“10 Anos, 10 Filmes” é o primeiro de vários artigos especiais que visam comemorar o 10.º aniversário do Cinema 7.ª Arte (2008-2018). Se em 2017, no 9.º aniversário, recuamos nove anos para escrutinar o ano cinematográfico de 2008, o primeiro ano do site, em 2018 fazemos uma retrospectiva de uma década de cinema.

Na última década, tanto ao nível da ficção como do documentário, tem surgido uma nova geração de jovens realizadores portugueses que têm ocupado as selecções dos grandes festivais nacionais e internacionais de cinema. No campo da curta-metragem estes são alguns dos principais nomes da nova geração de jovens cineastas que têm vindo a ser premiados: Leonor Teles, Ana Moreia, João Viana, Paulo Patrício, João Rosas, David Doutel, Vasco Sá, Gabriel Abrantes, José Miguel Ribeiro, Laura Gonçalves, Alexandra Ramires (Xá) Pedro Peralta.

São várias as longas-metragens que marcaram a última década cinematográfica, na qual o cinema português se tem vindo a destacar com casos de grande sucesso internacional como: “Aquele Querido Mês de Agosto” (2008), de Miguel Gomes, “José e Pilar” (2010), de Miguel Gonçalves Mendes, “Sangue do Meu Sangue” (2011), de João Canijo“Linha Vermelha” (2012), de José Filipe Costa, “Tabu” (2012), de Miguel Gomes, “João Bénard da Costa: Outros Amarão as Coisas que eu Amei” (2014), de Manuel Mozos, “São Jorge” (2016), de Marco Martins, “Ama-San” (2016), de Cláudia Varejão, “El Dorado XXI” (2016), de Salomé Lamas, “O Ornitólogo” (2016), de João Pedro Rodrigues“A Fábrica de Nada” (2017), de Pedro Pinho, e “Verão Danado” (2017), de Pedro Cabeleira.

Quanto às cinematografias de outros países estes são alguns dos olhares mais significativos da década: “A Valsa com Bashir” (2008), de Ari Folman, “Andando” (2008), de Hirokazu Koreeda“Um Homem Singular” (2009), de Tom Ford, “Lola” (2009), de Brillante Mendoza, “O Laço Branco” (2009), de Michael Haneke, “Uma Separação” (2011), de Asghar Farhadi, Vergonha” (2011), de Steve McQueen“Amor” (2012), de Michael Haneke, “Bárbara” (2012), de Christian Petzold, “Moonrise Kingdom” (2012), de Wes Anderson,“O Conto da Princesa Kaguya” (2013), de Isao Takahata,“Ida” (2013), de Pawel Pawlikowski,“Boyhood: Momentos de Uma Vida” (2014), de Richard Linklater, “Leviatã” (2014), de Andrey Zvyagintsev“The Revenant: O Renascido” (2015), de Alejandro G. Inarritu“Taxi” (2015), de Jafar Panahi, “Os Oito Odiados” (2015), de Quentin Tarantino, “A Assassina” (2016), de Hou Hsiao-Hsien, “Aquarius” (2016), de Kleber Mendonça Filho, “A Morte de Luís XIV” (2016), de Albert Serra“Chama-me Pelo Teu Nome” (2017), de Luga Guadagnino, “No Intenso Agora” (2017), de João Moreira Salles,“Western” (2017), de Valeska Grisebach“O Quadrado” (2017), de Ruben Östlund, “120 Batimentos por Minuto” (2017), de Robin Campillo.

Tem-se sentido uma maior presença nas salas e nos festivais de cinema e uma maior atenção por parte do público ao cinema da Europa de Leste (Christian Petzold, László Nemes, Pawel Pawlikowski, Andrey Zvyagintsev, Aki Kaurismäki), da Ásia (Hirokazu Koreeda, Kirsten Tan, Ari Folman, Asghar Farhadi, Jafar Panahi, Ronit Elkabetz), e da América Latina (Pablo Larrain, Damián Szifron, Alonso Ruizpalacios, Alejandro González Iñárritu).

