CIFF 2024: “Grand Tour” confere a Miguel Gomes o prémio de Melhor Realização

Além de Gomes, Portugal também foi representado por Denise Fernandes, que recebeu o Prémio Roger Ebert pelo drama “Hanami”
Prémios Sophia Prémios Sophia
"Grand Tour", de Miguel Gomes

Nos Estados Unidos, a 60.ª edição do Chicago International Film Festival, o mais antigo festival de cinema da América do Norte, chegou ao fim. Entre os vencedores, destacaram-se vários filmes que também brilharam em Cannes e Veneza.

Nesse contexto, o prémio de Melhor Filme, conhecido como Hugo de Ouro, foi atribuído a “Vermiglio”, de Maura Delpero. Este drama ambientado na Segunda Guerra Mundial, situado nos Alpes italianos, recebeu elogios no Festival de Veneza, embora tenha gerado uma recepção mista da crítica.

“Vermiglio” também foi seleccionado pela Itália para representar o país na disputa pelo Óscar de Melhor Filme Internacional no próximo ano.

Para registro, os três últimos vencedores do Hugo de Ouro em Chicago foram “Explanation for Everything”, de Gábor Reisz, “Godland”, de Hlynur Palmason, e “Memoria”, de Apichatpong Weerasethakul.

O segundo lugar

O Silver Hugo Jury Prize, que representa o segundo lugar, foi atribuído a “All We Imagine as Light”, de Payal Kapadia, uma obra que já tinha conquistado o Grand Prix de Cannes.

Adquirido pela Sideshow-Janus, este filme é considerado um dos retratos de personagens mais bem elaborados do ano. A narrativa foca nas vidas de três mulheres em Mumbai, que enfrentam desafios relacionados ao trabalho, ao amor e à gentrificação.

Apesar da sua abordagem sobre a crescente disparidade de riqueza na Índia, o filme foi rejeitado pelo país como a sua candidatura aos Óscares.

Presença portuguesa

A presença lusitana fez-se notar com o Silver Hugo de Melhor Realização, atribuído a Miguel Gomes por “Grand Tour”. No CIFF 2024, o filme ainda conquistou o prémio de Melhor Edição, que foi entregue a Telmo Churro e Pedro Filipe Marques.

Candidato de Portugal à categoria de Melhor Filme Internacional nos Óscares de 2025, a obra de Gomes narra a história de Edward (Gonçalo Waddington), um funcionário público do Império Britânico em Rangum, Birmânia, no ano de 1918. No dia da chegada da sua noiva, Molly (Crista Alfaiate), para o casamento, Edward foge, dando início a uma jornada pela Ásia, onde o pânico se transforma em melancolia. Durante a viagem, ele reflete sobre o vazio da sua existência e questiona o que terá acontecido a Molly. Determinada a casar-se, Molly decide seguir o rasto de Edward neste “Grand Tour” asiático.

Além de Gomes, Portugal também foi representado por Denise Fernandes, que recebeu o Prémio Roger Ebert pelo drama “Hanami”.

Filmado na Ilha do Fogo, em Cabo Verde, o drama de Fernandes centra-se na história de uma família de uma “ilha vulcânica remota”, de onde todos querem partir, mas onde uma criança, “a pequena Nana, aprende a ficar”.

Melhor argumento

O realizador iraniano Mohamad Rasoulof foi premiado com o Hugo de Melhor Argumento pelo seu aclamado filme em Cannes, “A Semente da Figueira Sagrada”.

O título, que ressoa com poesia, carrega uma metáfora profunda. A figueira, reverenciada como uma árvore sagrada em várias culturas, representa a dualidade entre vida e morte, crescimento e destruição. Por sua vez, a semente encarna a disseminação de ideias e um legado que pode ser tanto edificante quanto devastador.

No contexto do Irão, a figueira surge como uma metáfora do regime político, que se alarga e se instala, cerceando as liberdades individuais e sufocando a sociedade. Por outro lado, a semente encarna a resistência e a esperança de um futuro mais justo, simbolizando a busca por transformação e mudança.

Assim, a obra de Rasoulof surge como um grito silencioso, uma denúncia poética e uma profunda reflexão sobre a realidade da sociedade iraniana atual.

Outras categorias

Nas outras categorias, Benjamin Voisin conquistou o Silver Hugo de Melhor Performance Masculina por “The Quiet Son”, enquanto Elin Hall recebeu o Silver Hugo de Melhor Performance Feminina por “When the Light Breaks”.


Vencedores

 

Competição principal

Hugo de Ouro – Melhor Filme: “Vermiglio”, de Maura Delpero

Hugo de Prata – Prémio do Júri: “All We Imagine as Light”, de Payal Kapadia

Hugo de Prata – Melhor Realização: Miguel Gomes por “Grand Tour”

Melhor Performance Masculina: Benjamin Voisin em “The Quiet Son”

Melhor Performance Feminina: Elin Hall em “When the Light Breaks”

Melhor Argumento: Mohammad Rasoulof por “A Semente da Figueira Sagrada”

Melhor Edição: Telmo Churro e Pedro Filipe Marques por “Grand Tour”

Menção Especial: Conjunto feminino de “Becoming a Guinea Fowl”, de Rungano Nyoni

 

Competição de Novos Realizadores

Hugo de Ouro: “The Village Next To Paradise”, de Mo Harawe

Hugo de Prata: “My Favourite Cake”, de Maryam Moghaddam e Behtash Sanaeeha

Prémio Roger Ebert: “Hanami”, de Denise Fernandes

 

Competição Internacional de Documentários

Hugo de Ouro: “Mistress Dispeller”, de Elizabeth Lo

Hugo de Prata: “My Stolen Planet”, de Farahnaz Sharifi

 

Perspectivas da Competição

Ouro Q-Hugo: “Thesis on a Domestication”, de Javier van de Couter

Prata Q-Hugo: “Four Mothers”, de Darren Thornton

Prémio Chicago: “A Photographic Memory”, de Rachel Elizabeth Seed

Menção Honrosa: “Saving Superman”, de Adam Oppenheim e Samuel-Ali Mirpoorian