A contagem decrescente para os Óscares 2026 já começou para o cinema brasileiro.
Nesta segunda-feira (8), a Academia Brasileira de Cinema revelou os seis filmes finalistas que poderão carregar a bandeira do país na categoria de Melhor Filme Internacional. A decisão final, que definirá qual obra seguirá para a competição, terá lugar na reunião marcada para 15 de setembro.
Os seleccionados
Os seis filmes seleccionados são “Baby”, de Marcelo Caetano, “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal, “Manas”, de Marianna Brennand, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, e “Oeste Outra Vez”, de Erico Rassi. A selecção revela uma diversidade de histórias e estilos, mas todos partilham um olhar atento às relações humanas, aos desafios da vida e aos dilemas individuais.
Das ruas do centro de São Paulo à periferia do Rio de Janeiro, da Ilha do Marajó ao sertão de Goiás, passando pela Amazónia industrializada e pelo Recife dos anos 70, cada filme oferece uma perspectiva única sobre solidão, família, amor, violência e resistência, retratando personagens que enfrentam a vida com coragem, fragilidade e desejo de transformação.
As histórias
Em “Baby”, de Marcelo Caetano, Wellington, de 18 anos, sai de um centro de detenção juvenil e vê-se sozinho nas ruas de São Paulo, sem família, sem recursos e sem rumo. É Ronaldo, um homem mais velho, quem lhe ensina a sobreviver, e a relação entre os dois transforma-se, aos poucos, numa paixão complexa e conflituosa.
“Kasa Branca”, de Luciano Vidigal, acompanha Dé, um adolescente negro da periferia da Chatuba, no Rio de Janeiro. Quando a sua avó, Almerinda, entra na fase terminal da doença de Alzheimer, Dé enfrenta a dor e o medo com a ajuda dos amigos Adrianim e Martins, procurando viver ao máximo os últimos dias ao lado dela.
Em “Manas”, de Marianna Brennand, Marcielle, ou Tielle, uma rapariga de 13 anos da Ilha do Marajó, cresce a idolatrar a irmã mais velha, Claudinha, que terá partido em busca de um “homem bom”. À medida que amadurece, Tielle vê as suas idealizações desfazer-se, confronta os abusos que cercam a sua família e luta para proteger a irmã mais nova, desafiando a violência que marca o seu quotidiano.
“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, passa-se no Recife de 1977. Marcelo (Wagner Moura), especialista em tecnologia, regressa à cidade tentando escapar a um passado misterioso, mas rapidamente percebe que a paz que procura está longe, e que o ambiente à sua volta guarda perigos invisíveis.
Em “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, Tereza, aos 77 anos, é obrigada a mudar-se para uma colónia habitacional destinada a idosos, enquanto a juventude produtiva segue o seu caminho sem se preocupar com os mais velhos. Antes do exílio, embarca numa última viagem pelos rios da Amazónia, em busca de um desejo capaz de transformar o rumo da sua vida.
Por fim, “Oeste Outra Vez”, de Erico Rassi, leva-nos ao sertão de Goiás, onde homens incapazes de lidar com as próprias fragilidades são abandonados pelas mulheres que amam. Amargurados e tristes, acabam por se voltar violentamente uns contra os outros, num retrato cru de solidão e violência enraizada.