O Cinema 7.ª Arte lançou o desafio aos seus colaboradores para que cada um escolhesse dez filmes que os tenham marcado mais, desde 2008 a 2018. Um desafio um tanto agridoce, tendo em conta que, em dez anos, são vários os filmes que mereciam especial atenção. Esta lista (que é apenas isso mesmo, uma lista), pensada por nove membros do site, foi realizada, no entanto, através de um processo de votação em que cada membro atribuiu aos filmes. De entre os muitos filmes que se repetiram, foram seleccionados 71, dos quais saíram dez finalistas. Quatro são de língua inglesa, outros quatro são falados em português e dois são de língua húngara.

Em primeiro lugar, o filme mais votado, sem qualquer margem para dúvidas, foi “Eu, Daniel Blake” (2016), um filme comovente com uma grande mensagem e de um realismo verdadeiramente brutal, no sentido mais literal da palavra, sobre o Estado Social da Europa, sempre com uma simplicidade e eficácia a que Ken Loach já nos acostumou. Não é à toa que este retrato bem apanhado de uma sociedade desumanizada, que nos converte em números, se torna o favorito dos colaboradores do Cinema 7.ª Arte. Esta poderosa obra, em que o Estado social coloca em causa a dignidade humana, é o mais fiel retrato da nossa sociedade, da Europa que temos. Com a ascensão do pensamento de direita que contamina o mundo, alimentado por sucessivas crises económicas, o Estado matou Daniel Blake. Este nome é o grito de revolta que marcou a última década.

Sátiras sobre o racismo e sobre a sociedade atual, filmes sobre a memória que nos faz recordar aqueles que morreram nas salas de gás de Auschwitz, sobre compreender uma adolescência em transformação, sobre viver a crise financeira através daqueles que sofreram por ela e filmes sobre os fantasmas de abril. São estes os enquadramentos presentes nestes 10 filmes. Estas são as nossas escolhas. É apenas uma lista, mas que enquadra bem a última década de cinema.

1.º Eu, Daniel Blake, de Ken Loach (2016) – Cláudio Azevedo

Vencedor da palma de ouro na edição de 2016 do Festival de Cannes, “Eu, Daniel Blake” surge na forma de um filme-manifesto que se insurge contra a precariedade crónica que assola a nossa sociedade actual.  Este filme possui um vincado tom anarquista, pois Ken Loach, através de Daniel Blake, mostra como o Estado e a sua máquina burocrática conseguem separar uma pessoa daquilo que ela pode, fazendo com que ela se sinta impotente e miserável porque é incapaz de fazer frente aos infinitos obstáculos que são criados pelas instituições estatais. O conflito geracional é também um dos temas centrais deste filme: a rápida evolução tecnológica e a automatização das instituições faz com que as gerações mais velhas não consigam acompanhar este ritmo frenético de novidades tecnológicas, por outro lado, Ken Loach mostra como estas gerações possuem capacidades que hoje se começam a perder e que sempre foram preciosas mais-valias nas suas vidas, que eram mais exigentes no que toca à capacidade de sobrevivência face à escassez de meios de que dispunham. Ken Loach dá uma grande lição de vida neste seu filme: por mais que essas forças estatais nos queiram separar do que podemos, existirá sempre a possibilidade de um gesto verdadeiramente político, um acto rebelde, que poderá vir desde dentro de uma lata de spray e cuja ousadia provocará uma reacção visual, uma nova leitura da realidade, uma consciência nova e inesperada, criada pela espontaneidade de um simples gesto. Por mais que queiram derrubar as partes mais vulneráveis da sociedade e ajudar a gerir a avultada riqueza de uma minoria, teremos sempre como armas de combate, amor, um pouco de raiva e uma lata de spray.

