Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival anuncia filmes vencedores da 12.ª edição

“My Sextortion Diary”, que retrata crime de extorsão sexual, de Patricia Franquesa, vence o Prémio de Longa-Metragem do 12.º Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival. O evento continua na Cinemateca Portuguesa de 3 a 6 de novembro, com obras de cineastas balcânicas
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“My Sextortion Diary”, de Patricia Franquesa

“My Sextortion Diary”, que retrata crime de extorsão sexual, de Patricia Franquesa, vence o Prémio de Longa-Metragem do 12.º Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival. O evento continua na Cinemateca Portuguesa de 3 a 6 de novembro, com obras de cineastas balcânicas.

O documentário “My Sextortion Diary”, que retrata o crime de sextorsão, da realizadora espanhola Patricia Franquesa, venceu o Prémio de Longa-Metragem da 12.ª edição do Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival. Após roubarem o seu portátil, um hacker ameaça divulgar fotos íntimas de Patricia, exigindo dinheiro em troca do silêncio.

Com pouca ajuda das autoridades, ela decide conduzir a sua própria investigação, para tentar recuperar a privacidade e o controlo sobre a sua vida. “Recusando o papel de vítima, ela reivindica a sua imagem e a sua narrativa”, justifica o júri, composto pela realizadora e antropóloga Catarina Alves Costa e pelas programadoras culturais Deborah Micheletti e Teresa Althen“O resultado é um filme urgente e profundamente atual: cru, político e profundamente emancipador”, acrescenta o júri.

A Menção Honrosa na competição de longas-metragens foi para “Echo of Sunken Flowers”, da italiana Rosa Maietta“pela dedicação e imaginação da realizadora ao dar vida a estas histórias, ligando o passado ao presente”. O documentário mergulha no Arquivo do Estado de Nápoles, reconstruindo as trajetórias de mulheres há muito esquecidas e silenciadas.

 

O prémio de Melhor Curta-Metragem foi para “Made of Sugar”, da espanhola Clàudia Cedó. Composto por Catarina Ramalho, Cláudia Clemente e Ena Rahelić, o júri distinguiu este filme pela “abordagem profundamente humana, sem paternalismos em relação às pessoas com deficiência”“O filme lança luz sobre a profundidade emocional e a relevância social das suas vidas, bem como sobre o peso emocional que as atravessa”, justifica o júri.

“Chikha”, uma co-produção entre França e Marrocos, pelas mãos da dupla Zahoua Raji e Ayoub Layoussifi, recebeu uma Menção Honrosa na competição de curtas-metragens. O filme “celebra a coragem e a força de vontade das mulheres através de uma realização dinâmica e delicada — planos e montagem que sublinham o retrato íntimo da realizadora sobre uma sociedade presa às diferenças de classe e às suas restrições”.

O prémio da secção Travessias, dedicada a filmes que abordam migrações, racismo e colonialismo, foi atribuído a “Almost Certainly False”, da realizadora turca Cansu Baydar“pela verdade íntima e pela força de transformar o simples em essencial”“O filme destaca-se pelo jeito com que transforma o quotidiano de uma jovem mulher refugiada em uma reflexão sobre força e empoderamento feminino, sem cair em estereótipos”, segundo o júri, formado por Marcia Mansur, Sara de Melo Rocha e Talita Carvalho.

Na mesma secção, foi atribuída uma Menção Honrosa“This Home is Ours”, da palestiniana Shayma’ Awawdeh“uma obra sobre a coragem de duas mulheres que fazem da câmara um instrumento de defesa e de testemunho”. De acordo com o júri, “o filme impressiona pela força das suas personagens, pela relevância do tema e pela tensão presente em cada imagem”.

Já o prémio da secção Começar a Olhar, dedicada a filmes de escola, foi atribuído ao documentário “Diorama”, da italiana Elena Conti, que, “com uma linguagem visual inovadora e poética, explora temas muito relevantes, como o drama da emigração e a ideia de pertença”. Segundo o júri, formado por Ana Bilankov e Rita Benis, “o filme experimenta ousadamente jogar com a forma, combinando imagens em movimento e estáticas, criando uma rica experiência visual e emocional”.

Na mesma secção, foi ainda atribuída uma Menção Honrosa a “Cantos da Metamorfose Ou Aquela Vez Em Que Eu Encarnei Como Boto”, de Ainá Xisto, uma co-produção entre Portugal e Brasil. “Esbatendo a linha entre a realidade e o além, o filme abre passagem para outras culturas, outras dimensões e profundezas ocultas dentro de nós próprios”, diz o júri. A curta-metragem “Viajante 1”, filme português que faz uma homenagem aos primórdios do cinema, de Luísa Villas-Boas, venceu o Prémio Inatel, concedido a produções portuguesas.

A longa-metragem “Shrinking Space”, de Cristina Mora e Norma Nebot, e a curta-metragem “Palestine Islands”, de Nour Ben Salem e Julien Menanteau, foram os filmes mais votados pelo público.

A programação do Festival continua: “Guardadoras de Histórias, Guardiãs da Palavra”, de Raquel Freire, será apresentado no Museu do Aljube no dia 4 de Novembro. De 3 a 6 de Novembro na Cinemateca Portuguesa, serão exibidos quatro filmes de duas cineastas balcânicas, a realizadora e produtora bósnia Jasmila Žbanić e a actriz e realizadora sérvia Mirjana Karanović. “A Good Wife” será exibido a 3 de Novembro, seguido por uma conversa com Mirjana Karanović.

No dia seguinte, 4 de Novembro, ela também apresentará “Esma’s Secret”, de Jasmila Žbanić, vencedor do Urso de Ouro na Berlinale de 2006, onde interpreta a protagonista. A mostra inclui mais duas obras de Jasmila Žbanić: “On The Path” (2010), apresentado a 5 de Novembro, em que um ex-combatente encontra no radicalismo religioso o único refúgio contra os seus traumas, e “Quo Vadis, Aida?” (2020), em programa a 6 de Novembro.

 

FILMES VENCEDORES

 

Competição Longas-Metragens

Melhor Filme: “My Sextortion Diary”, de Patricia Franquesa

Menção Honrosa: “Echo of Sunken Flowers”, de Rosa Maietta

 

Competição Curtas-Metragens

Melhor Filme: “Made of Sugar”, de Clàudia Cedó

Menção Honrosa: “Chikha”, de Zahoua Raji e Ayoub Layoussifi

 

Competição Travessias

Melhor Filme: “Almost Certainly False”, de Cansu Baydar

Menção Honrosa: “This Home Is Ours”, de Shayma’ Awawdeh

 

Competição Começar a Olhar

Melhor Filme: “Diorama”, de Elena Conti

Menção Honrosa: “Cantos da Metarmofose ou Aquela Vez Em Que Eu Encarnei Como Boto”, de Ainá Xisto

Prémio INATEL: “Viajante 1″, de Luísa Villas-Boas

 

Prémios do Público

Melhor Curta-Metragem: “Palestine Islands”, de Nour Ben Salem e Julien Menanteau

Melhor Curta-Metragem (2º lugar): “Ezda”, de Halime Akturk

Melhor Longa-Metragem: “Shrinking Space”, de Cristina Mora e Norma Nebot

Melhor Longa-Metragem (2º lugar, ex aequo): “Apollon By Day Athena By Night”, de Emine Yildirim, e “Mulheres, Terra, Revolução”, de Rita Calvário e Cecília Honório