“Underground: Era uma vez um país”: Clássico de Emir Kusturica regressa as salas nacionais

Em formato restaurado em 4K, a distribuição desta nova cópia está a cargo da Nitrato
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"Underground: Era uma vez um país", de Emir Kusturica

Obra-prima de Emir Kusturica, “Underground: Era uma vez um país”, regressará às salas nacionais em formato restaurado em 4K, a partir de 25 de julho.

Estreado em Portugal em março de 1996, o filme vencedor da Palma de Ouro de Cannes de 1995 transcende as simples (mas boas) crónicas sobre a desintegração de um país. É um retrato original, absurdo, mordaz e com toques de comédia negra, que examina a Jugoslávia entre 1941 e 1992 e a sua herança histórica de maneira única.

A distribuição desta nova cópia restaurada está a cargo da Nitrato.

Undergroud: Era uma vez um país

“Underground: Era uma vez um país” é considerado um clássico instantâneo e narra a história de Marko (Miki Manojlovic) e Blacky (Lazar Ristovski), dois traficantes de armas. Durante a Segunda Guerra Mundial, eles gerem uma pequena fábrica de armamentos, tentando constantemente despistar os nazis.

O verdadeiro conflito surge quando, após a libertação da Jugoslávia, Marko continua a enganar os seus amigos, fazendo-os acreditar que os nazis ainda estão a ganhar a guerra. Assim, mantém-nos presos e obriga-os a produzir armas.

O filme abrange mais de cinquenta anos, preservando sempre a sua essência única.

Bregović

Pensar em “Underground: Era uma vez um país”, é também pensar em música, elemento tão importante do filme (e tão aplaudido). Composta por Goran Bregović, tornou-se um imediato êxito popular e nela até encontramos Cesária Évora.

Bregović, que já colaborara com Kusturica em “Vida Cigana” e “Arizona Dream: Um Sonho Americano”, inspira-se na música cigana dos Bálcãs para a banda sonora de “Underground: Era uma vez um país”.

Focando-se na percussão e nos instrumentos de sopro, especialmente os metais, ele funde ritmos e melodias dos Cárpatos, do Cáucaso e dos Urais. Este processo resulta em temas e variações que captam a diversidade de povos e as complexas posições políticas abordadas por Kusturica.

Kusturica emprega a música como um contraponto quase independente, semelhante a uma disputa desigual em campo aberto, onde as vozes se harmonizam, porém cada uma evoca sensações distintas nos ouvintes.

Além disso, a busca pela identidade e os conflitos entre identidades são habilmente explorados por essa faceta do filme, que evoca a abordagem musical única de Federico Fellini em seus filmes e a forma como Nino Rota capturava essa essência musical. Essa comparação foi destacada por Deborah Young, da Variety, que comentou: “Se Fellini tivesse filmado um filme de guerra, seria parecido com Underground”.

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