2.º As Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes (2015) – Tiago Resende

A trilogia “As Mil e Uma Noites”, sobre um país socialmente devastado, foi sem dúvida o filme português mais badalado de 2015. Esse país é Portugal. Miguel Gomes estreou-o na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes (2015), onde foi aclamado pela crítica e pelo público, tendo percorrido outros grandes festivais de cinema internacionais onde arrecadou distinções como o Prémio da Crítica Internacional (FIPRESCI) ou o prémio máximo da selecção oficial do Festival de Cinema de Sydney. Este épico social inspira-se na estrutura do livro “As Mil e uma Noites” para criar uma epopeia portuguesa sobre a crise de Portugal. Distribuído comercialmente em três partes (“O Inquieto”, “O Desolado” e “O Encantado”), esta trilogia faz um retrato real e comovente do nosso país, com uma visão bastante crítica e mordaz. Portugal vive um período de violenta austeridade, atormentado por um governo e uma troika que empobrecem o povo português de forma intencional, ao serviço do capital financeiro internacional. O realizador apresenta um ponto de vista crítico em relação a isso, traçando um retrato profundo de um país socialmente devastado. No seu conjunto, esta é uma obra arriscada que retrata um país desesperado. Esta é talvez a mais promissora trilogia do cinema português. “As Mil e Uma Noites” é um retrato único e comovente de Portugal, é a derradeira obra de Miguel Gomes e uma das maravilhas mais cativantes e ousadas do cinema português.

3.º Montanha, de João Salaviza (2015) – Nuno Oliveira

“Montanha”, a primeira longa-metragem de João Salaviza, é o culminar da obra que veio a realizar até 2015. É parte de um corpo que expressa uma adolescência em que os seus protagonistas são confrontados com a inevitabilidade da vida adulta antes deles mesmos estarem preparados para ela. Para além disto, foi também a montanha de Salaviza. Foi com ela que deu provas, apesar de restaram poucas dúvidas, de uma maturidade cinematográfica plena; independentemente da sua juventude (31 anos em 2015, ano de estreia de “Montanha”).  A escalada que começou com curtas como “Arena”, “Rafa”  e “Cerro Negro”, das quais a primeira venceu a Palma de Ouro de Cannes em 2009, a segunda, o Urso de Ouro de Berlim em 2012 e a terceira, o Prémio Sophia da nossa APC.  “Montanha” é um filme que vive de segredos e de incertezas, enfim, da adolescência, o grande tema de Salaviza. O filme é a história de David, um adolescente que vagueia por Lisboa enquanto ele e sua mãe esperam notícias do seu avô, que se encontra hospitalizado. A premissa de “Montanha” é simples, o que o torna fascinante é a forma como o olhar de Salaviza, o trabalho exemplar de David Mourato, o silêncio e os jogos de luz assumem uma presença documental, de um realismo cru, distante, mas sempre atento.

4.º Get Out, de Jordan Peele (2017) – Eduardo Magueta

Um filme de terror realizado por um talentoso comediante sobre os perigos dos afluentes subúrbios americanos que aborda de forma pertinente temas como o racismo, o privilégio social e o terror que é conhecer os pais da nossa cara-metade. “Get Out” é assim uma quimera bizarra que nos chama, devagar, até que finalmente nos puxa o proverbial tapete de baixo dos pés e nos enfia num carrossel que sobe e desce e vira a velocidades alucinantes. Jordan Peele estreia-se assim com impacto no cinema enquanto realizador com uma brilhante sátira que utiliza o nosso medo inato do desconhecido e à falta de enquadramento social para criar um dos melhores filmes de terror dos últimos dez anos e, acima de tudo, uma forma diferente (e por vezes mesmo mais eficiente) de abordar boa parte dos temas que mais ocupam os noticiários actuais. “Get Out” ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original (além de muitos outros prémios) e estreou nas salas nacionais em maio de 2017.

