Especial de Natal: Cinema Sétima Arte recomenda

SOS Fantasmas (1988), de Richard Donner SOS Fantasmas (1988), de Richard Donner
"SOS Fantasmas" (1988), de Richard Donner, com Bill Murray

O Natal é uma altura mágica e cheia de esperança. É um momento em que as famílias se juntam para celebrar o amor e a união. Os filmes natalícios são parte importante nesta tradição, ajudando-nos a conectar com o espírito natalício.

Imagine uma família reunida no sofá, a assistir a um filme de Natal. As crianças riem e saltam de alegria, enquanto os adultos se emocionam com as histórias de amor e esperança. O ambiente é caloroso e festivo, e todos se divertem juntos.

Esta é a magia dos filmes natalícios. Transportam-nos para um mundo de fantasia e alegria, onde tudo é possível. Fazem-nos sentir bem, relembram-nos do que é importante na vida e inspiram-nos a sermos pessoas melhores.

Ao longo dos anos, o cinema tem produzido muitos filmes natalícios clássicos. Desde comédias leves até grandes clássicos festivos, de comédias românticas a filmes de animação, todos os filmes de Natal têm algo em comum: todos os anos, à medida que se aproxima o dia 25 de dezembro, são transmitidos gratuitamente na televisão e também em serviços de streaming.

A Netflix, o Amazon Prime Video e o Disney+ iluminam-se com vitrines de Natal, oferecendo-nos títulos imperdíveis, desde “Sozinho em Casa” até “O Grinch”, e novamente “O Amor Acontece” e The Nightmare Before Christmas.

Por isso, nós, amantes de filmes, elaboramos uma lista especial com algumas recomendações:


Cátia Santos recomenda “Carol” (2016), de Todd Haynes:

“Este não é, talvez, um típico filme para ser visto no Natal, mas o seu ambiente remete-nos para as memórias felizes normalmente associadas à época. Para quem não é apegado a memórias por completo felizes, “Carol” tem ainda aquele sabor agridoce da expectativa e da desilusão, como a que se segue quando, na manhã do dia 25, nos quedamos na ressaca dura da consoada. No final, fica só a memória daquilo que realmente nos faz a todos viver (bem!): o amor, proibido ou não, daqueles que aquece por dentro, mas também é capaz de tirar-nos o tapete confortável e fofo debaixo dos pés”.

Cláudio Azevedo recomenda “Música no Coração” (1965), de Robert Wise:

“Não existe Natal sem um forte sentimento de nostalgia ou melancolia. A verdade é que nenhum outro momento do ano me activa, com tanta intensidade, o poder afectivo que existe no mundo simbólico da memória; creio profundamente que apenas aí reside tudo o que podemos chamar magia. A magia que pode estar contida num objecto, num signo, numa imagem, num filme que têm o poder de nos trazer um momento, um espaço, e sobretudo, alguém que vivificou esse espaço e esse tempo e que já não está presente. O filme “Música no Coração” tem esse poder mágico de me trazer uma memória afectiva de pessoas e lugares: da minha família e da casa dos meus avós. Algo me fascinava naquela história: uma freira a transbordar de alegria e de vida, que conseguia trazer a inocência, a ternura e a música de volta a um grupo de crianças que, até à sua chegada, vivia de tristeza e de leis; num um regime inspirado pelas más companhias que frequentavam a casa e que tinham os pés demasiado pesados para conseguirem chegar à leveza necessária para dançar. Este filme traz-me não só esta memória nostálgica do Natal na minha infância, mas também a melancolia de um cinema que desapareceu, um cinema que conseguia estar à altura da criança que fomos; que ainda transmitia o calor, inocente e humano, que entre tanto vanguardismo se dissipou. E confesso: percebo hoje muito menos de cinema do que quando era uma criança que via o movimento das imagens com a mesma inocência e entusiasmo com que um gato persegue um pequeno foco de luz”.

