fase de pós-produção e que deverá estrear em agosto deste ano.

A partir da década de 1950 divide-se entre o teatro e a televisão. Na televisão destacou-se em filmes e séries como “Mãe Coragem e os Seus Filhos” (1987), “A Morgadinha dos Canaviais” (1990), “A Banqueira do Povo” (1993), “Todo o Tempo do Mundo” (1999-2000), “Olhos de Água” (2001), entre outros.

A Presidência da República distinguiu-a como Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1981), com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1991) e com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2011).

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