Veneza 2024: “Kora”, de Cláudia Varejão, tem estreia mundial na secção Giornate degli Autori

A realizadora regressa à mesma secção paralela do festival de Veneza dois anos depois de ter conquistado o prémio de melhor filme por “Lobo e Cão”.
"Kora", de Cláudia Varejão, um filme que traça a silhueta de mulheres refugiadas a viver em Portugal. Prémios Curtas MDOC "Kora", de Cláudia Varejão, um filme que traça a silhueta de mulheres refugiadas a viver em Portugal. Prémios Curtas MDOC
"Kora", de Cláudia Varejão

“Kora”, a mais recente curta-metragem da realizadora Cláudia Varejão, sobre cinco retratos de mulheres refugiadas que vivem em Portugal, terá a sua estreia mundial na Seleção Oficial do Giornate degli Autori, a secção paralela e independente do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

A curta-metragem de 28 minutos com fotografia, montagem e realização de Cláudia Varejão “traça a silhueta de mulheres refugiadas a viver em Portugal. Em comum entre si, trazem o passado no corpo e nas palavras, bem como aqueles que amam impressos em retratos. A partir dessas memórias, acedemos ao olhar íntimo e político de quem reconstrói o (seu) presente.”

Produzido pela Terratreme Filmes, o documentário “vai-se desenrolando, narrativa e formalmente, através de um coro de vozes e gestos de mulheres refugiadas que vivem em Portugal: Inna da Ucrânia, Norina do Afeganistão, Zohra do Sudão, Margarita da Rússia e Lana da Síria. De formato curto, de bolso, a curta-metragem é como as próprias fotografias que as protagonistas trazem nas carteiras ou impressas numa caneca de chá. Em “Kora”, os retratos não têm tempo, nem nacionalidade. Não são retratos de morte, nem de vida. São presença e ausência. Olham-nos e são olhados. Pertencem a um lugar de encontro entre toda a humanidade.”

“Perseguições, conflitos armados e violações dos direitos humanos, atiram todos os dias milhares de pessoas para fora das suas casas e países. (…) Vivemos uma tragédia humana sem precedentes. Falhámos enquanto espécie e sociedade. Sinto-me responsável como ser humano, cidadã e, até mesmo, como realizadora. Kora foi nascendo desse sentimento de pequenez e, simultaneamente, da frustração por fazer parte de algo que não fala por mim. Este filme é o meu olhar, político e afectivo, sobre o momento histórico que me cabe viver”, explica Cláudia Varejão.

A realizadora acrescenta ainda: “Seja na urgência do documentário ou na expansão do tempo na ficção. As mulheres são a porta por onde acabo sempre por entrar para olhar para o mundo. Cada filme é um novo caminho e é, também, resultado de uma escrita encadeada. Ou, como uma das protagonistas do filme nos diz: para recomeçar é preciso continuar.”

A realizadora portuguesa regressa à mesma secção do festival de Veneza dois anos depois da longa-metragem “Lobo e Cão”, tendo conquistado o prémio de melhor filme.

A 81.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza decorre de 28 de agosto a 7 de setembro.