Francisco Quintas recomenda “O Padrinho” (1972), de Francis Ford Coppola:

“Chega a ser aborrecida de tão previsível a presença d‘O Padrinho’ (1972) nas listas dos melhores filmes sobre família, sucessão ou crime organizado, além de constar nas mais variadas listas dos melhores filmes de todos os tempos. Ainda assim, é fácil para muitos cinéfilos, mesmo que o tenham visto dezenas de vezes, se esquecerem de que se trata, discutivelmente, de um filme de Natal. À sua maneira, claro. Não, Francis Ford Coppola não filmou as personagens ao redor de um pinheiro enfeitado e reluzente a desfazer embrulhos. O máximo que vemos é uma cena de Michael e Kay a sair de um centro comercial, com prendas debaixo do braço, com ares do amor juvenil e ingénuo que os mantém unidos. Se quisermos ir mais longe, podemos equiparar a carga religiosa do fenómeno festivo e do contexto conservador de uma família de nova-iorquinos sicilianos. Ao passo que o Natal é promovido como uma reunião familiar só com virtude e solidariedade a oferecer, ‘O Padrinho’, além de uma riquíssima aula de cinema, é um retrato fiel dos frutos podres e inevitáveis da arvore genealógica. E de como é possível viver com eles”.

Hugo Gomes recomenda “Os Chapéus de Chuva de Cherburgo” (1964), de Jacques Demy:

“Não sou uma pessoa, digamos, natalícia. Encaro o Natal como uma espécie de obrigação festiva, cujas decorações são “máscaras” para a nossa falta de empatia manifestada durante um inteiro ano, que na chegada deste período, tendemos a vestir os fatos das “boas causas” e abraçar o “espírito” como uma renovação emocional e moral. Queremos ser Scrooges e ao mesmo tempo a sua redenção para o nosso bem sentir. No meu caso, sou um cínico em relação a tudo isto e ao cinema da quadra em particular. Prefiro aqueles em que a festividade não é o centro da trama, nem o assunto imperativo que faz mover as suas personagens de forma milagrosa, mas antes os que tratam o Natal como uma mera passagem espaço-temporal, como vemos em “Eyes Wide Shut”, o derradeiro filme de Kubrick, com Tom Cruise de luvas calçadas, em busca do seu inesperado prazer em fria noite, ou na ação de arranha-céus de “Die Hard” com Bruce Willis a arrepender-se destas festas de empresa que dão para o torto, neste caso não por álcool em excesso mas por terroristas (reconhecível problema, não?). No entanto, não podemos esquecer o musical de Jacques Demy com a letra de Michel Legrand, em que a época assume o cenário para um dos mais esperados momentos climáticos: o reencontro. Sim, falo do magnífico “Les Parapluies de Cherbourg” (1964), que se não é o musical dos musicais, anda lá perto. Aqui, o Natal é vistoso, a música apropria da melodia dos festejos, ouve-se uns “sininhos” em sinfonia e um coro angelical, a neve cai, e a dita árvore, ostentamente travestida, assim como as luzes característicos da celebração, tornam-se enfoques-zeitgeist no preciso encontro entre Genevieve e Guy (Catherine Deneuve e Nino Castelnuovo respetivamente), paixão de juventude agora “condenados” à separação, à distância e consequentemente na busca de novos amores e futuros. A cena dá-se, em um (in)feliz acaso, num posto de gasolina da Esso. Os anteriores jovens, hoje pai e mãe de família, não em comum, repescam aqueles anos de ausência e negligência, ponto por ponto, sem grandes aprofundamentos. O olhar entre ambos deixou há muito de ser afetivo; agora é pesaroso, de arrependimentos, de autocomiseração. Foi um breve contacto resumido numa fuga ainda mais breve, no final, cada um regressa às suas vidas, e o Natal será festejado de maneira distintas com os seus respectivos entes queridos. Acreditamos que esta tenha sido a última vez que se voltaram a ver, tal sente-se numa fatalista despedida, porque o passado ficou no passado, a época natalícia apenas relembra que o futuro é outro”.

