“Alcindo” vence Grande Prémio Caminhos do Cinema Português

Documentário sobre a morte de Alcindo Monteiro no Bairro Alto em 1995 conquista o maior galardão do Festival Caminhos do Cinema Português, festival dedicado ao cinema português que decorreu em Coimbra entre os dias 6 e 20 deste mês.

«Alcindo» de Miguel Dores © DocLisboa

Alcindo”, de Miguel Dores, conquistou o Grande Prémio Caminhos do Cinema Português. O documentário, que aborda o crime racial que chocou o país em 1995, foi escolhido pelo Júri com a justificação de ser “um filme significativo, que através de um impressionante trabalho de investigação com recursos limitados, parte de um acontecimento particular cujo entendimento profundo implica refletir sobre o passado, o presente e o futuro do nosso país”.

Para além do Grande Prémio, o filme de Miguel Dores conquistou o Prémio Universidade de Coimbra – Melhor Documentário.

©AMDP

Entre os premiados, destaque para “A Metamorfose dos Pássaros”, de Catarina Vasconcelos, que conquistou quatro galardões (Menção Honrosa da Federação Internacional dos Cineclubes e os Prémios de Melhor Realização, Prémio Revelação e Prémio do Público – Crisótubos). Sobre “A Metamorfose dos Pássaros”, o Júri aponta “a forma forma comovente e sensível com que a realizadora nos permite visualizar as emoções da perda”.

A curta-metragem “O Lobo Solitário”, de Filipe Melo, distinguida com três prémios: Melhor Banda Sonora Original, Prémio D. Quijote da Federação Internacional dos Cineclubes e Menção Honrosa do Júri de Imprensa. Sobre “O Lobo Solitário”, é destacada a banda sonora de Filipe Melo e Legendary Tiger Man como “um elemento rítmico fundamental para o crescendo emocional do filme”.

 

Diana Neves Silva conquistou o Prémio GesMo de Melhor Atriz no filme “Luz de Presença”, enquanto Pedro Lacerda, pelo seu desempenho em “Terra Nova” e “A Arte de Morrer Longe”, conquistou o galardão de Melhor Ator.

Terra Nova de Artur Ribeiro
A Arte de Morrer Longe de Júlio Alves

Catarina Henriques, da Universidade da Beira Interior, Sofia Salt, da University of the West of England, e Caren Wuhrer, da Hamburg Media School, são as distinguidas com os Prémios da Seleção Ensaios – A Previdência Portuguesa.

Catarina Henriques venceu o Prémio de Melhor Ensaio Nacional, com “Camaradas de Armas”. Segundo o Júri, o filme “oferece-nos uma profunda, singular e estruturada visão da instituição militar em Portugal – ecossistema normalmente tido como de difícil acesso e, até agora, pouco documentado por entidades externas”. Já Sofia Salt, foi distinguida com o Melhor Ensaio Nacional de Animação, na produção “Walkthrough”, com o Júri a destacar “a transmissão de emoções complexas através de um dispositivo minimalista”. A alemã Caren Wuhrer, com “Silent Zone”, arrebatou o Prémio de Melhor Ensaio Internacional. “’Silent Zone’ é saudado pelo júri como um exemplo de registo de ficção no qual o conceptualismo se funde de forma orgânica com uma narrativa que aborda temas tão atuais como universais. Mais ainda, a cinematografia destaca-se pela sua alta qualidade, demonstrando que este é um filme fruto de uma equipa coesa e com uma visão madura”, justifica o Júri.

Documentário sobre o Bairro do Aleixo, no Porto, vale o prémio ao realizador André Guiomar.

A Nossa Terra, o Nosso Altar de André Guiomar

O filme “A Nossa Terra, o Nosso Altar”, de André Guiomar, foi distinguido pelo Festival Caminhos do Cinema Português com o Prémio Queima das Fitas de Coimbra – Melhor Filme Outros Olhares. A película testemunha as últimas rotinas do dia-a-dia do Bairro do Aleixo, no Porto, durante o processo de demolição das torres. O filme estreia nas salas de cinema nacionais esta quinta-feira, dia 25 de Novembro.

Foi ainda atribuída uma menção honrosa ao filme “A Mulher como Árvore”, de Flávio Ferreira, Hélder Faria, Alejandro Vásquez, Daniela Cajías e Carmen Tortosa. O Júri justifica esta escolha com o facto de “ser um filme que, apesar de construído coletivamente, nos mostra de forma coerente a personalidade e emoções da personagem principal. Elva oferece a sua história ao filme de forma generosa. A relação entre ela e a paisagem, bem como os ritmos que marcam o seu dia a dia são retratados com interesse e cuidado”.

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