“Soylent Green” regressa ao grande ecrã no Porto através de Passos no Escuro e FLUP

“Soylent Green” regressa ao grande ecrã no Porto em sessão co-organizada com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Passos no Escuro "Soylent Green", de Richard Fleischer Passos no Escuro "Soylent Green", de Richard Fleischer

O Passos no Escuro, ciclo de cinema de culto e terror do Cinema Passos Manuel, apresenta no próximo dia 16 de abril, às 21h30, uma sessão especial de “Soylent Green” (1973), de Richard Fleischer, em co-organização com o grupo de investigação Junior Researchers in Anglo-American Studies (JRAAS), integrado no Centre for English, Translation, and Anglo-Portuguese Studies (CETAPS) da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Filmado há mais de cinquenta anos, “Soylent Green” imaginava um futuro próximo marcado pelo colapso ecológico e pela escassez alimentar. A precisão com que o filme antecipou algumas das tensões mais prementes do presente torna a sua revisão, em 2026, absolutamente necessária.

A história acompanha o detective Thorn, interpretado por Charlton Heston, numa Nova Iorque sufocada pela superpopulação e pela desigualdade extrema. A investigação ao assassinato de um executivo leva-o a descobrir um segredo que coloca em causa toda a ordem estabelecida. Baseado no romance «Make Room! Make Room!», de Harry Harrison, o filme é considerado um dos marcos da ficção científica política dos anos 70.

“Soylent Green” é também conhecido por ser o último trabalho do lendário ator Edward G. Robinson, que rodou as suas cenas enquanto lutava contra um cancro terminal, sem que o elenco ou a produção soubessem. A sua cena final com Charlton Heston, filmada poucos dias antes da sua morte, permanece uma das mais perturbadoras da história do cinema, por razões que vão muito além da ficção.

A exibição contará com o comentário inicial de Raquel Souza, investigadora do CETAPS, que contextualizará o filme no âmbito do ciclo Futures Gone By, dedicado ao cinema de antecipação científica e às suas ressonâncias contemporâneas.

Criado no Porto, por José Santiago, o Passos no Escuro dedica-se desde 2019 à exibição de cinema de terror e de culto em grande ecrã. A programação cruza clássicos populares, obras autorais e títulos raramente exibidos em sala, procurando aproximar diferentes gerações de espectadores e reafirmar o cinema como experiência coletiva.