Jasmim Bettencourt recomenda “8 Mulheres” (2002), de François Ozon:

“Recheado de cores e excentricidade, este filme é uma experiência camp perfeita para a época de Natal. 8 Mulheres é uma mistura deliciosa de melodrama familiar, whodunnit e musical, centrado, como o título do filme indica, em oito figuras femininas que se encontram isoladas numa mansão na província francesa no meio de um nevão, quando descobrem que o patriarca da família foi assassinado. É um filme com um enredo absolutamente alucinado, com cada cena dando cada vez mais nós sobre este enredo, tornando este filme numa experiência imensamente divertida. Para além disso, apresenta um elenco de sonho, com atrizes lendárias do cinema francês como Catherine Deneuve, Isabelle Huppert e Fanny Ardant, que elevam este filme a níveis de camp estratosféricos. Se o que se procura é um filme de Natal fora da caixa, este certamente é uma escolha maravilhosa e cheia de surpresas”.

José Paiva recomenda “Gremlins” (1984), de Joe Dante:

“Visto e revisto continua a ser um grande filme. Pequenas criaturas que não podem ser alimentadas após a meia noite, mas que nos fazem tremer as pernas ou rir às gargalhadas. Essa inocência de meter medo sem nenhum artifício, usando as falhas técnicas ou falta de meios em prol do filme, fazem de “Gremlins” de Joe Dante um dos grandes clássicos da fantástica década de 80 para o terror com dedo, imagine-se, de Steven Spielberg. Se há coisa que este realizador sabe é escolher bem os filmes que produz. Por outro lado, há, neste filme, um conservar de um estilo onde não era necessário recorrer a efeitos especiais milionários para criar reações no público. Não que daí não tenha vindo também uma grande cinematografia, mas parece ser hoje a regra que retira poder à história e à pureza da experiência cinematográfica. E, claro, “Gremlins” é uma bela escolha para esta época, caso queira assustar um tio mais inconveniente ou o primo chato que só vê no Natal. Ainda vai a tempo de comprar um Mogwai para o filho. Não se esqueça é de cumprir as regras: não o molhar, não o colocar à frente da luz e não o alimentar depois da meia-noite”.

Ligia Maciel Ferraz recomenda “O Diário de Bridget Jones” (2001), de Sharon Maguire:

“Mark Darcy vestido com uma camisola verde-escura com uma grande rena no centro e depois usando uma gravata vermelha com motivos de boneco de neve faz O Diário de Bridget Jones ficar na minha memória como um filme natalino, apesar de efetivamente não o ser. Eu devia ter uns quinze anos quando o assisti pela primeira vez, e, hoje, prefiro ignorar todas as indicações mal ajustadas que o filme faz do que seria uma mulher de trinta e poucos anos – alguém que agora eu mesma sou. Dele, fico com a cena clássica da abertura, com Bridget Jones na sua casa, usando um pijama vermelho, largo e confortável, a beber, fumar e dobrar, com toda a energia possível, All By Myself, interpretada por Jamie O’Neal. Fico também com Bridget dedicada a uma mudança radical, suando na bicicleta do ginásio ao som de I’m Every Woman, por Chaka Khan. E ainda com a cena da briga dos homens de Jones com It’s Raining Men, por Geri Helliwell, ao fundo. O filme de Sharon Maguire é invernal, começa e termina na época das festas de fim de ano, mas aquece qualquer corpo gelado, seja pelas risadas que proporciona, seja pelo ritmo das músicas dançantes”.

Luís Barros recomenda “Eu Sou o Amor” (2009), de Luca Guadagnino

“Talvez não seja a escolha mais óbvia para um filme natalício, quiçá por muitos nem seja considerado um filme de Natal, mas para mim este filme de Luca Guadagnino faz uma interpretação perfeita das dinâmicas familiares. O filme explora a emancipação de Emma (Tilda Swinton), a matriarca da família Recchi, uma família tradicional milanesa, na qual os papéis de género e as aparências marcam as dinâmicas familiares. O envolvimento de Emma numa relação extraconjugal desencadeia uma reavaliação das estruturas familiares. Neste filme, o Natal é apresentado como um momento de celebração e reunião, mas serve também de cenário para a transformação e ponto de viragem na narrativa das personagens, destacando assim um contraste entre as aparências nas épocas festivas e as tensões subjacentes no seio familiar”.

