“A Mulher Que Morreu de Pé”, documentário ficcionado sobre a escritora açoriana Natália Correia, é apresentado pela realizadora Rosa Coutinho Cabral no dia 14 de setembro, às 16h15, na Casa do Cinema de Coimbra. Acompanhada de Alexandra Sargento e Hugo Mestre Amaro, parte do elenco da longa-metragem, a cineasta responde questões do público após a exibição.
A obra é um casting poético com atores que deambulam entre um filme e uma peça de teatro, como descreve a sinopse: em lugares habitados antes por Natália, escavam-se os mitos, os fantasmas, as dores nascidas na sua vida e carreira.
Nascida em 1923, a poeta também foi dramaturga, romancista, ensaísta, cronista, jornalista, conferencista, editora e tradutora, marcando a cultura, literatura e política portuguesa, antes e depois da Revolução.
Foi censurada pelo Estado Novo pelos seus textos eróticos e posições feministas e tornou-se símbolo de resistência intelectual, além de uma das primeiras mulheres deputadas após o 25 de Abril. Fundadora de revistas literárias pioneiras, destacou-se por desafiar constantemente os tabus da sociedade.
O ensaio cinematográfico de Rosa Coutinho Cabral, conterrânea da figura que homenageia, parte de perguntas. Como encontrar esta mulher potencialmente desalinhada, cujo motor é a liberdade? De que liberdade se trata? Como construiu aquela solidão? Como desenterrá-la? Como rememorá-la a partir do meu tempo?, cita a realizadora em nota de intenções. Os planos de cinema fazem-se, experimentando-os, como a escrita se faz escrevendo. E, neste processo, não pretendo formular uma gramática, mas sim definir o tom do filme que aceite a encenação da minha intromissão no passado de outra pessoa que emerge no presente, conclui.
“A Mulher Que Morreu de Pé” chega às salas nacionais a 11 de setembro. A cineasta e os atores do filme são convidados da Casa do Cinema de Coimbra para uma sessão especial comentada no dia 14 de setembro, às 16h15. Outras exibições da obra serão divulgadas brevemente através deste link.
Com a participação de Lídia Franco, Soraia Chaves, Joana Seixas e João Cabral, entre muitos outros, “A Mulher Que Morreu de Pé” é uma viagem pelas múltiplas facetas de Natália Correia – poeta, cronista, dramaturga, editora, feminista, política, e provocadora – a partir do enorme arquivo da autora e de lugares onde ainda ecoa a sua ausência.
A realizadora Rosa Coutinho procura não apenas reconstruir uma memória, mas reencontrar uma mulher movida pela liberdade, profundamente ligada à sua “açorianidade” e a uma ideia radical de poesia como gesto político.
Entre castings de atores, materiais de arquivo, poemas e testemunhos, o filme tenta não encerrar Natália Correia numa narrativa fixa, pelo contrário, deixa-a viver em toda a sua complexidade.
“A Mulher que Morreu de Pé” teve estreia na última edição do Olhares do Mediterrâneo e desde então tem sido exibido em vários festivais como o Porto Femme 2025, onde venceu o prémio de Melhor Documentário da Competição Nacional.

