Paulo Branco, durante a apresentação da edição em DVD e Blu-ray de “Mistérios de Lisboa”, que estará à venda a partir de 30 de Abril em exclusivo nas lojas Fnac, que irá produzir o novo filme de Raúl Ruiz, que se irá chamar “As Linhas de Torres Vedras” na versão portuguesa, “The Lines of Wellington” na versão inglesa e “Débâcle” na versão francesa. O argumento, escrito por Carlos Saboga (que adaptou “Mistérios de Lisboa”), passa-se no período das invasões francesas em Portugal no século XIX, com histórias de várias personagens a convergirem até à batalha final nas linhas fortificadas de Torres Vedras. Ou seja, irá ter uma estrutura muito semelhante a “Mistérios de Lisboa”, tal como o elenco será praticamente o mesmo e o orçamento irá rondar os 4,5 milhões de euros ( será uma co-produção franco-canadiana com o apoio da RTP). Para além de um filme irá ser feita uma série de três episódios de 45 minutos cada.

 

“As Linhas de Torres Vedras” decorre em 27 de Setembro de 1810, as tropas francesas comandadas pelo marechal Massena, são derrotadas na Serra do Buçaco pelo exército anglo-português do general Wellington. Apesar da vitória, portugueses e ingleses retiram-se a marchas forçadas diante do inimigo, numericamente superior, com o objectivo de o atrair a Torres Vedras, onde Wellington fez construir linhas fortificadas dificilmente transponíveis. Simultaneamente, o comando anglo-português organiza a evacuação de todo o território compreendido entre o campo de batalha e as linhas de Torres Vedras, numa gigantesca operação de terra queimada, que tolhe aos franceses toda a possibilidade de aprovisionamento local. É este o pano de fundo das aventuras de uma plêiade de personagens de todas as condições sociais – soldados e civis; homens, mulheres e crianças; jovens e velhos -, arrancados à rotina quotidiana pela guerra e lançados por montes e vales, entre povoações em ruína, florestas calcinadas, culturas devastadas. Perseguida encarniçadamente pelos franceses, atormentada por um clima inclemente, a massa dos foragidos continua a avançar cerrando os dentes, simplesmente para salvar a pele, ou com a vontade tenaz de resistir aos invasores e rechaçá-los do país, ou ainda na esperança de tirar partido da desordem reinante para satisfazer os mais baixos instintos. Todos, quaisquer que sejam o seu carácter e as suas motivações – do jovem tenente idealista Pedro de Alencar, passando pela maliciosa inglesinha Clarissa Warren, ou pelo sombrio traficante Penabranca, até ao vindicativo sargento Francisco Xavier e à exuberante vivandeira Martírio -, convergem por diferentes caminhos para as linhas de Torres, onde o combate final deve decidir do destino de cada um.

 

Paulo Branco descreveu este filme como “Uma espécie de «Guerra e Paz» à portuguesa”. Será um filme, cuja rodagem arranca em Setembro, que iremos aguardar ansiosamente para ver o resultado final desta dupla (Branco e Ruiz) que tem maravilhado o mundo com “Mistérios de Lisboa. Assim, “As Linhas de Torres Vedras” só irá estrear em 2012. Já no próximo mês de Maio irá arrancar a rodagem de “Cosmopolis”, um filme de David Cronenberg que também conta com a produção de Paulo Branco e Robert Pattinson como protagonista, que será filmado no Canadá.