“O Agente Secreto” já foi visto por mais de 40 000 espectadores em Portugal

Thriller de Kleber Mendonça Filho confirma-se como sucesso em Portugal
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"O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho

O thriller de época brasileiro “O Agente Secreto”, realizado por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, já conquistou mais de 40 000 espectadores em Portugal. Um número que não só confirma o filme como uma das obras incontornáveis do ano, como também sublinha o seu percurso internacional de excelência, repleto de distinções e elogios mundo fora.

Para quem ainda não se deixou seduzir por esta história, o filme está em exibição em várias salas do país. No Porto, pode ser visto no Cinema Trindade, nos Cinemas NOS Norte Shopping e no UCI Arrábida 20.

Coimbra recebe-o na Casa do Cinema de Coimbra e nos Cinemas NOS Alma Shopping.

Lisboa oferece uma verdadeira maratona cinematográfica: UCI El Corte Inglés, Cinema Medeia Nimas, Cinema Fernando Lopes, Cinema Ideal, Cinema City Alegro Alfragide, Cinema City Campo Pequeno, Cinema City Alvalade, Cinema NOS Amoreiras e Cinema NOS Alvaláxia.

Em Setúbal, estará no Cinema City Alegro Setúbal e nos Cinemas NOS Almada Forum.

Para os amantes das sessões especiais e dos ciclos de cinema mais intimistas, “O Agente Secreto” já passou pelo Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz (4 de Dezembro) e pelo Cineteatro Messias, Mealhada (5 de Dezembro), e continuará nas seguintes datas e locais: a 8, no Cinemafra; a 9, no Cineclube Gardunha, Fundão; a 11, no Cineclube de Joane, Famalicão; a 14, no Cine Granadeiro, Grândola; a 16, no Teatro Aveirense; a 19, na Casa de Artes e Cultura do Tejo; e a 26, no Cineclube Octopus, Póvoa de Varzim.

De norte a sul do país, entre cidades movimentadas e pequenos redutos culturais, “O Agente Secreto” continua a cativar o público, reafirmando o cinema brasileiro como uma referência internacional. A nomeação de Wagner Moura para os Critics Choice e, agora, para os Globos de Ouro na categoria de Melhor Actor, tornando-se o primeiro brasileiro a alcançar esta nomeação histórica, só reforça ainda mais este prestígio.

O Agente Secreto

Ambientado no Recife de 1977, sob o peso asfixiante da ditadura militar, “O Agente Secreto” constrói-se como uma narrativa de retorno e de exílio interior. Marcelo (Wagner Moura), professor universitário e especialista em tecnologia, regressa à sua cidade natal depois de um longo afastamento, carregando a sombra de um passado violento em São Paulo; um passado insinuado, talvez irredutível, que envolve um poderoso industrial e a disputa em torno de uma patente ou invenção.

A viagem de regresso não lhe devolve a pertença, mas expõe a fragilidade do seu lugar no mundo. Entre a tentativa de reencontrar o filho pequeno (guardado pelos avós maternos, sendo o avô projecionista no mítico Cinema São Luiz) e a busca clandestina por documentos que revelem o estatuto civil da mãe falecida, Marcelo move-se num território marcado pela constante ameaça, pela vigilância do regime e pela consciência de que o exílio definitivo poderá ser a única saída. O refúgio oferece-se num “aparelho”: espaço liminar, habitado por dissidentes, marginalizados e exilados, entre eles um casal de angolanos, o veterano Euclides e a figura maternal de Tânia Maria.

À medida que tenta reintegrar-se no quotidiano, descobre que a cidade se tornou um organismo vigiado e corrompido, submetido a dispositivos tecnológicos de controlo que ampliam o alcance do poder autoritário. O protagonista vê-se então enredado numa teia de espionagem e conspirações, onde dilemas morais e afectivos se entrecruzam com a necessidade de preservar os seus e de confrontar segredos que não pertencem apenas à sua memória individual, mas também à memória colectiva da sua família e do país.

A obra de Mendonça Filho expande-se, assim, para além do enredo, configurando-se como reflexão sobre os mecanismos da repressão, sobre a vigilância como forma de poder, sobre a manipulação da verdade e a persistência da resistência. O filme, que cruza suspense, drama e a arquitectura narrativa do thriller, é também um ensaio cinematográfico: mistura crítica social, evocação de traumas históricos e ressonâncias do folclore local, numa mise-en-scène que devolve à História brasileira a sua dimensão trágica e espectral.