Análise Formal

Chaplin acaba de estrear “A Opinião Pública” em 1923 e apercebe-se de que para voltar a ter sucesso tem de trazer de volta a sua personagem mais famosa, O Vagabundo. Dois meses depois começa a filmar “A Quimera do Ouro”. Foi ao ver uns slides estereoscópicos que descreviam a corrida dos exploradores ao ouro e da leitura de um livro acerca do desastre de Donner Party, no qual um grupo de emigrantes, presos nos nevões da Sierra Nevada, se viram obrigados a comerem os seus sapatos e os cadáveres dos seus companheiros mortos, que Chaplin foi buscar inspiração para a realização deste filme. Em 1923 começa a rodar o filme, que durou dezoito meses. As primeiras imagens de abertura do filme foram as mais caras de Chaplin. Usou cerca de 600 figurantes, na sua maior parte vagabundos que foram trazidos de comboio de propósito para escalarem o trilho de 700 metros, através da neve das montanhas. Chaplin filmou durante duas semanas no Alasca e as cenas principais foram filmadas num estúdio, em Hollywood. Recriaram as montanhas geladas, a cabana, onde foram usados vários efeitos especiais. O filme teve um estrondoso sucesso mundial. Chaplin afirmou com frequência que “A Quimera do Ouro” era o filme pelo qual queria ser lembrado. Em 1942, dezassete anos depois da estreia do filme (1925), Chaplin cria uma nova versão do filme. Compôs uma Banda Sonora para o filme e substitui os inter-títulos por comentários feitos por ele próprio, ou seja, Chaplin narra a história. A versão original, 1925, dura 96min e a versão sonora, 1942, dura 69min. Na versão de 1925, o filme termina com um beijo entre Chaplin e Georgia Hale, enquanto que na versão de 1942 o filme termina com Chaplin dizendo que ela será sua esposa.

 

A Quimera do Ouro

Em “A Quimera do Ouro” Charlot parte para o Alasca à procura de ouro. Solitário encontra abrigo numa cabana isolada, onde viria a conhecer Big Jim. A fome atormenta-os e Big Jim tenta comer Charlot. Entretanto na cidade, apaixona-se por Georgia, uma dançarina. A sequência aqui em análise é no momento em que Big Jim, cheio de fome, começa a ter alucinações e pensa que Charlot é uma galinha. Big Jim tenta apanhar a galinha gigante para a comer. Depois de muito esforço e Charlot ter explicado que não era uma Galinha, Big Jim pede desculpa. Mas a fome de Jim era tanta que mesmo sabendo que Charlot não era uma galinha, tenta matá-lo da mesma forma. Charlot tenta fugir, até enquanto dorme fica atento a qualquer movimento de Jim. Quando os dois estão a lutar, entra pela cabana um urso, que Charlot acaba por matar. Os dois já não passam mais fome!

 

Em “A Quimera do Ouro” o combate é com a Natureza, com a Natureza mais impiedosa, isto é, com a tempestade, o frio, a fome, a solidão. Nesta sequência temos 33 planos e uma duração de 6:22min. Chaplin geralmente usa os planos, geral (plano 1) e inteiro (plano 2, por exemplo). Nesta sequência existem bastantes planos médios (planos 3 a 7, por exemplo) e próximos de peito (plano 24). Há também alguns planos de pormenor, por exemplo plano 27. Chaplin nesta sequência usou um efeito especial, a transformação do homem para galinha, que transmite um simbolismo. A fome de Big Jim é mostrada por esta transformação em galinha. É uma analogia ao canibalismo, que é frequente no Alasca devido ao frio. Big Jim mesmo sabendo que Charlot não é uma galinha tenta o matar na mesma, de tal maneira é a fome. Chaplin consegue até passar os tiques de Charlot à galinha, nota-se pela sua maneira de andar. A música, composta por Chaplin, nesta sequência é também muito importante. Ela reforça a ideia, dando mais realismo à imagem.

 

Conclusão

Não existe cineasta mais famoso no mundo do que Chaplin, e o seu filme mais famoso, “A Quimera do Ouro”. O próprio Charles Chaplin afirmou que “A Quimera do Ouro”, é “o filme pelo qual gostaria de ser recordado”. Pode-se ver neste filme, que Chaplin compreendia e dominava todas as técnicas cinematográficas, apesar de usar na maioria das vezes a mesma escala de planos.