No primeiro sábado do festival estreou o western policial “Lawless”, do realizador americano John Hillcoat (“A Estrada”, 2009), que conta com um elenco de luxo, Tom Hardy, Jessica Chastain, Guy Pearce, Gary Oldman e Shia LaBeouf. “Lawless”, que é talvez o filme mais comercial em competição, passa-se durante a depressão (anos 30) na Virgínia, um gangue que se dedica ao contrabando de álcool é ameaçado pelas autoridades que querem uma parte dos lucros. Tem sido recebido como um filme cheio de adrenalina, violência e um bom elenco, mas que não passa de um vulgar filme de gangsters, muito menos para ganhar a Palma de Ouro. Segundo a Hollywood Reporter, “Se Lawless não executa as dimensões míticas dos verdadeiros e óptimos filmes de gângster, pelo menos é entretenimento de alta qualidade situado num ambiente vital, contado em grande estilo e interpretado por um grande elenco. Para aqueles que anseiam por sagas sangrentas de crimes americanos de uma determinada era, esses méritos serão de todo agradável.”.

 

Ainda em competição à Palma de Ouro, estreou o novo filme do romeno Cristian Mungiu, “Beyond the Hills” que regressa a Cannes cinco anos depois de ter ganho a Palma de Ouro com o filme “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” (2007). Sendo um favorito à Palma de Ouro, no filme são relatadas as maneiras ultra-rigorosas de um padre de convento. “Este filme trata ainda assim do sentimento de culpa, mas transmite mais o amor e as escolhas, as coisas que as pessoas fazem em nome das suas crenças, a dificuldade de distinguir entre o Bem e o Mal, a interpretação literal da religião, a indiferença enquanto pecado maior do que a intolerância, o livre arbítrio”. Segundo a Hollywood Reporter,“Mungiu adiciona ao seu legado Beyond the Hills, um sério candidato à Palma de Ouro. O filme deve consquistar a audiência baseado na sólida carreira do realizador e nas suas habilidades técnicas. Beyond the Hills é um trabalho sério e confirma Mungiu como um talento amadurecido com histórias mais universais do que aquelas definidas pelo passado policial da Roménia.”.

 

Ao quinto dia do festival estreou o tão aguardado novo filme do austríaco Michael Haneke, “Amour”, que venceu já três prémios em Cannes, incluindo a Palma de Ouro em 2009 com “O Laço Branco”. “Amour” é um belo drama romântico, sobre a relação de um casal idoso, que conta com um elenco extraordinário, Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud e a atriz portuguesa Rita Blanco. Haneke impressionou com a sua visão devastadora sobre a velhice, mas é o elenco é o que tem recebido melhores críticas, pelo que poderão vir a receber alguns prémios. Segundo o Indiewire, “Amour tem uma visão mais contida das relações humanas do que nos filmes anteriores sem sacrificar o seu estilo sombrio. Devastador e comovente”.

 

O único filme proveniente da Dinamarca estreou neste domingo, “The Hunt”, do dinamarquês Thomas Vinterberg, m dos autores associados ao movimento dinamarquês Dogma, marcou presença na competição de Cannes em 1998 com “A Festa”, tendo recebido o Prémio do Júri. O filme conta no elenco com Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Lasse Fogelstrøm, Susse Wold e Anne L. Hassing. Thomas Vinterberg surpreendeu com “The Hunt”, tendo recebido fortes aplausos da plateia, um filme agitado sobre um homem que é acusado injustamente de abuso sexual infantil, após o divórcio. Em entrevista à imprensa em Cannes Thomas falou da internet, que “tornou o mundo numa pequena aldeia onde abundam os rumores” e disse, “Inspirámo-nos em vários casos de abusos sexuais lidos na imprensa. Num caso como este, as crianças são igualmente vítimas pois sofrem por terem de mentir aos adultos para os satisfazer. Na Dinamarca temos um provérbio que diz que apenas as crianças e as pessoas bêbedas dizem sempre a verdade. É falso. Há muitas portas abertas neste filme. Deixamos a escolha ao espectador.”. “The Hunt” junta-se assim aos favoritos da Palma de Ouro.