5.º O Cavalo de Turim, de Béla Tarr (2011) – Nuno Oliveira

Apesar de se terem passado cinco anos desde que vi “O Cavalo de Turim”, o plano de sequência que abre o filme perdura na minha memória como um dos mais belos que vi nos últimos dez anos. Escolher a palavra “belo” para adjetivar este filme pode parecer contraditório, mas é propositada. Num filme como este que nos fala de morte, de pobreza, de sofrimento, enfim, da dor da existência, é belo ver o cinema de Tarr, é belo contemplar a sua cinematografia. O cavalo que parece carregar em si todo o peso da vida, cansado, já a espumar da boca, é acompanhado ininterruptamente por aquele longo plano-sequência que o filma por entre uma densa cortina de neblina. A música de Mihály Vig preenche o plano e engole todos os sons. É um requiem que anuncia já o destino trágico das personagens de “O Cavalo de Turim”. Tal como a filosofia de Nietszche em que o filme se inspira, é um filme assumidamente pessimista, mas a sua beleza formal é inquestionável.

6.º Interstellar, de Chirstopher Nolan (2014) – Cláudio Azevedo

Em “Interstellar”, Christopher Nolan consegue juntar, numa harmonia perfeita, a vontade de conhecimento e as emoções humanas. Se o ser humano é confrontado com a possibilidade da sua extinção, então o conhecimento científico torna-se a única hipótese de sobrevivência. Este não é um filme frio que explora apenas o lado cerebral humano e a sua avidez por conhecimento, é antes um filme sobre a força mais misteriosa e impiedosa da existência, o tempo. Neste filme, a ciência é posta ao serviço do Homem, não como um meio assético, descontaminado das paixões que o movem, mas como uma possibilidade de reflexão sobre o amor e as emoções que ele provoca.

7.º O Filho de Saul, de László Nemes (2015) – Eduardo Magueta

As expressões “obra-prima”, “fantástico” ou “genial” são atiradas um bocado ao exagero hoje em dia quando nos aparece um filme pela frente que rompe com qualquer expectativa ou se destaca dos restantes, mas a verdade é que “O Filho de Saul” é daquelas obras que merece estes adjectivos (ou pelo menos se entende). Este filme, do realizador húngaro Làzló Nemes, centra-se no período de dois dias de um funcionário de limpeza e recolha de bens das salas de gás de Auschwitz que tenta simplesmente enterrar de forma digna uma criança. Uma narrativa simples mas visceral, que a nível técnico usa o cinema em todo o seu esplendor mais intimista, quase como um belo soco no estômago, doloroso mas memorável. “O filho de Saul” acabou por ganhar todo o tipo de prémios, desde um BAFTA até um Óscar, e estreou nas nossas salas de cinema em fevereiro de 2016.

8.º O Estranho Caso de Angélica, de Manoel de Oliveira (2010) – Regina Machado

Na transição entre a década de quarenta e cinquenta, durante um período de inatividade cinematográfica, é na região do Douro Vinhateiro que Manoel de Oliveira se refugia, reavalia e pensa o cinema. Neste período, Oliveira elabora argumentos de filmes que nunca saíram da gaveta, assim como de filmes que apenas seriam realizados várias décadas volvidas. É o que acontece com “O Estranho Caso de Angélica”, que nasce a partir de uma experiência pessoal do realizador. Na década de 50, quando era hábito perpetuar a imagem dos ente-queridos falecidos numa fotografia, Isaac (Ricardo Trêpa) é incumbido dessa tarefa, enquanto único fotógrafo das redondezas. Vão chamá-lo à pensão onde habita para uma última fotografia que o aprisionou tanto quanto a beleza da jovem falecida Angélica (Pilar López de Ayala) por quem se apaixona. É então que o espírito de Angélica sai das fotografias que se encontram espalhadas pronto a invadir a “realidade do sonho” de Isaac. Juntos sobrevoam as belas paisagens do Douro Vinhateiro originando uma das mais belas cenas do filme quando os espíritos dos dois se unem durante a noite, com os dois espectros a bailarem sobre as nuvens, numa cena que nos remete para os primórdios do cinema e dos efeitos especiais, em especial as obras de George Méliés. “O Estranho caso de Angélica” é uma obra ao melhor estilo de Manoel de Oliveira, um caso onde o realizador nos propõe uma reflexão através de paradoxos como a vida e a morte, o material e o místico, o infinito e o transitório, originando que as suas imagens perfaçam uma beleza superior às imagens em movimento. É essencialmente um filme sobre cinema, um filme sobre uma atração pelo cinema e pela forma como este permite um mundo alternativo onde tudo é possível, até uma história de amor que nos faz ainda mais acreditar no que habitualmente se diz: a alma transcende o corpo. Talvez o amor também.

