Box Office português 2014

Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) disponibilizou hoje os resultados sobre o mercado cinematográfico em Portugal no ano de 2014. O número de espectadores nas salas de cinema em Portugal foi de 12,1 milhões (perfazendo uma média de 1,2 espectadores por habitante) e a receita bruta de bilheteira foi de 62,7 milhões de euros, representando um decréscimo de 3,8% e 4,3% em relação ao ano transato, respetivamente. Em 2013 o número de espectadores foi de 13,8 milhões. Apenas os meses de janeiro, abril, outubro e novembro fizeram mais do que em igual período de tempo em 2013. No entanto, o mês que teve mais espectadores em 2014 foi o de dezembro (1.460.190 espectadores), com uma variação de -4,4% em relação a 2013.

Na área da exibição cinematográfica, a NOS Lusomundo Cinemas foi líder do setor com uma quota (receitas brutas de bilheteira) de 61,6%, seguindo-se a UCI (12,3%), a Cineplace (8,7%) e a NLC (6,6%) que, no seu conjunto, representam 89,2% do mercado nacional. Em 2014 foram estreadas 313 longas-metragens, 131 das quais com origem nos EUA e 138 de origem europeia. Os filmes norteamericanos foram vistos por 70,5% e os europeus por 13,2% do total de espectadores.

O filme “The Hunger Games: A Revolta – Parte 1”, realizado por Francis Lawrence, foi o mais visto em 2014, registando mais de 344 mil espectadores e uma receita de bilheteira de € 1,8 milhões. O segundo filme mais visto foi “Lucy” de Luc Besson, com 309.196 espectadores e “Os Pinguins de Madagáscar” e “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos” ocuparam o terceiro e quarto lugares com 300.419 espectadores e 267.331 espectadores, respectivamente. Entre os filmes nacionais, “Os Maias – Cenas da Vida Romântica”, de João Botelho foi o mais visto com mais de 114 mil espectadores e cerca de 568 mil euros de receita de bilheteira. O filme de António-Pedro Vasconcelos, “Os Gatos Não tem Vertigens”, foi o terceiro filme nacional mais visto do ano, com 93.273 espectadores, e o documentário, (único) no top 10 dos filmes nacionais mais vistos, “Alentejo, Alentejo” de Sérgio Tréfaut, ficou em oitavo lugar.

Na área da distribuição cinematográfica, a NOS Lusomundo Audiovisuais foi líder do setor com uma quota (espectadores) de 56,9%, seguindo-se a Big Picture 2 Films (26,1%) que, no seu conjunto, representaram83,0% do mercado nacional. Foram produzidas 27 obras cinematográficas nacionais com o apoio financeiro do ICA, das quais 13 longas-metragens (6 de ficção e 7 documentários) e 14 curtas-metragens (7 de ficção, 4 de animação e 3 documentários), verificando-se, assim, um ligeiro aumento em relação às obras produzidasface ao ano anterior.

Das obras premiadas em 2014, destaca-se a carreira internacional de “Cavalo Dinheiro”, de Pedro Costa, (que foi visto por 3.259 espectadores) que obteve na sua estreia mundial no Festival de Cinema de Locarno o Prémio para Melhor Realização e o Prémio da Federação Internacional de Cineclubes, e que tem sido exibido nos mais importantes festivais de cinema mundiais, nomeadamente em Toronto, na VIENNALE, no CPH:DOX (Dinamarca) e Mar del Plata (Argentina). O DOC ALLIANCE SELECTION AWARD de 2014, foi mais uma vez entregue a um português, André Valentim Almeida, com o documentário “A Campanha do Creoula”, que assim sucede a André Gil Mata. Finalmente, realça-se a curta documental “Metáfora ou a Tristeza Virada do Avesso”, de Catarina Vasconcelos, que foi galardoada, em França, no Cinéma du Réel com o Prémio de Melhor CurtaMetragem e, no Canadá, no RIDM (Encontros Internacionais do Documentário de Montréal) mereceu o Prémio para a Melhor Média Metragem Internacional.

Mais uma vez verifica-se, com gravidade, uma descida no número de espectadores nas salas de cinema nacionais e numa descida na receita bruta. As pessoas vão cada vez menos ao cinema. As salas vão desaparecendo. Os hábitos culturais da sociedade estão alterar-se, passando a “ver” cinema através de outros dispositivos. Não existe uma cultura de incentivo (e de certa forma de tradição) para levar as pessoas a irem à sala de cinema.

Número de espectadores em salas de cinema portuguesas / Receita bruta (2011-2014):

2011 – 15,7 milhões / 79,9 milhões de euros

2012 – 13,8 milhões / 73,9 milhões de euros

2013 – 12,5 milhões / 65,5 milhões de euros

2014 – 12,1 milhões / 62,7 milhões de euros

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Fonte: Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA)