Billy Wilder – Deixou-nos há 10 anos

Billy Wilder morreu a 27 de março de 2002. Faz hoje dez anos que a sétima arte perdeu um dos mais geniais cineastas americanos. Criou uma obra composta por 26 longas-metragens onde explorou vários géneros, desde o musical ao film-noir, sendo a comédia o seu género preferido e o mais usado nos seus filmes. Considerado um mestre da comédia americana, Wilder, sabia fazer rir as pessoas com as suas “comédias de enganos”, inspirado no alemão Ernst Lubitsch. Quem é que não se lembra de ver Tony Curtis e Jack Lemmon disfarçados de mulher em situações ridículas e hilariantes, em “Quanto Mais Quente Melhor” (1959). Marilyn Monroe é a estrela deste filme que a eternizou no papel da sensual, inocente e sedutora loira. Este filme é considerado pelo próprio Wilder a sua obra-prima, um filme que é um tributo às comédias screwball dos anos 30.

 

Mas como foi dito no inicio, não foi apenas na comédia que Wilder ficou conhecido, foi também no film-noir. Neste género o podemos destacar “Pagos a Dobrar” (1944), com Fred MacMurray, Barbara Stanwyck e Edward G. Robinson e “Farrapo Humano” (1945), com Ray Milland e Jane Wyman. Mas é “Crepúsculo dos Deuses” (1950) o filme que o imortalizou como um genial realizador e que imortalizou a atriz Gloria Swanson (uma grande estrela do cinema mudo esquecida, durante a transição para o cinema sonoro). “Crepúsculo dos Deuses” conta a história da grandeza e da decadência de Norma Desmond (Gloria Swanson) e tem uma das cenas iniciais mais conhecidas de sempre, com o cadáver de Joe Gilis (William Holden), a flutuar numa piscina de um casarão, um argumentista desempregado que nos relata a sua história pessoal e da grande estrela do cinema mudo, Norma Desmond. Foi vencedor de três Óscares, Melhor Direção de Arte – preto e branco, Melhor Banda Sonora e Melhor Argumento e é hoje considerado um dos melhores filmes da história do cinema. Alguns diálogos são inesquecíveis, deste excelente argumento, como por exemplo, “I’am big. It’s the pictures that got small”, “Just us, the cameras, and those wonderful people out there in the dark!” ou “All right, Mr. DeMille, I’m ready for my close-up”. 

Nascido a 22 de junho de 1906, no ex-Império Austro-Húngaro, e filho de pais judeus, emigrou para os EUA nos anos 30, depois da ascensão de Hitler, em 1933. Rapidamente aprendeu a falar inglês e adaptou-se ao sistema de Hollywood, escrevendo e produzindo e depressa começou a realizar, sendo “A Incrível Susana” (1942) o seu primeiro filme em terras americanas, que contou com Ginger RogersRay Milland como o par romântico.

 

Criou um estilo próprio e grande parte das suas obras são consideradas obras primas do cinema. Ao visionarmos a sua obra percebemos que a sua visão do mundo é triste e amarga, que nem sempre a vida é perfeita. É com as suas comédias, dramas e romances que percebemos as sátiras que são feitas.

 

Para além das obras já anteriormente referidas são ainda de destacar filmes como, “O Grande Carnaval” (1951), “Inferno na Terra” (1953), “O Pecado Mora ao Lado” (1955), “O Apartamento” (1960), que representam as melhores décadas da sua obra, 50 e 60. Wilder trabalhou com grandes estrelas como, Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon, William Holden, Humphrey Bogart, Audrey Hepburn e Shirley MacLaine.

A comédia e drama “O Apartamento”, que conta a história de C.C. Baxter (Jack Lemmon), um homem solitário que emprestava o seu apartamento aos vários chefes, para subir na carreira, foi o último filme a preto e branco a vencer o Óscar de Melhor Filme, em 1961. Tal acontecimento só viria a repetir-se em 1994 com “A Lista de Schindler” e, recentemente, em 2012 com “O Artista”.

 

Billy Wilder partiu há dez anos, mas ficaram os seus filmes para a prosperidade poder rir (“Quanto Mais Quente Melhor”) e sonhar (“O Apartamento”). É um daqueles cineastas que deve ser visto e revisto vezes sem conta, onde cada cena é uma lição de cinema.