9.º A Árvore da Vida, de Terrence Malick (2011) – Inês Paredes

Na Bíblia, a Árvore da Vida é conhecida como sendo aquela que fica no centro do Jardim do Éden, cujo fruto é colhido por Adão e Eva. Na Bíblia de Terrence Malick, a Árvore da Vida é uma reflexão sobre a natureza humana e o nosso caminho neste planeta. O filme não tem uma estrutura narrativa linear, nem uma linha cronológica ou trama específica: é feita através de fragmentos de memórias, sentimentos, impressões e pensamentos das personagens – especialmente de Jack O’Brien, onde este descobre a juventude, a rigidez do pai e a serenidade da mãe, e passa os dias com os irmãos R.L. e Steve – a morte do primeiro dá, de certa forma, início ao filme. Brad Pitt, como pai de Jack, tem uma atuação bastante madura, com uma severidade cuidada através do seu corte de cabelo à militar, e dos seus modos algo calculistas – fugindo de sua zona de conforto. Jessica Chastain é uma revelação, no papel de uma mãe que comunga intensamente com a Natureza. Mas Hunter McCracken merece aqui o verdadeiro mérito, transmitindo-nos as marcas que os transtornos da adolescência e da perda do seu irmão e melhor amigo deixaram. É curiosamente triste pensar que Heath Ledger interpretaria o Sr. O’Brien, se aquela madrugada de 22 de janeiro de 2008 não tivesse acontecido. Brad Pitt foi então chamado para o papel após a sua morte. “Árvore da Vida” é uma experiência espiritual para ateus, crentes, universalistas e, principalmente, para cinéfilos.

10.º Cavalo Dinheiro, de Pedro Costa (2014) – Tiago Resende

Uma carta de Ventura a Vitalina, uma carta de promessas que se ficaram por cumprir. As Fontainhas já não existem, mas continuam a habitar o imaginário do cinema de Pedro Costa. “Cavalo Dinheiro” assume-se como o mais político dos filmes de Costa e uma das grandes obras-primas do cinema português. Um filme assombrado pela memória, entre o passado e o presente. Em “Cavalo Dinheiro”, Ventura confronta-se com os fantasmas da nossa história, da revolução do 25 de abril. Pedro Costa questiona-nos se a revolução foi um sonho ou um pesadelo. Depois da revolução só se falou de vencedores e vencidos; e os outros? Ficou tudo por se cumprir. Querem enganar-nos, mas Pedro Costa revela-nos, através das memórias daqueles homens que vieram de Cabo Verde, à procura de um sonho, a dura realidade, a dura verdade. Ventura vive num sonho, fala com fantasmas, vive preso ao passado e a uma vida que nunca se concretizou. No final, Costa diz-nos que ainda existe alguma esperança. Costa compara esse sonho ao do sonho americano, os sonhos que não foram cumpridos, através de uma série de fotografias de Jacob Riis, de imagens de pobres em Nova Iorque. Todo o filme nos prepara para a cena do elevador, o clímax do filme, o confronto entre Ventura e o soldado do MFA num cenário assombrado. Esta carta de Ventura a Vitalina não é despropositada. O próximo filme de Pedro Costa será “Vitalina Varela” (deverá estrear em 2019), onde poderemos ver cumprida a espera de 25 anos pelo seu bilhete de volta a Cabo Verde e a chegada três dias depois do funeral do seu marido.