Academia Portuguesa de Cinema seleciona 3 filmes para representar Portugal na 40.ª edição dos Prémios Goya

A Academia Portuguesa de Cinema (APC) selecionou 3 filmes para representar Portugal na 40.ª edição dos Prémios Goya
"O Riso e a Faca", de Pedro Pinho Academia Portuguesa de Cinema "O Riso e a Faca", de Pedro Pinho Academia Portuguesa de Cinema
"O Riso e a Faca", de Pedro Pinho

A Academia Portuguesa de Cinema (APC) selecionou “On Falling” e “O Riso e a Faca” como candidatos ao prémio de Melhor Filme Europeu. “Banzo” é, por sua vez, o candidato de Portugal à categoria de Melhor Filme Ibero-americano.

A seleção foi realizada com base nos critérios de elegibilidade definidos pelos Prémios Goya para a edição de 2026, nomeadamente incluindo todas as longas-metragens portuguesas estreadas entre 1 de novembro de 2024 e 31 de outubro de 2025.

A 40ª edição dos Prémios Goya 2026 terá lugar no Centro de Convenciones Internacional de Barcelona (CCIB), a 14 de fevereiro de 2026.

“On Falling”, a primeira longa-metragem de Laura Carreira, protagonizado pela atriz Joana Santos, estreou no Festival de Toronto em 2024 e selecionada para a Competição Oficial do Festival de San Sebastián, onde venceu a Concha de Prata de Melhor Realização.

A produção luso britânica da Bro Cinema, com a Sixteen Films, estreou nos cinemas portugueses a 27 de março em cerca de 20 salas, mas o filme passou antes pelos cinemas do Reino Unido, Irlanda, Espanha, entre outros países.

“On Falling” segue a jornada de Aurora (Joana Santos), uma jovem portuguesa emigrada na Escócia, a trabalhar num armazém de comércio eletrónico em Glasgow. Entre longos turnos e um quotidiano marcado pela instabilidade, a protagonista vê-se confrontada com desafios que colocam à prova a sua resiliência. Trata-se de um retrato subtil e intimista sobre a precariedade, o isolamento e a procura de um propósito num mundo em constante movimento.

O filme apresenta uma representação íntima e detalhada da alienação e dos desafios financeiros enfrentados por muitos trabalhadores no mundo contemporâneo, cuja realidade precária é explorada com sensibilidade e profundidade. O filme tem sido amplamente elogiado pela crítica internacional.

O Riso e a Faca“, coprodução que junta Portugal, Brasil, França e Roménia, segue a história de Sérgio, um engenheiro ambiental português que vai trabalhar numa organização não governamental em África, no projeto de uma estrada entre o deserto e a selva.

O Riso e a Faca” é a segunda longa-metragem de ficção de Pedro Pinho, depois de “A Fábrica do Nada”, também estreada em Cannes em 2017, onde recebeu o Prémio Fipresci. Pelo filme, a atriz cabo-verdiana Cleo Diára foi distinguida com o prémio de Melhor Atriz na secção Un Certain Regard do Festival de Cinema de Cannes.

Margarida Cardoso, depois do documentário “Sita – A vida e o tempo de Sita Valles” (2022), sobre a antifascista angolana Sita Salles, regressa à ficção com “Banzo”, o drama de época sobre a doença conhecida como a nostalgia dos escravos, uma coprodução entre Portugal (Uma Pedra no Sapato), Países Baixos e França, escrita e realizada por Margarida Cardoso.

Rodado entre São Tomé e Príncipe e Portugal, o filme passa-se em 1907, com a chegada de Afonso, que recomeça a vida numa ilha tropical africana como médico de uma plantação, onde terá de curar um grupo de serviçais “infectados” pelo Banzo, a nostalgia dos escravizados.

Morrem às dezenas, de inanição ou suicidando-se. Por receio de contágio, o grupo é enviado para um morro chuvoso, cercado por floresta. Ali, Afonso tenta curar os serviçais, mas a incapacidade de entender o que lhes vai na alma revela-se mais forte que todas soluções.

A terceira longa-metragem de ficção de Margarida Cardoso estreou no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary em 2024 e venceu o Prémio Árvore da Vida e o Prémio Universidades para a melhor longa-metragem portuguesa no IndieLisboa e foi ainda premiado no Festival Caminhos do Cinema Português com o prémio de Melhor Argumento.