Maria Carolina Baptista recomenda “O Conto da Princesa Kaguya” (2015), de Isao Takahata:

“O meu conselho surge na possibilidade de unir o conceito de conto e a quadra. Indicar o tradicionalismo e uni-lo, agora, a algo novo e que possa oferecer originalidade e essência, transmitindo o deslumbramento inerente à época.“O Conto da Princesa Kaguya” (かぐや姫の物語, Kaguya-hime no Monogatari) (2013) de Isao Takahata é a minha recomendação para fugirmos ao “clichê” do Natal sem nunca perdermos o seu vestígio. A história que já conduziu à criação de vários mangas e livros, “é inspirado no conto popular O Conto do Cortador de Bambu que se desenrola à volta de uma princesa chamada Kaguya que foi descoberta enquanto bebé dentro do caule de uma plante de bambu”. Embrulhando-nos numa animação absolutamente maravilhosa, criada à mão, num estilo impressionista característico do Antigo Japão, a narrativa do Cortador de Bambu presenteia-nos com magia, felicidade, melancolia e, essencialmente, conforto, numa altura em que procuramos, acima de tudo bem-estar, fruto da simplicidade de nos podermos sentar e usufruir de algo que nos faça, sobretudo, sentir bem. Encontrar Kaguya e a sua história, é encontrar aquela ínfima parte em nós que procura, ano após ano, retomar ao Natal de criança, na procura de corresponder a uma expectativa criada, e agora transformada pelo nosso crescimento enquanto adultos. “O Conto da Princesa Kaguya” é a minha sugestão para usufruírem deste e neste Natal”.

Maria Inês Gomes recomenda “SOS Fantasmas” (1988), de Richard Donner:

“Richard Donner realiza, em 1988, a adaptação de “Christmas Carol” de Charles Dickens, e, apesar de ‘Scrooged” ter o desfecho expectável da rendição moral do cínico executivo de televisão, no brilhante papel de Bill Murray, não deixa de ser divertidamente surpreendente reconhecer que os fantasmas do passado, do presente e do futuro, que assombram o modo de vida do executivo e procuram devolver a magia natalícia ao mundo, mantêm-se tão actuais e urgentes quanto nos dias de hoje”.

Tiago Resende recomenda “O Apartamento” (1960), de Billy Wilder:

“Esta comédia dramática tem uma forte crítica social à sociedade americana, aos seus costumes e à facilidade com que o sistema capitalista se deixa corromper e, ao contrário do que associamos ao Natal, uma época feliz e alegre, Billy Wilder dá-lhe uma roupagem pessimista, mas realista. “O Apartamento” conta a história de C.C. Baxter (Jack Lemmon), um homem solitário que emprestava o seu apartamento aos vários chefes, para subir na carreira. Baxter sente-se atraído pela funcionária Fran Kubelik (Shirley MacLaine) do seu local de trabalho, sem saber que ela tinha um caso com o seu chefe. Baxter é um retrato realista de um empregado escravizado, que come esparguete sozinho no seu apartamento, que permite que os outros durmam com outra pessoa para ser promovido, no fundo alguém que procura uma maior aceitação social individual. Baxter vende-se e vende o seu próprio apartamento para ser promovido. Também a personagem de Shirley MacLaine, outra figura solitária e escrava de um sistema machista e patriarcal, se deixa vender para subir na carreira. Estas duas almas perdidas procuram o amor, mas o que encontram é a perda da inocência, da forma mais difícil. Mas será essa perda o que os irá unir, como vemos na cena final, de um jogo de cartas que acende uma luz de esperança. “O Apartamento”, o último filme a preto e branco a vencer o Óscar de Melhor Filme (em 1961) é um dos mais belos filmes de Wilder, muito bem escrito e realizado, onde cada cena é uma lição de cinema. Divertido e comovente, é um clássico a rever sempre, nem que seja para ver Jack Lemmon no melhor papel da sua vida”.

