Cannes 2013: Dia 2

No segundo dia de Cannes o filme “The Bling Ring” de Sofia Coppola abriu a secção Un Certain Regard, a secção que visa premiar cineastas mais desconhecidos. Esta é assim a quarta presença da realizadora ao certame francês, sete anos depois de ter estado em competição com “Marie Antoinette” (2006). Com este seu novo filme, que conta com Emma Watson “no papel de uma rapariga mal comportada em busca de strass e lantejoulas.”. O filme passa-se em Los Angeles, sobre um grupo de adolescentes fascinado pelo universo das marcas anda à caça, através da Internet, da agenda das celebridades para assaltar as suas residências. Conseguiram roubar mais de 3 milhões de dólares em objetos de luxo: Jóias, roupa, calçado, etc. Entre as vítimas, encontram-se Paris Hilton, Orlando Bloom e Rachel Bilson. Os meios de comunicação chamam esse gang, o “Bling Ring”. Em entrevista durante a conferencia de imprensa a realizadora comentou sobre o filme: “Los Angeles desempenha um papel central na cultura americana. É o que vemos neste filme: um mundo de celebridades, de Reality Shows. Esta história não podia ter-se passado noutro lado. Estas crianças viviam perto destas estrelas”.

 

Na secção competitiva foram projetados os filmes “Heli”, de Amat Escalante e “Jeune & Jolie”, de François Ozon. O primeiro é um “olhar incisivo sobre a sociedade mexicana”, realizado pelo jovem realizador mexicano Amat Escalante, que regressa a Cannes pela terceira vez, desta vez com um filme sobre pesado e deprimente que poderá ser apenas apreciado por um público muito restrito do festival. “O realizador e produtor de todos os filmes de Escalante, co-escreveu esta longa-metragem que volta a mergulhar de forma frontal no coração da sociedade mexicana”. O segundo filme, do cineasta francês Ozon, é um retrato de uma jovem de 17 anos em 4 estações e 4 canções. Interpretado pela actriz Marine Vacth, a “manequim acaba de despertar o lado erótico da filmografia do realizador e traz frescura e sensualidade ao prestigiante quadro de actrizes que o realizador gostou de atormentar ou sublimar ao longo da sua carreira.”. O realizador “considera mais Jeune et Jolie como o alter-ego feminino do seu filme anterior, Dans la maison (2012). Retoma assim o tema da adolescência, largamente abordado nas suas curtas-metragens, misturado com a sexualidade, também característica na sua obra, e as mulheres, sempre as mulheres.”.