9 – The Eye – Visão de Morte – Danny Pang Fat e Oxide Pang chun – 2002

Provavelmente conhecem o remake americano deste filme com Jessica Alba no papel principal, e, se for esse o caso, façam o favor de o esquecer. A versão original, produzida em Hong Kong, é simplesmente dos filmes que mais me arrependo de ter visto. No bom sentido, claro.

A Ásia sempre nos habituou a coisas estranhas e arrepiantes e este filme tem ambas em doses  industriais. O filme começa com uma jovem violinista cega desde os seus dois anos de idade. Felizmente para ela é-lhe concedido um transplante de córnea que lhe restaura a vista. Se o filme acabasse aqui, seria um final feliz, o problema é que com o novo olho vêm visões muito desagradáveis.

Este filme tem de tudo: suspense, personagens queridas e um ou outro arrepio na espinha.

8 – O Sacrifício – Robin Hardy – 1973

O filme começa quando um agente da policia é enviado para o remoto arquipélago das Summer Isles na Escócia para investigar o caso do desaparecimento da jovem Rowan, cuja mãe pensa ter sido raptada. Ao chegar à ilha, Howie, o tal agente, descobre que toda a sua população pertence a uma cultura pagã e por “pagã” refiro-me a cultos a deuses antigos, a rituais sexuais nos campos e crianças com uma educação do período da Escócia pré-romana. Digamos que o paganismo à moda antiga é o ponto chave. E sem querer revelar mais nada que possa estragar a experiência, só posso dizer que é a partir deste ponto que tudo começa a ficar muito estranho, e que este polícia cristão não tem a mais pequena ideia de onde se foi meter.

Agora, sobre o filme, só tenho a dizer que é uma verdadeira obra de arte. É um dos meus favoritos em praticamente todos os aspetos. Os rituais vistos ao longo do filme e toda aquela mitologia pagã foi feita de forma meticulosa, de modo a que todos os detalhes fossem o mais fieis possível à realidade. O trabalho dos atores é também muito bom, particularmente o de Christopher Lee, e temos ainda os cenários fantásticos filmados em áreas rurais escocesas, bem como o olhar documental de Hardy que tão bem se integra no filme.

Mas o que eu mais gosto neste filme é o ritmo. É muito lento ao início, mas vai acelerando pouco a pouco, alimentando-nos com pequenos dados aqui e ali e criando sempre ainda mais mistérios.

7 – A Bíblia de Satanás – John Carpenter – 1995

Mais tarde ou mais cedo Carpenter teria de aparecer nesta lista, mas a escolha de um filme nunca seria fácil.

A Bíblia de Satanás” possui todo um conjunto de elementos aos quais não consigo resistir, desde o fantástico elenco liderado por um enorme Sam Neill, até à incursão de John Carpenter por territórios narrativos que piscam o olho à mitologia de H.P. Lovecraft.

O filme começa com uma visita a um sanatório onde um dos pacientes, de seu nome John Trent (Sam Neill), um homem que vive num estado algures entre o delírio e a esquizofrenia, conta o porquê de estar numa cela cheia de cruzes desenhadas nas paredes, nas roupas e mesmo na pele. John começa então a relatar os tempos em que foi contratado por uma seguradora para investigar o suspeito desaparecimento de um famoso escritor de livros de terror. Ao ler os livros, John começa a ter visões com demónios e com pessoas a chacinarem-se umas às outras. O restante é a ilustração da queda de John até às raízes do Inferno.

6 – Massacre no Texas – Tobe Hooper – 1974

Após noticias de uma série de roubos em cemitérios, Sally e Franklin vão com três amigos até à sepultura do seu avô para ver se está tudo bem. Ao confirmar que a sepultura está intacta, decidem aproveitar para ir até a uma velha casa que pertenceu à sua família. Pelo caminho, os cinco amigos decidem dar boleia a um homem que, pouco depois, decide pegar numa lamina e simplesmente começar a chacinar tudo e todos. Expulsam o homem da carrinha (num ato de bom senso, diria eu) e seguem caminho. Após chegarem ao seu destino, os jovens começam a explorar e encontram outra casa velha nas redondezas. Para resumir a coisa, posso dizer que encontram uma família cuja consanguinidade não é um entrave à procriação, e cujo um dos elementos gosta de usar uma máscara feita com pele de outras pessoas e de usar uma moto-serra. Está dado o mote para o início de um dos clássicos slashers da história do cinema.

Este filme permitiu a entrada de Leatherface no panteão dos grandes nomes do cinema de terror, o que, por sua vez, tornou Ed Gein, o serial killer do mundo real no qual a personagem é baseada, num dos mais populares assassinos em série do mundo.

5 –  Alien – O 8.º Passageiro  – Ridley Scott – 1979

Facehuggers, Chestbusters, aliens com bocas dentro de bocas, armas enormes, naves espaciais, androides, a Ellen Ripley e um gato.  O que se pode pedir mais? “Alien” é daqueles filmes que por muito que digam a um miúdo de 8 anos para não ver, ele vai ver.

Considero-me um fã de Ridley Scott, porque, afinal de contas, o homem deu-nos uma mão cheia de grandes filmes, desde o visionário “Blade Runner”, passando por “Thelma e Louise”, o épico “1492: Cristóvão Colombo” e até mesmo “Gladiador”. Para mim, contudo, a sua obra-prima será sempre “Alien”.

O argumento, apesar de simples, é sólido, os efeitos visuais são notáveis e ainda hoje, passados 32 anos, continuam a assustar como o catano.

