Dia 8

O dia ficou marcado pela estreia do filme em competição, “Melancholia” de Lars Von Trier, que foi estreado com a presença das duas actrizes principais do filme, Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg. Mas o dia não acabou bem para Von Trier. Este durante a conferência de imprensa de apresentação do seu filme, que é feita a jornalistas de todo o mundo, afirmou compreender Adolf Hitler e que simpatizava com ele, afirmando mesmo ser “nazi”. “Eu compreendo Hitler. Acho que ele fez algumas coisas erradas, sim, com certeza, mas eu consigo vê-lo sentado no seu bunker no final” e “O.K., sou um nazi”, afirmou o cineasta. Rapidamente o realizador pediu desculpas pelas suas afirmações e referiu que se tratou de uma brincadeira causada por provocações de alguns jornalistas. O cineasta disse, “Se eu ofendi alguém esta manhã pelas palavras que disse na conferência de imprensa, peço as minhas mais sinceras desculpas” e “Não sou anti-semita nem tenho preconceitos raciais, e não sou um nazi”.

 

Se Lars é “nazi” ou não, não sabemos ao certo. De qualquer forma, Lars nunca foi muito politicamente correcto. Como cineasta continua a ser um dos melhores do mundo pela sua obra singular, mas como pessoa a sua reputação baixou consideravelmente. Esta brincadeira de Lars sai-lhe bem cara no dia seguinte. Pelo menos serviu para criar uma grande polémica em torno do seu novo filme, que recebeu críticas mistas e que certamente irá ser falada em todos os jornais do mundo. Outro filme que marcou o dia foi a estreia do filme “La Conquête”, de Xavier Durringer, sobre a ascensão do actual Presidente francês, Nicolas Sarkozy, interpretado por Denis Podalydes.

 

Dia 9

O dia continou a ser polémico, pois a organização do Festival de Cannes decidiu banir Von Trier, depois das polémicas afirmações públicas sobre ser “nazi”. Lars Von Trier foi expulso do festival, foi declarado “persona non grata”. No entanto, Von Trier já comentou estar orgulhoso de ser “persona non grata”, pelo que aceitou bem a expulsão. Não se sabe ao certo se o seu filme vai continuar em competição para a Palma de Ouro. Penso que as medidas tomadas pela organização do certame foram extremas, pois cada um é livre de dizer o que quiser, e o seu filme não tem qualquer ligação com os seus comentários ou opiniões políticas. Também é verdade que a brincadeira de Von Trier foi estúpida e imperdoável.

 

O dia não foram só más notícias, foram também boas notícias. Pedro Almodóvar estreou hoje o seu filme em Cannes,“La Piel que Habito”, com Antonio Banderas 20 anos depois de “Ata-me!”. Esta é a  5ª vez que o cineasta vem a Cannes, das quais quatro em Competição. Tal como a equipa do filme que foi bem recebida por todos e estava muito bem disposta, os críticos também aceitaram bem o novo filme de Almodóvar. Já o novo filme do cineasta japonêsTakashi Miike, “Hara-kiri: Death of a Samurai” não teve uma crítica unânime. Este é a primeira vez que está nomeado para uma Palma de Ouro em Cannes, tal como é a primeira vez que vem ao festival.