Vanderlei Tenório recomenda “A Vida em Oranges” (2011), de Julian Farino:

“Eu não sou um dos maiores fãs do espírito natalício. Mas, tenho que admitir: o que seria do Natal sem as repetições, futilidades e clichés dos filmes natalícios norte-americanos, com as suas fórmulas gastas e de qualidade média? Pois é, o Natal só é Natal quando vemos a repetitiva programação televisiva de Natal, anunciando a tal grelha especial de feriado. Grelha que é invadida pelos chamados clássicos, ou seja, aqueles filmes que, mesmo que os saibamos de cor, não conseguimos deixar de assistir. Após este breve desabafo, vamos à minha recomendação. No ano passado, sugeri “Natal Radical”, uma comédia leve; este ano, a minha escolha é uma comédia dramática mais convencional. Situado entre o pré-início, início, auge e pós-Natal, “A Vida em Oranges”, de Julian Farino, apresenta um elenco composto por Hugh Laurie, Adam Brody, Oliver Platt, Allison Janney, Leighton Meester e Catherine Keener. A história centra-se na filha (Meester) de um dos protagonistas, que regressa à cidade e abala a vida de todos ao iniciar um caso com o pai (Laurie) da sua melhor amiga, que também é o melhor amigo do seu pai (Platt). Durante os seus 80 minutos, o filme tenta explorar e confrontar questões dos costumes da classe média-alta americana e o estilo de vida dos americanos, tocando em tabus impensáveis e temas íntimos, como adultério, crise de meia-idade, casamento em crise, inveja, reavivamento conjugal, inércia comportamental, etarismo e recomeços. Vale a pena assistir (está disponível gratuitamente no YouTube)”.

Wellington Almeida recomenda “Go: A Vida Começa às Três da Manhã” (1999), de Doug Liman:

“No fervilhar da segunda metade dos anos 1990, uma enxurrada de filmes surgiu na esteira do sucesso de “Pulp Fiction”, um trend a que muitos críticos na época chamaram de “o efeito Tarantino”. No meio de tantas cópias, um indie modesto dava nas vistas em 1999 Go: A Vida Começa às 3 da Manhã (ou “Vamos Nessa” como foi chamado no Brasil). Com um cenário natalício como pano de fundo, “Go” interrompia a serenidade da época festiva para provar que sob as luzes cintilantes das bolinhas vermelhas escondiam-se aventuras inesperadas e hilariantes.Seguindo a estrutura não linear de “Pulp Fiction” e contando uma mesma história sob o ponto de vista de vários personagens, “Go” desenrolava-se na noite de natal, misturando o caos da cultura rave com a decadência da alegria natalícia. A história girava em torno de Ronna (Sarah Polley, aqui antes de se tornar na grande realizadora que é hoje) uma jovem à beira do despejo que decide vender drogas para um casal gay (Jay Mohr Scott Wolf) a fim de poder pagar a renda em atraso. Um negócio que rapidamente sai de controlo de forma hilariante e causando uma reação em cadeia dos diabos. O filme apresentou um elenco de rostos desconhecidos que mais tarde trilhariam carreiras sólidas em Hollywood como Timothy OlyphantKatie HolmesTaye DiggsMelissa McCarthy e William Fichtner. Era apenas o terceiro filme de Doug Liman, mas que logo caiu no gosto da crítica e do público rendendo-lhe nomeações para dezenas de prémios, incluindo o Independent Spirit Awards. Em 2001, um episódio dos Simpsons chamado “Trilogy of Error”, e que se passava numa única noite, inspirava-se no filme para elaborar a sua estrutura frenética e não linear. Depois de todo este sucesso, era inevitável que Liman pularia para o time dos A-list e nos anos seguintes realizou uma série de blockbusters como “The Bourne Identity”, “Mr and Mrs Smith” e “The Edge of Tomorrow”, o que lhe rendeu fama e muitos milhões de dólares. No aniversário de 15 anos do filme em 2014, a revista The Atlantic analisou o impacto de “Go” num artigo, concedendo-lhe o título de “cult classic” e reconhecendo a sua influência na definição de toda uma era juvenil. Foi o início de um processo de canonização de um pequeno filme que, meio sem querer, capturou a loucura de um bug do milénio que nunca se concretizou, e o encerramento de uma era sem internet e sem telemóveis. Um filme cuja ressonância persiste vibrante nos pequenos e grandes ecrãs até os dias atuais”.