A poucos dias da sua estreia mundial em Locarno, “As Estações”, a nova longa-metragem de Maureen Fazendeiro, é selecionada para o TIFF – Festival Internacional de Cinema de Toronto. “As Estações” é a primeira longa-metragem documentário realizada por Maureen Fazendeiro e terá estreia mundial no Festival de Cinema de Locarno, que decorre entre 6 e 16 de Agosto de 2025.
A obra de Fazendeiro vê agora anunciada a sua estreia norte-americana no Festival Internacional de Cinema de Toronto, nesta 50ª edição, em setembro. A longa-metragem integrará a secção «Wavelengths», reconhecida pela sua aposta em cinema de vanguarda e propostas formais inovadoras.
A sua estreia mundial no Festival de Locarno, será já no dia 11 de agosto, na competição oficial – Concorso Internazionale, concorrendo ao Pardo d’Oro, principal distinção do festival, bem como ao Pardo Verde, atribuído a obras que se destacam pelo seu olhar sobre a sustentabilidade e o impacto ambiental.
Após a estreia europeia e norte-americana, o filme seguirá viagem até ao Japão, em outubro, onde terá a sua estreia asiática no Festival Internacional de Cinema Documental de Yamagata, com foco no cinema autoral e intimista e promovendo o encontro entre diversas culturas. Com paragens marcadas na Suíça, Canadá e Japão, reforça-se a relevância da obra, cruzando fronteiras e continentes num percurso que promete continuar a surpreender.
Em “As Estações”, Fazendeiro convida-nos a percorrer o Alentejo, numa viagem sensorial e lírica onde arqueologia, tradição oral e paisagens carregadas de mistério se cruzam numa envolvente docuficção, que mergulha nas camadas do tempo e na memória dos lugares.
Foi filmada integralmente no Alentejo, em 16mm e, segundo a realizadora, é um filme de arqueologia. Escava a paisagem, as vozes e os gestos dos habitantes do Alentejo para encontrar os vestígios de uma história comum, feita de guerras e revoluções, medo e resistência, permanência e metamorfoses.
Combinando depoimentos de trabalhadores rurais e notas de campo de um casal de arqueólogos, imagens de arquivo amador e desenhos científicos, lendas, poemas e canções, “As Estações” é uma viagem pela história real e inventada de uma região de Portugal, o Alentejo, e dos povos que ali viveram.
Maureen Fazendeiro é realizadora e argumentista e estudou literatura, arte e cinema na Université Denis Diderot, em Paris. Entre 2010 e 2014 trabalhou na área da programação em festival, na distribuição de filmes e na edição de livros sobre cinema. O seu primeiro filme, a média metragem “Motu Maeva” (2014), estreou no FID Marseille e ganhou prémios em vários festivais (DocLisboa, Valdivia, Brive, Play-Doc).
Este filme e as suas outras curtas-metragens, “Sol Negro” (2019, TIFF Wavelenght) e “Les Habitants” (2025, Cinéma du Réel) circularam por festivais internacionais de renome como Viennale, Mar del Plata, Jeonju, New Director’s New Films, FICUNAM, Hiroshima, Torino, Belfort, Angers, Gijon, entre outros, e foram exibidas em cinematecas e museus como a FIAC Paris, a Biennale de Veneza, a Triennale de Aichi e o MoMa.
Nos últimos anos tem dividido o seu tempo entre projetos individuais e colaborações com Miguel Gomes como diretora de casting e argumentista (“Grand Tour“, Competição Oficial de Cannes 2024). Juntos correalizaram “Diários de Otsoga” (Quinzena dos Realizadores 2021), que estreou nos cinemas em Portugal, França, Estados Unidos, Itália, Espanha e Brasil, foi exibido em mais de cinquenta festivais e ganhou o prémio de melhor realização no festival de Mar de Plata.
Co escreveu o próximo filme de Miguel Gomes, “Selvajaria”, no qual se encontra a trabalhar na direção de casting. Em 2025, o festival Curtas Vila do Conde destacou o seu trabalho na secção «New Voices».