4 – Suspiria – Dario Argento – 1977

Antes de se dedicar completamente à realização de filmes de terror, Argento trabalhou como jornalista num jornal italiano e foi um dos argumentistas de “Aconteceu no Oeste”, de Sergio Leone. Dois Anos depois da sua colaboração com Leone, eis que Argento lança o seu primeiro filme, “O Pássaro com Plumas de Cristal” (1970). A sua estreia foi um sucesso e a partir daí foi sempre a subir até que, em 1977, regala-nos com “Suspiria”.

A história do filme centra-se em Suzy, uma jovem americana que viaja até Munique para frequentar uma academia de ballet. Durante a noite, uma jovem, recentemente expulsa da academia, é brutalmente assassinada, e quando no dia seguinte as restantes alunas da academia tomam conhecimento do sucedido, não conseguem nem suspeitar que essa é apenas a primeira de muitas mortes sobrenaturais.

A narrativa de “Suspiria” é onde o filme é mais frágil, não deixando, porém, de estar apinhado de virtuosismo cinematográfico: desde o jogo fantástico de luz e cor, à organização cuidada dos planos e à banda sonora hipnótica composta pela banda de rock progressivo italiana Goblin.

3 – A Noiva de Frankenstein – James Whale – 1935

Este é o filme mais antigo da lista e um dos mais queridos da critica e do público. James Whale  aborda aqui temas complexos como a manipulação genética e a divisão entre o bem e o mal, já para não falar de que a personagem do monstro é talvez, de todas as personagens monstruosas, aquela que gera mais empatia por parte do público.

“A Noiva de Frankenstein” começa onde o filme “Frankenstein” termina e onde nos é revelado que tanto o Monstro como Henri Frankenstein sobrevivem à fúria do povo. A partir daí, passamos a acompanhar a viagem do Monstro à medida que este vai fugindo de multidão em fúria a multidão em fúria até ao momento em que encontra um cientista louco, de seu nome Pretorius, que, com a ajuda de Frankenstein, irá criar uma companheira para o solitário Monstro.

Este é um daqueles filmes que o tempo não destrói e tudo o que vemos no ecrã é tão credível como qualquer outro filme de grande orçamento criado nos dias de hoje. Para além de que temos Boris Karloff e Boris Karloff is life.

2 – The Exorcist – William Friedkin – 1973

A narrativa do filmes é direta, mas eficaz: uma atriz começa a sentir-se assustada com as drásticas mudanças de comportamento de Regan, a sua filha de doze anos. Após várias visitas a médicos e de inúmeros acontecimentos bizarros e assustadores, é recomendado à senhora um exorcismo. É então que entram em cena o padre Lankester Merrin e o jovem padre Damien Karras para tentar resolver o problema. É importante notar que o mais jovem dos dois padres se encontra a meio de uma crise de fé. A partir daqui, a mente do espectador torna-se numa marioneta controlada pelos fios do medo que é “O Exorcista”.

O fator “susto” deste filme é apenas comparado à sua popularidade entre o público e a crítica, e a simplicidade da narrativa também só se compara à “beleza” da caracterização e efeitos especiais. Quando falamos de “O Exorcista” estamos a falar de um dos melhores filmes de terror alguma vez feito, e o facto de estar no segundo lugar desta lista, e não no primeiro, é simplesmente porque no fator “terror como entretenimento”, o filme que se segue leva a melhor.

1 – A Noite dos Mortos-Vivos – George A. Romero

E tudo nos leva a este ponto. É Impossível fugir a este filme. Se procuramos terror como entretenimento, o filme de George A. Romero é o sitio certo para o encontrar. Estamos a falar de uma obra que passou a ditar a regra de aparência, locomoção e comportamento de um morto-vivo e que tornou Romero num profeta para os aficionados do cinema de série B. Para mim, não é Halloween sem pelo menos um bom e velho filme da saga dos mortos-vivos.

A saga teve a sua estreia em Portugal em 1968 com “A Noite dos Mortos-Vivos” e nasce de uma reflexão de Romero sobre a situação dos Estados Unidos com a Guerra do Vietname, bem como os problemas sociais internos. O filme centra-se não nos mortos-vivos, mas sim na forma como a sociedade, e principalmente o indivíduo, lida com o caso, tornando-se então um filme sobre pessoas e as suas reações e instintos em tempos de crise.

Ao longo dos anos, esta saga teve também direito a inúmeras imitações, homenagens em festivais de cinema e remakes dos primeiros três filmes da série, que foram, digamos, mal recebidos pelo público devido às inúmeras alterações ao cânone original criado por Romero.

Extra – Quando o Halloween envolve os mais novos

As crianças também gostam de ver um bom filme de terror de vez em quando e, tal como os adultos, também elas sabem apreciá-los, mesmo que em versão mais leve. Como expor mentes jovens aos danos de um “Amityville: A Mansão do Diabo” ou a um “Exorcista” pode não ser uma boa ideia, existem alternativas, como, por exemplo, “O Estranho Mundo de Jack”, “A Noiva Cadáver” e “Beetlejuice”, realizados por Tim Burton. Já agora, “O Labirinto”, realizado por Jim Henson e com David Bowie em collants e uma jovem Jennifer Connelly. Apesar de não ser propriamente um grande filme, não deixa de ter a marca de Jim Henson.

Espero que apanhem uns valentes cagaços!

Ler Especial Halloween (Parte 1)