Vitória de “Pecadores” nos The Actor Awards adensa a incerteza nas principais categorias dos Óscares

“Pecadores” levou o prémio de Melhor Elenco e deu a Michael B. Jordan o troféu de Melhor Actor
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Foto: Gilbert Flores / Getty Images

O The Actor Awards 2026, novo nome do tradicional prémio do Screen Actors Guild, realizou-se no passado domingo (1), em Los Angeles. A cerimónia, considerada um dos principais barómetros antes dos Academy Awards, reuniu os destaques do cinema e da televisão da temporada e deixou sinais de possíveis alterações no xadrez das categorias principais da Academia.

No cinema, o grande vencedor da noite foi “Pecadores”, que arrecadou o prémio de Melhor Elenco em Filme e garantiu a vitória de Michael B. Jordan como Melhor Actor. A produção consolida-se, assim, como uma das favoritas na recta final da temporada e adensa ainda mais a corrida a Melhor Actor, este ano particularmente incerta.

“Estar nesta sala agora com todas estas pessoas que me viram crescer diante das câmaras… Sinto o amor e o apoio que sempre me deram e que me incentivaram a seguir em frente e dar o meu melhor”, afirmou Jordan.

Embora uma das narrativas dominantes da época de prémios tenha sido a busca de Timothée Chalamet pelo Óscar por “Marty Supreme”, os colegas de profissão optaram por distinguir o duplo papel de Jordan em “Pecadores”. Após a vitória individual do actor, o filme acabaria também por conquistar o prémio principal da noite, reforçando o seu estatuto entre os profissionais da classe.

Ryan Coogler fez história ao tornar-se o primeiro realizador a comandar dois filmes vencedores na categoria de Melhor Elenco nos prémios do sindicato. O cineasta já havia conquistado o galardão principal com “Pantera Negra”, em 2018, e volta agora a inscrever o seu nome na história da distinção com “Pecadores”.

Se na categoria de Melhor Actor o cenário permanece em aberto, na de Melhor Actriz Principal parece desenhar-se uma favorita clara: Jessie Buckley foi distinguida pela sua interpretação de uma mãe devastada pela dor em “Hamnet”, consolidando o seu lugar na linha da frente rumo ao Óscar.

Nas categorias de actor e actriz secundários, igualmente marcadas por forte competitividade, triunfaram interpretações de vilões. Sean Penn venceu pela sua interpretação do perturbado soldado em “Batalha atrás de Batalha” e surge agora como favorito, ultrapassando Jacob Elordi e Stellan Skarsgård. Amy Madigan, por seu turno, foi distinguida pela composição de uma bruxa misteriosa e excêntrica em Hora do Desaparecimento.

“Os actores adoram outros actores — simplesmente adoram estar entre si”, afirmou Madigan, sublinhando o simbolismo de um prémio atribuído pelos próprios pares.

A cerimónia ficou ainda marcada pela entrega do Prémio pelo Conjunto da Obra a Harrison Ford, astro de franquias como “Star Wars” e “Indiana Jones”.

“Estou numa sala cheia de actores, muitos dos quais estão aqui porque foram nomeados pelo seu trabalho extraordinário, enquanto eu estou aqui para receber um prémio por estar vivo”, declarou, contendo as lágrimas em vários momentos do discurso.

Tem peso nos Óscares?

A nomeação e a consagração nos The Actor Awards, nova designação do tradicional prémio do Screen Actors Guild, não constituem uma garantia automática de vitória nos Óscares. Ainda assim, mantêm-se como um dos mais sólidos barómetros da temporada. A explicação reside na arquitectura interna da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, onde cada ramo profissional vota os seus pares. Nas categorias de interpretação, são os actores membros da Academia que determinam tanto as nomeações como os premiados.

Esse detalhe não é despiciendo. Os actores representam o maior contingente do colégio eleitoral da Academia, com cerca de 1.300 membros registados no final de 2023. A sua predominância confere peso simbólico e estatístico às distinções atribuídas pelo sindicato, favorecendo uma convergência frequente entre os dois palcos.

Todavia, subsistem diferenças estruturais. Nos The Actor Awards, o escrutínio desenrola-se em duas fases distintas. Primeiro, 2.500 membros do SAG-AFTRA, entidade que congrega o Screen Actors Guild e a American Federation of Television and Radio Artists, integram os comités responsáveis pelas nomeações nas áreas de Cinema e Televisão. Estes votantes são escolhidos entre profissionais que não tenham participado no processo nos últimos oito anos, num mecanismo que procura assegurar rotatividade.

Numa segunda etapa, após o anúncio das nomeações, todos os membros activos do SAG-AFTRA são chamados a eleger os vencedores. A organização representa cerca de 160 mil actores, locutores, jornalistas e outros profissionais dos media, número que evidencia a amplitude da sua base eleitoral.

Importa ainda considerar a geografia do voto. O universo do SAG-AFTRA é maioritariamente norte-americano, circunstância que pode favorecer intérpretes dos Estados Unidos. A Academia, pelo contrário, tem vindo a reforçar a sua dimensão internacional. No último ano, aproximadamente um quarto dos seus membros não era norte-americano, reflexo de uma estratégia deliberada de diversificação e abertura.

Esse alargamento tem produzido efeitos concretos. Em 2024, a actriz alemã Sandra Hüller alcançou uma nomeação ao Óscar pelo filme “Anatomia de uma Queda”, apesar de não ter sido distinguida nos prémios do sindicato. O episódio confirma que, embora influentes e frequentemente alinhados com a Academia, os The Actor Awards não determinam de forma absoluta o desfecho da corrida à estatueta.

Vencedores das categorias de cinema dos The Actor Awards:

Melhor Elenco de Filme
“Pecadores”

Melhor Actor de Filme
Michael B. Jordan, por “Pecadores”

Melhor Actriz de Filme
Jessie Buckley, por “Hamnet”

Melhor Actor Secundário de Filme
Sean Penn, por “Batalha Atrás de Batalha”

Melhor Actriz Secundária de Filme
Amy Madigan, por “A Hora do Desaparecimento”

Melhor Elenco de Duplos de Filme
“Missão: Impossível — O Acerto Final”