A 64ª edição de Cannes aproxima-se e o Cinema 7ª Arte relembra aqui os vinte filmes seleccionados para a selecção oficial. Desta lista podemos destacar alguns cineastas que regressam a Cannes com novos filmes, que provavelmente vão dar muito que falar e que tornam esta edição de Cannes como a meca do cinema, como Moretti, von Trier, Mallick, Almodovar e Sorrentino. Cannes 2011 começa na próxima quarta-feira, dia 11 de Maio e termina no dia 22 de Maio.

“Bir Zamanlar Anadolu’da”/”Once Upon a Time in Anatolia” de Nuri Bilge Ceylan – Turquia/Bósnia

A vida numa aldeiazinha aparenta-se a uma viagem em plena estepe: a impressão que algo «de novo e de diferente» vai surgir pro detrás de cada colina, mas sempre nas mesmas estradas monótonas, estreitas, que desaparecem ou persistem, infalivelmente similares.

“Drive” de Nicolas Winding Refn – EUA

Um duplo acrobático tranquilo e anónimo transforma-se assim que a noite cai – trabalha como piloto de automóvel por conta da máfia. O arranjo funciona bem até ao dia em que um dos assaltos degenera arrastando-o numa corrida de perseguição infernal. Ele quer vingar-se de quem o traiu.

“Habemos Papam”/”We Have a Pope” de Nanni Moretti – Itália

Após a morte do Papa, o Conclave reúne-se para eleger o seu sucessor. São necessárias várias votações até que se veja ascender o fumo branco. Finalmente, foi eleito um cardinal! Mas, os fiéis amontoados na praça de São Pedro esperam em vão que apareça na varanda o novo soberano. Este último não parece pronto a suportar o peso de tal responsabilidade. Angústia? Depressão? Medo de não se sentir à altura? O mundo inteiro deixar-se-á atormentar pela inquietude, enquanto no Vaticano, se buscam soluções para ultrapassar a crise.

 

“Hanezu no Tsuki” de Naomi Kawase – Japão

A região de Asuka, em Nara, é o berço do Japão. Nela, há muito tempo atrás viviam os que se satisfaziam com o prazer de esperar. O povo moderno, tendo aparentemente perdido esse sentido da espera, parece incapaz de mostrar reconhecimento em relação ao presente, agarrando-se à ilusão que tudo avança segundo o plano preciso de cada ser. Há muitos anos, os japoneses criam que o Monte Unebi, o Monte Miminashi e o Monte Kagu, três montanhas japonesas, eram habitadas por deuses. Essas montanhas ainda existem. Nesses tempos, um homem de negócios tinha comparado as montanhas à batalha que se travava no seu próprio coração. As montanhas eram a expressão do carma humano. Desde então as coisas evoluíram. Takumi e Kayoko, herdando as esperanças desiludidas dos seus avós, desperdiçam as suas vidas. A sua história é universal, parecida com a das inumeráveis almas que se acumulam nesta terra.

“Hearar Shukayim”/”Footnote” de Josef Cedar – Israel

Os Shkolnik são investigadores de pai em filho. Enquanto Eliezer Shkolnik, professor purista e misantropo nunca conseguiu ter sorte na vida, o seu filho Uriel é reconhecido pelos seus colegas. Até ao dia em que o pai recebe uma chamada: a academia decidiu recompensá-lo com o prémio mais prestigioso da discipina. O seu desejo de reconhecimento revela-se publicamente.

“Ichimei”/”Hara-kiri: Death of a Samurai” de Takashi Miike – Japão

Desejando morrer dignamente, um samurai sem recursos, Hanshiro, pede para praticar um suicídio ritual na residência do clã Li, cujo intendente é Kageyu, um guerreiro de personalidade forte. Tentando desencorajar Hanshiro, Kageyu conta-lhe a história trágica de um jovem ronin, Motome, que veio recentemente com o mesmo pedido. Hanshiro fica traumatizado pelos detalhes horrorosos da sorte reservada a Motome, mas persevera na sua decisão de morrer honradamente. Na altura de cometer hara-kiri, faz um último pedido: deseja ser assistido no seu acto por três tenentes de Kageyu, todos ausentes devido a uma estranha coincidência. Desconfiado e furioso, Kageyu pede a Hanshiro para se explicar. Este último revela os seus laços com Motome e conta-lhe a história doce amárga das suas vidas. Kageyu acabará por compreender que Hanshiro lançou-se numa prova de força por espírito de vingança.

“L’apollonide – Souvenirs de la maison close”/”House of Tolerance” de Bertrand Bonello – França

No início do século XX, num bordel parisiense, uma prostituta com o rosto marcado por uma cicatriz, ostenta um sorriso trágico. Em torno da mulher que ri, a vida das outras raparigas, as suas rivalidades, as suas angústias, as suas dores…Do mundo exterior, não se sabe nada porque a casa está fechada, mas dentro das suas paredes tudo é possível.

 

“La Piel Que Habito”/”The Skin That I Inhabit” de Pedro Almodovar – Espanha

Desde que a sua mulher foi vítima de um acidente de automóvel, o doutor Robert Ledgard, eminente cirurgião estético, dedica-se à criação de uma nova pele graças à qual poderia salvá-la. Doze anos após o drama, Robert consegue cultivar uma pele que é uma verdadeira couraça contra todas as agressões. Para além de muitos anos de investigação e de experimentação, Robert precisa de um cobaia, de um cumplice e de uma ausência total de escrúpulos. Os escrúpulos nunca o afogaram. Marília, a mulher que se ocupou de Robert desde o dia em que nasceu, é a cumplice a mais fiel do mundo. Quanto ao cobaia.

