Depois do documentário “Correspondências” (2016), a realizadora Rita Azevedo Gomes apresenta a ficção de época “A Portuguesa”, que estreará na secção Berlinale Forum, durante a 69.ª edição do Festival de Berlim, que irá decorrer entre 7 e 17 de fevereiro.

“A Portuguesa” é inspirado no conto de Robert Musil, “Die Portugiesin” com adaptação e diálogos de Agustina Bessa-Luís.

Os von Ketten (Delle Catene, como são conhecidos no norte de Itália), disputam as forças do Episcopado de Trento. Von Ketten casa num país distante: Portugal. Durante o ano de viagem de regresso a Itália, nasce o primeiro filho. Mal chega a casa, Ketten parte para a guerra. A portuguesa recusa-se a voltar para o seu país. Passam-se onze anos e correm rumores acerca da “estrangeira”. Dizem-na uma herege. Um dia, o Bispo de Trento morre e a assinatura de paz põe fim a uma luta de gerações. A portuguesa vê regressar a casa um ser indefeso, febril, enfraquecido.

Nas notas de intenção de Rita Azevedo Gomes, a realizadora escreveu que “tudo o que se passa entre a Portuguesa e o marido (Von Ketten) assenta no não-dito. Ninguém sabe ao certo se realmente existiram ou não. Não é a veracidade disso que importa. Esta história, num determinado período da História, rente ao Principado Episcopal de Trento, liga-nos a uma série de factos que refletem o tempo atual, partindo do princípio de que os nossos antepassados não eram diferentes, apenas estavam num lugar diferente. Não é tão difícil fazer do homem gótico ou do grego antigo o homem da civilização moderna.”

O filme tem como intérpretes, entre outros, Clara Riedenstein, Marcello Urgeghe, Rita Durão, Pierre Léon, João Vicente, Manuela de Freitas, Adelaide Teixeira, Alexandre Alves Costa e Ingrid Caven. Com direcção de fotografia de Acácio de Almeida, a música é da autoria de José Mário Branco.

Produzido pela Basilisco Filmes, o filme terá estreia comercial em Portugal a 28 de fevereiro com distribuição da Leopardo Filmes.