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No dia 22 de maio estrearam, na secção competitiva os filmes “Chronic” do mexicano Michel Franco e “Valley of Love” de Guillaume Nicloux.

O realizador mexicano Michel Franco (vencedor do prémio Un Certain Regard, em 2012, com “Después de Lucía”) regressa mais uma vez a Cannes, agora com “Chronic”, um drama psicológico, conduzido por Tim Roth, um enfermeiro assiste pacientes em fase terminal e tenta reatar os elos com a sua família. Para tecer a trama da sua história, Michel Franco inspirou-se na sua história pessoal, os sofrimentos do seu antecessor e dos seus entes chegados ao suportar as consequências do seu ataque cerebral levaram-no a levantar o assunto difícil do fim de vida. A devoção da sua enfermeira contribuiu para unir dois destinos, com elos tão fortes como indestrutíveis. No espírito da sua obra anterior, Después de Lucía, o realizador mexicano evolui num registo poderoso, com um olhar lúcido e radical: “Como nos meus filmes anteriores, o tom é o mais realista possível. As enfermeiras são enfermeiras autênticas, é assim que elas poderão exprimir o seu apego e devoção à missão que realizam”.

Segundo o The Guardian, “Chronic” é um estudo sombrio, inteligente e um estudo de um jogo emocional de um homem. Apresenta-se num conjunto de cenas, filmadas de um ponto de vista individual frio…”; “Tim Roth é excelente, que tal como David, é impassível e enigmático, retendo a verdade sobre si mesmo…”. Severo, implacável, deprimente e doloroso são algumas palavras que o The Hollywood Reporter usou para este filme que debate o suicídio humano medicamente assistido.

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O segundo filme,  é “Valley of Love” de Guillaume Nicloux, um filme que assina o reencontro do duo Isabelle Huppert e Gérard Depardieu, sobre um casal que viaja até ao Vale da Morte, após perder o filho. . Este encontro póstumo é orquestrado e trabalhado com precisão para os dois pais de luto que, à imagem dos dois atores no ecrã, não se frequentam há já muito anos. Estes encontros são feito no Vale da morte na Califórnia, um lugar predestinado. Da descoberta deste deserto em 2012, o realizador francês conservava a lembrança de um espaço livre e solitário. Seria o terreno de Valley of Love. E o tema do luto, aquele que “roda de vida em filme e de filme em vida“, teria o seu lugar.

A crítica considerou o filme um fracasso. Destaca-se as interpretações dos dois atores, mas critica-se o argumento, que não chega aprofundar os temas, e os cenários, que não foram bem aproveitados. Como escreveu o The Hollywood Reporter, Vale do Amor parece ser bom, mas às vezes tem a sensação de que poderia ter decorrido em qualquer lugar; o cenário e a narrativa não se alimentam…”. O realizador não consegue acompanhar as ideias com este fraco argumento.

Cannes 2015 - Dia 10_3Neste dia foram também entregues os primeiros prémios, os prémios Cinéfondation. O Júri da Cinéfondation e das curtas-metragens presidido por Abderrahmane Sissako e composto por Cécile de France, Joana Hadjithomas, Daniel Olbrychski e Rebecca Zlotowski, concedeu os prémios Cinéfondation durante uma cerimónia na sala Buñuel, seguida pela projeção dos filmes premiados. A Seleção incluía 18 filmes de estudantes de cinema escolhidos entre 1 593 candidatos provenientes de 381 escolas do mundo.

Primeiro Prémio

Share, de Pippa Bianco (EUA)

Segundo Prémio

Locas Perdidas, de Ignacio Juricic Merillán (Chile)

Terceiro Prémio ex aequo

The Return of Erkin, de Maria Guskova (Rússia)

Terceiro Prémio ex aequo

Victor XX, de Ian Garrido López (Espanha)