“La Source des femmes”/”The Source” de Radu Mihaileanu – França

Passa-se nos dias de hoje, numa aldeiazinha, algures entre a África do Norte e o Médio Oriente. As mulheres vão buscar água à fonte, no cimo da montanha, sob um sol de rachar, e isso desde a noite dos tempos. Leila, recém-casada, propõe às mulheres de fazer a greve do amor: não há carinhos nem sexo enquanto os homens não trouxerem água à aldeia.

“Le Gamin Au Velo”/”The Kid With a Bike” de Jean-Pierre and Luc Dardenne – Bélgica

Cyril, quase 12 anos, tem uma ideia fixa: encontrar o seu pai que o meteu provisoriamente num lar para crianças. Ele encontra por acaso Samantha, que possui um salão de cabeleireiro e que aceita acolhê-lo em casa dela durante os fins de semana. Mas, Cyril não vê o amor que Samantha tem por ele, esse amor de que ele tanto necessita para acalmar a sua cólera

“Le Havre” de Aki Kaurismaki – Finlândia

Marcel Marx, antigo escritor e boémio famoso, exilou-se voluntariamente na cidade portuária do Havre onde a sua profissão, honrada mas não remuneradora, de engraxador de sapatos lhe dá o sentimento de estar mais próximo das gentes servindo-as. Ele resignou-se da sua ambição literária e leva uma vida satisfatória dentro do triângulo constituído pelo bar do canto, o seu trabalho e a sua mulher Arletty, quando o destino põe, bruscamente no seu caminho, uma criança imigrada oriunda da África negra. Ao mesmo tempo, Arletty fica gravemente doente e deve alectuar-se, Marcel sendo obrigado a confrontar-se novamente ao muro frio da indiferença humana com, por únicas armas, o seu optimismo nato e a solidariedade obstinada dos habitantes do seu bairro. Ele enfrenta a mecânica cega de um Estado de direito ocidental, representado pelo torno da polícia que aperta cada vez o jovem refugiado. Chegou a altura de Marcel engraxar os seus sapatos e mostrar os dentes.

“Melancholia” de Lars von Trier – Dinamarca

Por ocasião do casamento, Justine e Michael dão uma recepção sumptuosa na casa da irmã de Justine e do seu cunhado. Durante a festa, o planeta Melancholia dirige-se para a Terra.

 

“Michael” de Markus Schleinzer – Aústria

“Michael” descreve os cinco últimos meses da vida comum, forçada, de Wolfgang, 10 anos com Michael, 35 anos.

“Pater” de Alain Cavalier – França

Vincent Lindon e Alain Cavalier, ligados de amizade, como um filho e um pai. Beberem Porto nos bares, perguntarem-se que filme poderiam realizar juntos. De vez em quando, pôr fato e gravata. Filmarem-se disfarçados em homens poderosos. Só para ver até onde podem pôr os pés no prato. História de rir. História de dormir de pé, confundindo as suas histórias pessoais com um simples história. E sempre, a questão pertinente e sem resposta do cinema: é verdade ou não?

“Polisse”/”Poliss” de Maiwenn – França

O quotidiano dos polícias da BPM (Brigada de Protecção de Menores) é constituído de custódias de pedófilos, de detenções de pickpockets menores e também da pausa do almoço onde se contam os problemas de casal; são audições de pais maltratados, deposições de crianças, derivas de sexuais de adolescentes e, paralelamente a solidariedade entre colegas e os risos incontroláveis nos momentos mais inesperados; é saber que o pior existe, e tentar fechar os olhos… Como esses polícias conseguem conciliar as suas vidas privadas e a realidade a que são confrontados, todos os dias? Fred, o mais ferido do grupo, terá dificuldade em suportar o olhar de Melissa, mandatada pelo Ministério do Interior para realizar um livro de fotos sobre essa brigada.

 

“Sleeping Beauty” de Julia Leigh – EUA

Uma jovem estudante necessitada de dinheiro multiplica os biscates. Em resposta a um anúncio, integra uma rede estranha de belas adormecidas. Adormece. Acorda. E tem a sensação que não se passou nada.

“The Artist” de Michel Hazanavicius – França

Hollywood 1927. George Valentin é uma vedeta do cinema mudo a quem tudo sorri. A chegada dos filmes sonoros vai mergulhá-lo no esquecimento. Peppy Miller, jovem figurante, em contrapartida, será propulsada até ao firmamento das estrelas.

“The Tree of Life” de Terrence Malick – EUA

No Texas dos anos 50, Jack cresce entre um pai autoritário e uma mãe terna e generosa. O nascimento de dois irmãos obriga-o a partilhar esse amor incondicional, e a seguir a afrontar o individualismo furioso de um pai obcecado pelo êxito dos seus filhos. Até ao dia em que um acontecimento trágico vem perturbar esse equilíbrio frágil.

 

“This Must Be the Place” de Paolo Sorrentino – Itália

Cheyenne é uma antiga vedeta de Rock. Com 50 anos, continua a ostentar um estilo gótico, e vive das suas rendas em Dublin. A morte do seu pai, com quem tinha cortado laços, fá-lo regressar a Nova Iorque. Ele descobre que o seu pai tinha uma obsessão: vingar uma humilhação de que tinha sido vítima. Cheyenne decide prosseguir essa busca e inicia, a seu ritmo, uma viagem através da América.

“We Need to Talk About Kevin” de Lynne Ramsay – Reino Unido

Eva deixou a sua vida profissional e as suas ambições profissionais de lado para dar à luz a Kevin. A comunicação entre mãe e filho começa logo por ser muito complicada. Quando chega aos 16 anos, Kevin comete um crime irreparável. Eva fica despedaçada entre a culpabilidade e o seu sentimento materno. Ama o seu filho? Qual é a parte de responsabilidade no acto que cometeu Kevin?